13/10/2013


CORAGEM

A trilogia se completa!

Falamos de Liberdade, o maior anseio, de Confiança, o melhor meio, falta falar da Coragem, o instrumento.

Ao falar de coragem pensamos em luta e, ao pensar em luta, pensamos em inimigo e o grande inimigo a ser vencido é o medo e só precisamos de uma arma: a Coragem!

O MEDO

Esse talvez seja, dentre os “inimigos do homem”[1], o pior ou, pelo menos, o mais insidioso, sorrateiro e difícil de identificar. Uma coisa muito comum é ele vir disfarçado por uma atitude jocosa, de despreocupação, quase uma arrogância ante questões ligadas ao ‘mistério’.

O medo, que por vezes não é evidente, está influindo todo o tempo em nossas decisões e, principalmente, nos enfraquecendo nos embates da vida, sejam eles no trabalho, nos negócios, na família e até mesmo com os filhos, quando muitas vezes nos tornamos reféns de sentimentos de culpa e cedemos a pedidos que acabam por atrapalhar o bom desenvolvimento de suas personalidades em formação.

A atitude de ‘querer’ acreditar em algo – dar um sentido para nossa vida – é um dos melhores antídotos para o medo.

Essa atitude é uma forma de romper o ciclo vicioso do medo: “medo gera medo”, com o ciclo virtuoso: “coragem gera coragem”. Coragem de assumir os riscos dessa tomada de posição.

Uma das formas de medo mais sutis é a aversão à análise da vida.

“Se eu paro eu penso, se eu penso eu choro!”

É a negação em responder a perguntas que, independente de nossa vontade, estão presentes em nosso espírito.

Essas perguntas, ainda que afirmemos veementemente que não nos preocupam nem um pouco, estão lá, minando nossa vontade e nossa coragem.

Quantas vezes nos deparamos com situações em que, por falta de coragem, deixamos de conseguir alguma coisa: uma namorada, um emprego, uma promoção, um bom negócio e, ao olharmos para o lado, vemos alguém se dando bem. Claro: ou o cara é virado pra lua ou é apaniguado de alguém, não é mesmo? Nem sempre, pode ser apenas uma pessoa de coragem!

Pode ser que muitas das perguntas só possam ser respondidas com um rotundo: – Não sei! Mas, ainda assim, servem para conduzir nossa análise: partindo do fato de que não sabemos podemos adotar uma atitude mais coerente do que mantendo a ilusão de sabemos.

Uma das perguntas que causa mais medo é: – Deus existe? Basta verificar o que você pensa sobre isso e escrever a palavra “Deus”. Acho que, como eu, você escreveria com letra maiúscula, afinal, nas aulas de catecismo, em casa ou em algum lugar, alguém, em algum momento nos disse que era assim que tinha que ser escrito, caso contrário estaríamos desrespeitando e, de certa forma, desafiando o ser supremo.

Será normal ter medo de algo que nem se sabe se existe? Apesar de parecer prudente, não é! Pelo simples fato de que é um medo e, portanto, não pode ser ignorado porque nos atrapalhará.

Claro, você pode dizer: – Estou contente com minha vida, é bobagem me preocupar com isso!

Apenas digo que, infelizmente, você já está preocupado, só não tem coragem de encarar!

Medo em prosa

Medo de mudar de emprego, medo de não ser aceito, medo de não ser admirado, medo de não ser respeitado, medo de perder a companhia, medo de assumir riscos, medo de perder dinheiro, medo de perder a saúde, medo de perder uma oportunidade...
Medo de não estar certo...
e quando falta o sono, medo do dia seguinte: insônia certa!


MEDO de ter MEDO!

O medo de perder dinheiro é um dos mais perturbadores, porque perder a saúde é muito mais distante em nosso inconsciente.

Bem, posso dizer que já fiquei sem dinheiro, não por alguns meses, mas por vários anos. Tivemos que contar com ajuda, engolir o orgulho e ir e frente, mas posso dizer que viver sem dinheiro não é muito diferente do que com dinheiro, porque nos adaptamos às dificuldades e seguimos em frente.

Não fiquei sem dormir, não deixei de me divertir, não colocamos nossa família em risco, apenas tínhamos menos conforto, mas, como eu disse, é apenas uma questão de adaptação, em pouco tempo a gente se organiza e continua tocando a vida, fazendo piadas com nossa própria situação e la nave va.

