Não sei, só sei que é assim...
Temos muitas evidências de que o universo do qual fazemos parte é determinístico.
Einstein disse: Deus não joga dados!

Logo foi contestado pelos pais da mecânica quântica, que chegaram à conclusão de que há um indeterminismo intrínseco em nível subatômico.
Será?
Ou será que não temos a capacidade de perceber tudo que está em jogo nesse nível?
O indeterminismo na mecânica quântica nasce da ideia de que, em nível microscópico, certos fenômenos não têm resultados determinados antes da medição. Em vez disso, o comportamento das partículas é descrito por probabilidades, e a própria medição desempenha um papel ativo no resultado.
Assim, o indeterminismo é aceito não porque foi “provado” filosoficamente, mas porque:
- é compatível com todos os experimentos conhecidos,
- não há alternativa mais simples e completa,
- funciona como base operacional da física moderna.
Essa é a história da ciência, afinal já passamos por fases similares em períodos passados, quando, ao não conhecer certas forças ou fenômenos, atribuíamos ao acaso ou a algum agente mítico certos resultados.
Quando digo que não temos capacidade de percepção quero dizer intrinsecamente, ou seja, nossa constituição física e mental não foi projetada para isso.
Deixe-me fazer uma comparação simplória, uma paródia da fábula "O cético e o lúcido": A Curva e o Polígono
Um computador, por mais avançado que seja, não consegue fazer um círculo, tendo que recorrer ao recurso de discretizar o todo, fazendo um polígono.
Vejo nosso processador humano como um computador que tem que dividir a percepção em pequenas arestas assimiláveis para tentar compreender o que se apresenta a ele.
As ciências da probabilidade só existem para cobrir essas lacunas de nossa percepção.
Imagine uma entidade que perceba o entorno em sua totalidade, holisticamente, não tendo que separar elementos de informação para organizá-los em conhecimento e depois, talvez, transformar tudo em sabedoria, dando um salto de percepção similar ao que existe entre nossa percepção do círculo, como algo curvo e a forma como os computadores o veem, como um polígono.
O conhecimento, tal como entendemos, é, na verdade, um processo de simulação, em que criamos teorias para explicar os fenômenos e experiências para testá-las, ou seja, não é uma visão integral da realidade.
Como no mecanismo da visão, em que um pequeno trecho de imagem, a fóvea, permite o desenvolvimento de uma percepção imagética muito mais ampla, o cérebro também processa pequenas partículas de informação para construir suas "verdades" sempre provisórias.
