Não sei, só sei que é assim...

14/03/2026

Temos muitas evidências de que o universo do qual fazemos parte é determinístico.

Einstein disse: Deus não joga dados!

Logo foi contestado pelos pais da mecânica quântica, que chegaram à conclusão de que há um indeterminismo intrínseco em nível subatômico.

Será?

Ou será que não temos a capacidade de perceber tudo que está em jogo nesse nível?

O indeterminismo na mecânica quântica nasce da ideia de que, em nível microscópico, certos fenômenos não têm resultados determinados antes da medição. Em vez disso, o comportamento das partículas é descrito por probabilidades, e a própria medição desempenha um papel ativo no resultado. 

Assim, o indeterminismo é aceito não porque foi “provado” filosoficamente, mas porque:

- é compatível com todos os experimentos conhecidos,  

- não há alternativa mais simples e completa,  

- funciona como base operacional da física moderna.

Essa é a história da ciência, afinal já passamos por fases similares em períodos passados, quando, ao não conhecer certas forças ou fenômenos, atribuíamos ao acaso ou a algum agente mítico certos resultados.

Quando digo que não temos capacidade de percepção quero dizer intrinsecamente, ou seja, nossa constituição física e mental não foi projetada para isso.

Deixe-me fazer uma comparação simplória, uma paródia da fábula "O cético e o lúcido"A Curva e o Polígono

Um computador, por mais avançado que seja, não consegue fazer um círculo, tendo que recorrer ao recurso de discretizar o todo, fazendo um polígono.

Vejo nosso processador humano como um computador que tem que dividir a percepção em pequenas arestas assimiláveis para tentar compreender o que se apresenta a ele.

As ciências da probabilidade só existem para cobrir essas lacunas de nossa percepção.

Imagine uma entidade que perceba o entorno em sua totalidade, holisticamente, não tendo que separar elementos de informação para organizá-los em conhecimento e depois, talvez, transformar tudo em sabedoria, dando um salto de percepção similar ao que existe entre nossa percepção do círculo, como algo curvo e a forma como os computadores o veem, como um polígono.

O conhecimento, tal como entendemos, é, na verdade, um processo de simulação, em que criamos teorias para explicar os fenômenos e experiências para testá-las, ou seja, não é uma visão integral da realidade.

Como no mecanismo da visão, em que um pequeno trecho de imagem, a fóvea, permite o desenvolvimento de uma percepção imagética muito mais ampla, o cérebro também processa pequenas partículas de informação para construir suas "verdades" sempre provisórias.


CURIOSIDADE
Uma vez eu disse que robôs não podem amar. Não sei se isso é verdade, mas, inopinadamente, percebi que se tentarmos repetir continuamente uma ação qualquer, como emitir um som, por exemplo, não somos capazes de fazê-lo com uniformidade absoluta, enquanto um robô, que faria isso com facilidade, por outro lado, teria dificuldades insuperáveis para criar a aleatoriedade da nossa performance!

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