Verso da Coragem

O emprego e os patrões assinalados,
assumindo a sua alma lusitana,
ainda que d’outras plagas desterrados,
impondo respeito à moda romana,
amigos e amores conquistados
assumindo os riscos com força humana
e da saúde e das chances aproveitaram
como a riqueza auferida bem usaram...
          Paródia de Os Lusíadas [2] de Luís Vaz de Camões

Coragem de ter dúvida...
e quando o sono faltar, a coragem de deixar pra lá: zzzzzz...

CORAGEM de ter CORAGEM!


Lúcifer
O que fez a luz

Não nos esqueçamos do mito da expulsão do paraíso. A serpente tentou Eva com o fruto da árvore do conhecimento.

Esse é o conceito de Lúcifer: aquele que ilumina, esclarece e... implanta o medo.

Em contrapartida temos um Deus, inescrutável, incompreensível, que tudo pode e que... opera milagres!

Muita informação favorece o medo, por isso, quanto mais nos informamos mais coragem devemos ter.

A informação não é conhecimento, é preciso ter disposição para transformá-la em algo útil, pesquisando, estudando, verificando enfim o conteúdo da informação. Essa atitude desenvolve a coragem e transforma conhecimento em sabedoria.

Bom exemplo disso é o ‘efeito Dráuzio Varela’, personagem bem intencionado que, todos os domingos, nos enche de informações sobre doenças, da mesma forma que o ‘oráculo de Google’, onde podemos pesquisar qualquer sintoma, por mais incipiente que seja. Eles mexem com um de nossos medos mais terríveis, que é o de perder a saúde. Antigamente, com menos informações disponíveis, tínhamos todo tipo de sintoma e, exceto quando se tratava de algo muito grave, esperávamos passar. Se dizia então: – Antes de casar sara!

Se a dor ou desconforto fosse insuportável, ou se perdurasse por muito tempo, algo como 30 dias ou mais, só então íamos procurar um médico. Hoje, ao contrário, ao menor sintoma, já estamos no pronto-socorro.

Não se trata de viver irresponsavelmente, mas precaução e previdência não são, nem devem ser, resultados do medo. A virtude da prudência[1] ensina: ser prudente é não titubear, tomar as decisões no momento e no prazo exigidos a cada situação.

Os riscos que a vida apresenta não são terríveis por si mesmos, mas única e tão somente pelo medo que provocam. É isso que faz o terrorismo e a igreja católica tão eficientes.

Mas, sendo assim, seria o medo uma arma dos poderosos, um ardil ou apenas parte da natureza humana, uma arma do gene?

Já sabemos que o gene não está nem aí para o indivíduo, só se interessa por ele quando é interessante para a sua preservação (do gene em si), daí criar armadilhas para que, através do medo, os mais capazes dominem os demais.

Isso se dá utilizando o próprio medo dos poderosos, por isso a impressão de conspirações tenebrosas e, essencialmente, misteriosas, porque as pessoas agem não por estratégias ou ardis, mas por impulsos provocados pelo gene.

O medo é o pai de todos os pecados: a vaidade, por exemplo, é um medo profundo de não ser aceito, não ser admirado, não ser respeitado.  A competitividade, embora não seja um pecado é fruto do medo, produzido pelo gene egoísta[3].

A confiança é perdida em função do medo, disfarçado de competitividade.

Ficar dependente das redes sociais, respondendo freneticamente todas as chamadas e nem pensar em ficar offline é puro medo. Medo de ficar de fora.

Estar vivo é ter medo, não há como fugir disso, porém quando esse medo nos impede de viver bem, se torna um inimigo a ser vencido.
"O anjo não pode ser forte porque é invulnerável."
Forte não é o que vence um combate, é o que consegue vencer o medo.

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem!
João Guimarães Rosa
A quem devemos nos curvar: Lúcifer ou Deus?

Nenhum dos dois. A Coragem pode nos libertar!





[2] As armas e os barões assinalados,| que da ocidental praia lusitana,
por mares nunca dantes navegados,| passaram ainda além da taprobana,
em perigos e guerras esforçados| mais do que prometia a força humana
e entre gente remota edificaram| novo reino que tanto sublimaram...
[3] Gene egoísta não é o lado egoísta do ser humano, mas a natureza do gene, qualquer gene.
01/11/2013


Entusiasmo[1]

Quando temos entusiasmo estamos sintonizados com nossa intuição e harmonizados com nossa programação básica.
Poder + Querer + Dever

CÓDIGO DA ROBÓTICA
·       Um robô NÃO PODE ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
·       Um robô QUER obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que isso contrarie a primeira lei.
·       Um robô DEVE proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e a segunda lei.
MANUAL DE ROBÓTICA
Isaac Asimov
CÓDIGO DO COMPORTAMENTO HUMANO
·       Um ser humano PODE estimular a Motivação e o Entusiasmo de outros, desde que tal ação não entre em conflito com a terceira e a segunda lei.
·       Um ser humano QUER seguir a sua Motivação, exceto nos casos em que isso contrarie a terceira lei.
·       Um ser humano NÃO DEVE ignorar o seu Entusiasmo ou, por omissão, sucumbir ao Medo ou a Utopia.
LIVRO SAGRADO DA HUMANIDADE
Alguém deveria ter escrito

Não nos foi dado o dom de ensinar, apenas o de aprender!

Essa afirmação suscita muitas dúvidas, não? Afinal, de que se ocupam os professores?

Bem, para esclarecer essa questão precisamos usar um pouco de imaginação.

Uma sala de aula, o melhor mestre de filosofia disponível, porém, ao invés de pessoas, estão assistindo a essa aula apenas robôs.

Os robôs, mesmo os mais avançados, não conseguiriam entender nada! Óbvio!

Mas, alguém perguntaria, e quando os robôs forem muito mais avançados?

Para essa questão podemos recorrer às experiências que vem sendo feitas nesse campo há mais de 40 anos e que, até agora, não apresentam progresso significativo.

Sempre que acompanhamos uma entrevista ou documentário mostrando os cientistas envolvidos na tarefa de construir e “ensinar” robôs “inteligentes”, ouvimos a mesma ladainha: “ainda não conseguimos estabelecer um diálogo efetivo com a máquina porque ela só consegue captar alguns aspectos da comunicação humana, assim que dotarmos esses aparelhos com outros sensores e outras programações então...”.

Ora, o pensamento complexo já demonstrou que somos capazes de mais do que interpretar informações codificadas, expressões, contextos etc., temos na verdade um contato com o universo infinito que estava em nós antes mesmo de nascermos, somos capazes de sutilezas inexplicáveis. Caso não concorde, tente explicar porque sente vontade de chorar ao ouvir uma música, ou leveza ao ler um poema.

Temos acesso ao transcendente que, antes de significar espiritualidade, religiosidade ou misticismo, significa apenas além de nossa capacidade de compreensão. Isso os robôs não têm e nunca terão!

Só aprende quem, antes de tudo, tem Motivação & Entusiasmo para aprender, não só por ser dotado dos recursos necessários, mas por estar com disposição para aprender. Na verdade não ensinamos de fato, só podemos criar, através da intensidade no relacionamento com o grupo, ambientes propícios ao aprendizado, sem nunca esquecer nossas próprias emoções.





[1] Vem do Latim ENTHUSIASMUS, do Grego ENTHOUSIASMOS, “inspiração divina”, do verbo ENTHOUSIAZEIN, “estar inspirado ou possuído por um deus, estar em êxtase”, de ENTHEOS, “divinamente inspirado, possessão por um deus”, formada por IN-, “em”, + THEOS, “deus”.
01/11/2013


ROBÔS NÃO PODEM AMAR!

O Gene?


Egoísta
O gene define nosso comportamento.
Ainda que tenhamos o livre arbítrio, não podemos contrariar as diretrizes do gene, as leis da genética (como as leis da robótica do Isaac Asimov), impunes.

Altruísta
Só conseguimos ser altruístas quando estamos seguros, ou seja, não existe ameaça para o nível mais alto de exigência genética. Quando desrespeitamos essa ordem, precisamos de muita força moral e sacrifício pessoal para enfrentar as situações.

Atropelado
Para se adaptar o gene precisa de várias gerações, desde que as condições não variem muito de geração para geração, de forma a permitir um “aprendizado” do gene.

As mudanças que estamos promovendo no ambiente, modo de vida, processos etc., estão sendo muito mais rápidas do que o gene pode acompanhar, então ele está sendo atropelado pela evolução ao redor.

O gene evolui também no indivíduo, mas de forma quase imperceptível nos humanos, tanto que o DNA serve como identidade. Em alguns seres vivos, com as bactérias, essa evolução no indivíduo é mais intensa.

A evolução no indivíduo pode ser comparada à conformação de um carro ao seu dono (desgaste, deformações etc.). Ao dirigir o carro de outra pessoa, ainda que da mesma marca e modelo, achamos estranho.

E essa evolução no indivíduo, já ínfima, está se reduzindo. Voltando ao paralelo com os carros, quando era tudo mecânico a adaptação era maior, agora com os sistemas by-wire, fica mais difícil, porque a força física diminuiu drasticamente e os materiais são mais duráveis e permanentes, portanto, os desgastes, deformações etc. diminuíram muito e as ações são “interpretadas” por um computador que aciona os diversos sistemas do carro através de servomecanismos. Com isso a nossa intenção é filtrada por um interpretador que reduz imensamente a complexidade dos nossos movimentos para algo como “sim ou não”, “quer ou não quer”.

Da mesma forma a comunicação humana está cada vez mais “intermediada”, os “smyles” são um ótimo exemplo, já percebeu como é difícil escolher um em certas situações.


Imaginemos um dispositivo simples, um interruptor de luz, por exemplo: Uma alavanca ou tecla que, quando mudamos sua posição, fecha um circuito elétrico e faz uma lâmpada acender. Esse é um bom ponto de partida para entendermos como funcionam os sistemas.

Qual o grau de liberdade que esse sistema tem?

Aparentemente nenhum, ou seja, uma vez acionado o interruptor a luz se acenderá. Claro que, para efeito do nosso exercício, sempre admitiremos que tudo está funcionando perfeitamente.

Então, vamos sofisticar um pouco. Imaginemos um sensor de presença junto à nossa lâmpada, permitindo que ela se acenda apenas na presença de alguém no ambiente.

Agora o nosso sistema já tem um grau de liberdade, porque mesmo que eu ligue o interruptor ele pode decidir se permite ou não o acendimento da lâmpada, em função da informação ‘presença de alguém no ambiente’.

Muito bem, posso então ligar o interruptor à noite, permitindo ao sistema acender ou apagar a luz conforme haja presença no local e desligá-lo durante o dia.

Mas, se eu quero ligar de noite e desligar de dia, devido à existência ou não de iluminação natural suficiente, por que não introduzir, no lugar do interruptor, um sensor de luz.

Aí eu estarei delegando mais uma tarefa ao sistema, deixando que ele decida se a lâmpada deve ficar acesa ou apagada em função de duas condições, existência de iluminação natural e presença.

Bem, agora que sabemos como programar um robô – sim porque esse sisteminha chinfrin é um robô, simplesinho, mas é – então, já que sabemos as bases da programação, podemos avaliar como deve ter sido programado o ASIMO da HONDA, por exemplo:   New Honda Robot ASIMO

Trata-se de elaborar rotinas similares às que usamos para nossa lâmpada, só que cada vez mais complexas, de forma a atender àquilo que queremos que o nosso robô faça.

Entretanto, por mais complexa que seja a programação que possamos imaginar sempre limitará nosso robô às opções previstas pelo programador.

Se o nosso sisteminha não reagia a comandos de voz, por exemplo – lembram-se: ele só percebia luz e presença – não vai adiantar gritar com ele, da mesma forma que o ASIMO não reage a muitas coisas e nem pode decidir, por exemplo, se algo é feio ou bonito, pois não possui a lógica necessária para isso.


Hoje sabemos que somos filhos e reféns de uma programação, de um código determinado pela sequência genética de nosso DNA, portanto, me parece não haver dúvida sobre isso: estamos limitados a essa programação.
01/11/2013

Viver é paradoxal

A vida é um processo comandado pelo gene egoísta que é, por natureza, selvagem. Tudo que ele quer é garantir a sobrevivência e a expansão da espécie, ainda que à custa do espécime.

O problema é que nós somos os espécimes.

Achamos que, seres conscientes que somos, temos nosso livre arbítrio para decidir viver como quisermos, entretanto não é bem assim, somos reféns do nosso gene. Nossa liberdade vai até os limites do que ele nos permite e esse condicionamento aflora através de nossas ‘qualidades’ e ‘defeitos’[1].

Nossos ideais de igualdade, justiça, paz etc., infelizmente não são naturais, são fruto da nossa necessidade de colocar tudo sob o nosso 'domus'. Tentamos domesticar o bicho para acomodá-lo sob nossas necessidades como indivíduos, não como espécie.

Daí vivermos sempre às voltas com o paradoxal, com situações aparentemente ilógicas ou, pelo menos, difíceis de aceitar.

Tenho um amigo que serve como exemplo desse tipo de comportamento paradoxal.

Nos conhecemos na faculdade, inclusive morou comigo na mesma república e depois de formados foi meu sócio em um pequeno negócio. Apesar de nossa amizade que era e ainda é bem real, eu sempre senti uma grande dificuldade para lidar com ele, principalmente em se tratando de assuntos profissionais.

Era o que se pode chamar de ‘genioso’, por vezes dava vontade de desistir da discussão devido à grande resistência que ele tinha de aceitar argumentos contrários à sua ideia. Por outro lado era ‘genial’, tinha uma inteligência brilhante e uma capacidade de trabalho inacreditável.

Coloquei as palavras “genioso’ e ‘genial’ para destacar que costumamos exprimir esse tipo de caráter através de ideias ligadas ao ‘gene’, inclusive dizemos ‘pessoa de gênio assim, gênio assado.

Nos meus muitos anos de convivência com ele cheguei à conclusão que os dois aspectos, o positivo e o negativo, da personalidade dele, eram duas faces da mesma moeda, anulando uma a outra se anularia ao mesmo tempo.

Existem casos em que isso ocorre: uma pessoa se sente pressionada a coibir certos impulsos e se tornar menos agressiva e acaba por se tornar uma pessoa apática, sem vontade.

Assistindo a série The Borgias pude acompanhar uma interpretação cinematográfica da história do renascimento na Europa.

Nesse período, século XV, existiu um personagem, no caso o papa Alexandre VI (Rodrigo Lanzol Borgia), extremamente contraditório. Por um lado um líder inescrupuloso que fazia tudo pelo poder, por outro o responsável pelas mudanças mais importantes no mundo ocidental, patrocinando o início do renascimento.

O fato é que os gênios são aqueles que sabem sintonizar a sua intuição, conectar-se com ela perfeitamente, e a intuição está em um nível quase diretamente ligado ao ‘bicho’, ao selvagem. Entretanto continuam sendo seres sociais e preservando certas ‘qualidades’ relativas à convivência, à vida cotidiana, daí o comportamento aparentemente ‘esquizofrênico’ das pessoas geniais.

Viver é manter Yin e Yang em equilíbrio instável. É como andar: quase cair e se recuperar sucessivamente.

Nada tem sentido e cada um precisa encontrar um sentido para si! Estabelecer um equilíbrio, ainda que instável, entre a falta de sentido, o ceticismo e a fé, a busca de “um” sentido para nossa vida.

Ceticismo e Fé convivendo, não em harmonia, mas em permanente disputa, confrontação e, principalmente, discussão.


Mais uma vez a questão do global e do local: uma apenas para filosofar, a outra para viver.
                   O frio é elegante, sóbrio, distinto, silencioso, meditativo, sério, nostálgico, solitário...
O calor é... escrachado!!




[1] Vale a pena relembrar que qualidade e defeito, principalmente se referidas ao caráter humano, não são opostos. De fato, o que chamamos ‘defeito’ nada mais é do que um desequilíbrio entre nossas qualidades ou uma ‘qualidade’ exacerbada. Ex.: Egoísmo é excesso de amor próprio; Vaidade é excesso de autoaceitação etc.

Nós somos“NÓS”!

14/12/2013

Eu vejo o universo como uma grande rede, da qual somos os nós, ou seja somos o resultado de nossas relações com os outros e com as demais coisas.
Uma rede é uma trama feita de fios e nós.
Os nós nada mais são que a interação dos fios.
Essa visão de mundo é muito antiga.
Os humanos anatomicamente modernos originaram-se na África há cerca de 200 mil anos, atingindo o comportamento moderno há cerca de 50 mil anos.
A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga no século VI a.C., a existência do Hinduísmo data de 4.000 a 6.000 mil anos a.C., o taoismo tem sua origem entre 2.697 a.C. e 2.597 a.C., portanto estamos falando de 3.000 a 8.000 anos de filosofia e todas as correntes filosóficas ensinam, de alguma forma, o mesmo princípio, a ideia de contínuo, de unidade do cosmo, de ligação entre todas as coisas, matéria, energia. Entretanto não estamos convencidos disso.
Uma vez, discutindo essas questões com o Guilherme, meu parceiro no conto “A Porta” e amigo de algumas décadas, falava desse paradoxo que é estudar, pesquisar, desenvolver novas tecnologias, aparentemente para nada, só para descobrir que a vida simples, como a do índio, é suficiente para ser feliz, fazendo essa loucura chamada “civilização” parecer uma “corrida atrás do rabo”.
Por outro lado, constatamos que esse mesmo índio, apesar de parecer estar num estágio de qualidade de vida e relação com a natureza mais saudável e até mais evoluído que nós, os homens civilizados, é também o mais facilmente corrompível, podendo ser seduzido por espelhinhos (hoje em dia, os espelhinhos das Hilux).
Ouvindo minhas duvidas ele explicou (conforme seu modo ‘espírita’ de ver o mundo):   – Eles (os índios) vivem assim, mas não tem consciência disso. Nós estamos percorrendo um caminho de aprendizado, experimentando e aprendendo, como fazem as crianças, de forma a atingir um modo de vida que, ainda que venha a ser parecido com o dos índios, será muito mais consolidado, porque baseado na consciência desse estado.
Pois não é que no século XX a ciência começou a esbarrar em conceitos já intuídos pelos filósofos há muitos séculos:
Como vejo o mundo                                                                                                    Albert Einstein
A influência de Maxwell sobre a evolução da realidade física
...
Bem depressa, em compensação, tentarão explicar pela teoria do campo os pontos materiais e sua inércia, com o auxílio da teoria de Maxwell, mas esta tentativa fracassará.
Maxwell obteve resultados importantes particulares, por trabalhos que duraram toda a sua vida e nos setores mais importantes da física. Mas, esqueçamo-nos deste balanço, para estudar apenas a modificação de Maxwell, quando chega a conceber a natureza do real físico. Antes dele, eu concebo o real físico — isto é, eu represento para mim os fenômenos da natureza desse modo — como um conjunto de pontos materiais. Quando há mudança, as equações diferenciais parciais descrevem e regulam o movimento. Depois dele, eu concebo o real físico representado por campos contínuos, não explicáveis mecanicamente, mas regulados por equações diferenciais parciais. Esta modificação da concepção do real representa a mais radical e mais frutífera revolução para a física desde Newton.
...
Se você desmanchar uma rede como faz para guardar os nós?
Não dá pra separar, é tudo junto e misturado.
Sem censura nem patrulhamento, lembrando que a perfeição é uma me... ta!
Ninguém é um estúpido perfeito, nem mesmo o que acredita em perfeição,
apesar da perfeição ser uma estupidez!
Nós não existiríamos se Deus não desse uma chance ao erro.
O acaso vai me proteger quando eu andar distraído.

Promessas e realidades

Interessante avaliar nossa atitude ante a percepção do tempo: passado, presente e futuro. Lembrando que estamos falando de ‘percepções’ apenas, não da realidade objetiva.
“A tecnologia seduz pelo que promete!”
A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.
Albert Einstein      
Essa frase reflete um sentimento que todos nós percebemos. Sempre queremos acreditar que ‘aquela tecnologia’ vai melhorar nossa vida (futuro), entretanto ao adquiri-la constatamos que não é bem assim: ela traz novidades sim, mas logo percebemos que nossa percepção da vida não mudou muito.
“O sofrimento aterroriza pelo que promete!” Outra forma de dizer o mesmo.
Se enfrentássemos os sofrimentos apenas pelo que eles causam de dor ou desconforto, com certeza sofreríamos muito menos, mas a angústia de acharmos que aquilo poderá ter consequências graves, seja mais sofrimento, seja como sequelas, é que realmente faz sofrer.
Da mesma forma sempre temos a impressão que antes era tudo melhor, o que de certa forma explica um pouco a frustração com o novo, pois a percepção da realidade é como a percepção da esposa, que vem com todas as mazelas do dia a dia, quando comparada com a percepção da amante, sempre cheirosa e gostosa quando a encontramos.
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém...                                                    mas é você que ama o passado e que não vê...                                                                Belchior
Nem esperar demais, nem se desesperar, eis a saída!
O passado é história,
o futuro é mistério e
hoje é uma dádiva.
Por isso é chamado presente!
Provérbio Chinês
Viver o presente! Simples assim, dando sempre uma chance ao erro. Tem que confiar e usar a coragem para ser livre. A verdadeira liberdade é essa, sem pré-ocupações nem frustrações.

entelékia

                         01/11/2013

LIBERDADE
a trilogia condensada 
  
Compromisso?
O que é isso?
É uma viagem,
    com Coragem,
A bordo da Confiança,
    com Esperança,
Rumo à Competência
   
da Independência!

                         Parceria não autorizada
                Lincoln Harten / Pedro McCarty



COMPROMISSO, QUE É ISSO!?*

COMPROMISSO
É UMA VIAGEM

ONDE:

NAVEGAR É PRECISO
&
VIVER NÃO É PRECISO

E COMO A SABEDORIA
INDICA:

COMANDO,
HÁ QUE SE TER
PARA ISSO...

NESTA HORA:

CORAGEM
NA BAGAGEM
É UMA PEDIDA



VADA BORDO
DA CONFIANÇA
CHEIO DE
ESPERANÇA.

RUMO A
COMPETÊNCIA

NA LIBERDADE
QUE O SONHO
HUMANO
ALIMENTA.

QUE NÃO HÁ
NINGUÉM QUE
EXPLIQUE

E NINGUÉM QUE
NÃO ENTENDA.

*PARCERIA DE GENTE BOA NÃO SE AUTORIZA:

LINCOLN ARTE DAS CANDONGAS
PEDRO MARCART DE OLIVEIRA FERREIRA

FERNANDO GRANDE PESSOA
OU
CAETANO ESSE VELOSO
COSTA CONCÓRDIA
CECÍLIA GRANDE MEIRELLES



enteléquia[1]
e o Sentido da Vida


Tomei conhecimento desse termo através do meu sócio George Barcat, o filósofo, que já usava como ‘marca’ de seu software de gerenciamento e acabou sendo o nome de nossa empresa, embora em versão fantasia:

Aristóteles fala de 'enteléquia' em contraposição à teoria platônica das ideias e defende que todo ente se desenvolve a partir de uma causa final interna a ele e não, como afirmava Platão, por razões ideais externas. Enteléquia seria, portanto, a tensão de ‘algo’ para se realizar segundo leis próprias, passando da potência ao ato.
No princípio era o verbo...
João, I
A mãe de Deus é uma virgem porque representa a portadora da enteléquia da espécie, não apenas a replicadora de um código genético pré-existente, mas a matriz de uma nova espécie, fruto da inseminação de um anjo mensageiro, cuja mensagem é o código genético, a enteléquia, o verbo primordial.

Goethe, o pensador alemão, ensinava que nossa tarefa é aquela que estiver diante de nós a cada momento e a ela devemos dedicar nossos melhores esforços. Uma vez concluída, uma nova tarefa se apresentará e após virá outra e assim por diante. Isso não significa, de forma alguma, sermos levados pelo vento, sem direção, ao contrário, significa que precisamos estar nos preparando permanentemente para perceber o que Deus quer de nós.

Muito bem, mas qual o sentido disso tudo, afinal o que “Deus”, seja lá quem ou o que seja, quer de nós? Temos dificuldade até de aceitar a própria existência de um deus, quanto mais de perceber o sentido da vida. Deus, aquele que emitiu o verbo, o que sonhou a enteléquia de tudo?

Se me perguntarem o que Deus significa eu poderia dizer:

– Você tem tempo...? Parafraseando Cortella, e desfiaria toda aquela história sobre a infinitude do universo ou do multiverso, a grandiosidade e multidimensionalidade do cosmo, os prodígios da natureza e da vida etc. etc. etc.
Ou:    
– É o que tem praquém do além, na terra dadonde vive os môrto! Como diria Bento Carnêro, o vampiro brasileiro.
Ou ainda:     
– Ao infinito e além...!
Buzz Lightyear.
Monty Python fez uma tentativa de esclarecer-nos em “O Sentido da Vida”, com sucesso bem discutível, eu diria, mas o filme é muito bom, eu recomendo.

De qualquer forma, à parte essa discussão teológica, há uma pergunta que não quer calar: Qual é o sentido da vida? Ora bolas!
Bem... EU NÃO SEI! ORA BOLAS!
É uma dessas coisas que são da competência de Deus, não minha!
Mas, vamos voltar ao nosso assunto: O Sentido da Vida!
Mito de SísifoSísifo, rei da Tessália e de Enarete, era o filho de Éolo. Fundador da cidade de Éfira, que mais tarde veio a chamar-se Corinto, e também dos jogos de Ístmia (ou Ístmicos). Sísifo tinha a reputação de ser o mais habilidoso e esperto dos homens e por esta razão dizia-se que era pai de Ulisses. Sísifo despertou a ira de Zeus quando contou ao deus dos rios, Asopo, que Zeus tinha sequestrado a sua filha Egina. Zeus mandou o deus da morte, Tanatos, perseguir Sísifo, mas este conseguiu enganá-lo e prender Tanatos. A prisão de Tanatos impedia que os mortos pudessem alcançar o Reino das Trevas, tendo sido necessário que fosse libertado por Ares. Foi então que Sísifo, não podendo escapar ao seu destino de morte, instruiu a sua mulher a não lhe prestar exéquias fúnebres. Quando chegou ao mundo dos mortos, queixou-se a Hades, soberano do reino das sombras, da negligência da sua mulher e pediu-lhe para voltar ao mundo dos vivos apenas por um curto período, para castigá-la. Hades deu-lhe permissão para regressar, mas quando Sísifo voltou ao mundo dos vivos, não quis mais voltar ao mundo dos mortos. Hermes, o deus mensageiro e condutor das almas para o Além, decidiu então castigá-lo pessoalmente, infligindo-lhe um duro castigo, pior do que a morte. Sísifo foi condenado para todo o sempre a empurrar uma pedra até ao cimo de um monte, caindo a pedra invariavelmente da montanha sempre que o topo era atingido. Este processo seria sempre repetido até à eternidade.
Albert Camus, introduz sua filosofia do absurdo: o do homem fútil em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Será que a realização do absurdo exige o suicídio?                                                                Camus responde: – "Não. Exige revolta".

E agora, ficou claro? ...
É, acho que não estamos chegando a lugar nenhum, mas acredito que existem outras abordagens possíveis.

Vejamos: eu sempre brinco com essa questão dizendo:                                                     – Estou aqui a passeio, não a negócios!

“... todo ente se desenvolve a partir de uma causa final interna a ele... “
É isso, acho que sempre acreditei nisso, mesmo antes de saber.

Acho que, sejamos o que sejamos - essa é uma coisa que nunca conseguiremos explicar - nós, cada um de nós, decidimos estar aqui. Antes mesmo de existir.

Não estou propondo algo como o espiritismo ou outra teoria reencarnatória. Se fosse para adotar uma ideia desse tipo, ficaria com o Taoísmo, que explica as coisas, inclusive nós, como emergentes do nada e retornando para o nada – o Tao.

O que estou dizendo é que a nossa existência se deve a uma decisão, uma decisão que tomamos sabe-se lá em que nível, mas que nós é que tomamos. Essa visão torna as coisas mais plausíveis, pelo menos para mim.

Agora, vejam este vídeo e depois me digam se a vida tem sentido para esse cara.
“... nossa tarefa é aquela que estiver diante de nós naquele momento e a ela devemos dedicar nossos melhores esforços.”
Pois é, talvez isso seja “FÉ”, não sei, só sei que, qualquer que seja a “verdade”, não podemos nos esquecer que o que vemos é uma interpretação dessa “verdade”, já que, se repararmos bem, até a memória não passa de imaginação com álibi.

Alegoria da cavernaImaginemos um muro bem alto separando o mundo externo de uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomarão por louco e inventor de mentiras.Platão não buscava as verdadeiras essências na simples Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível. E o personagem da caverna, que por acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.A partir da leitura do Mito da Caverna, é possível fazer uma reflexão extremamente proveitosa e resgatar valores de extrema importância para a Filosofia. Além disso, ajuda na formulação do senso crítico e é um ótimo exercício de interpretação.
Quanto a mim, posso dizer que sinto ter “decidido” estar aqui, não sei como nem onde, mas sei que foi por querer essa experiência, querer viver e interpretar essa vivência, tanto quanto possível, mas duas coisas estavam presentes: Liberdade e Compromisso, a primeira como o valor mais desejado, porém o segundo como aquilo que não pode ser rompido ainda que a custo da primeira.

Nossa mente vê até certos limites, a partir daí começa o mistério e o mistério só pede SER SAGRADO, o SER que você melhor aceitar, mas que SEJA SAGRADO.

Sagrado é respeitar os outros pelo simples fato de nós sermos o ‘outro’ para eles.

Entender que nossas verdades podem ser absurdas para o outro, como podemos achar absurdas as ideias de alguém.

Perceber que lutar por nossas ideias é apenas isso: lutar e não exterminar o que pensa diferente. Lutar por ideias é convencer, não vencer.

Entretanto lutar pelos nossos direitos pode chegar a extremos de violência como as guerras.

As guerras não são aberrações, são perfeitamente possíveis e até prováveis, afinal todos nós lutamos para tirar do mundo mais do que ele tira de nós, um mundo em que uma população de expoente nove e crescendo exponencialmente, compete por recursos finitos e finando, mas mesmo as guerras devem ser sagradas, devem obedecer a limites que nos mantenham dignos e conservando nosso auto respeito, sob pena de perdermos a coesão como espécie humana.





[1] en='dentro'+telos='finalidade':entelos='finalidade interior'+echein=‘ter’: entelékheia =‘ter finalidade interior’