DeMimPro6
Pra Unir... Vale... Vale Tudo! Só não vale inventar fantasias, nem... mentir pra si mesmo! O resto vale!
21/03/2026
Era dezembro de 2020 quando postei "A origem das crianças"(clique no título para abrir).
Naquele ensaio, recorri a uma metáfora para sugerir que nós — e talvez tudo o que existe — surgimos de uma vontade, de uma intenção primordial. Em outras palavras, a famosa frase “no princípio era o Verbo”, do Gênesis, poderia ser entendida como uma estrutura profunda da realidade, não apenas como um enunciado religioso.
Era a parte inicial da postagem Quem "se" acha vive se perdendo!(clique no título para abrir)
No meu último artigo "Não sei, só sei que é assim..."(clique no título para abrir) explorei as limitações do nosso intelecto e flertei com a ideia de um ente que não estivesse sujeito a essas mesmas limitações — uma consciência tão ampla que, para nós, pareceria onisciente.
Muuuuito bem!
Coloco, mais uma vez, essas duas ideias em confronto: uma entidade tão abrangente, tão lúcida, teria liberdade para exercer alguma forma de “vontade”? Onde se encaixa aquilo que convencionamos chamar de livre-arbítrio?
Há, afinal, incompatibilidade entre um universo determinístico e a existência da liberdade?
Se tudo funciona como uma engenhoca mecânica, em que cada ação produz uma reação previsível, onde exatamente se aloja a vontade? Seria o livre-arbítrio apenas uma ilusão sofisticada — e o que chamamos de desejo, decisão ou intenção nada mais do que o resultado inevitável de fenômenos físicos e psíquicos encadeados?
E mais: estaríamos vivendo em uma espécie de simulação, na qual, para um observador privilegiado, tudo seria perfeitamente previsível?
Chego, assim, a um dead end, um impasse filosófico clássico.
Resolvi então perguntar à IA: Como os filósofos, da Antiguidade aos dias atuais, enfrentaram esse problema?
Aqui vai o comentário do Copilot da Microsoft:
Antiguidade: o início da tensãoHeráclito e Parmênides
- Heráclito via o mundo como fluxo, mudança constante, mas regido por um logos — uma razão universal. Há ordem, mas também movimento.
- Parmênides, ao contrário, defendia que tudo é uno, imóvel, necessário. Um determinismo radical.
A tensão entre fluxo e necessidade já estava posta.
Estoicos
- Foram talvez os primeiros deterministas “fortes”.
- Para eles, tudo acontece conforme a razão cósmica (logos).
- Mas, curiosamente, defendiam um tipo de liberdade: a liberdade de assentir ao destino.
Não escolhemos os fatos, mas escolhemos nossa atitude diante deles.
É uma solução elegante, mas que redefine liberdade de um modo bem diferente do senso comum.
Filosofia Medieval: onisciência divina vs. liberdade humana
Aqui o problema explode de vez.
Agostinho
- Deus sabe tudo, inclusive o futuro.
- Mas isso não elimina a liberdade humana, porque Deus “vê” o tempo como um todo, sem determiná-lo coercitivamente.
É uma tentativa de conciliar presciência com liberdade.
Tomás de Aquino
- A vontade humana é livre porque Deus a criou assim.
- A onisciência divina não força as escolhas; apenas conhece o que escolheremos.
É uma distinção sutil entre conhecer e causar.
Modernidade: o determinismo mecânico
Com o avanço da ciência, o problema muda de forma.
Descartes
- Alma e corpo são substâncias distintas.
- A mente tem liberdade; o corpo é mecânico.
Uma solução dualista, mas que hoje soa problemática.
Spinoza
- Determinismo absoluto: tudo é necessário.
- A liberdade é compreender essa necessidade.
É quase uma versão racionalista do estoicismo.
Leibniz
- O universo é pré-estabelecido por Deus.
- Ainda assim, somos livres porque agimos segundo nossa própria natureza.
Um determinismo “harmonizado”.
Século XIX: ciência endurece o determinismo
Laplace
- O famoso “demônio de Laplace”: se uma inteligência soubesse todas as posições e velocidades das partículas, preveria tudo.
- Aqui, o livre-arbítrio parece evaporar.
Schopenhauer
- “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”
- A vontade é determinada por fatores profundos, inconscientes.
Século XX: rachaduras no determinismo
Heisenberg e a mecânica quântica
- A indeterminação entra em cena.
- Mas indeterminação não é liberdade — é apenas aleatoriedade.
Sartre
- Vai na direção oposta: liberdade radical.
- Somos “condenados a ser livres”, mesmo num mundo sem Deus.
Compatibilistas (Hume, Dennett)
- Tentam conciliar determinismo e liberdade.
- A liberdade não é ausência de causas, mas capacidade de agir segundo nossos motivos, desejos e caráter — mesmo que estes tenham causas.
Filosofia da mente contemporânea
Aqui o debate fica mais técnico.
Libertarianismo (não político, filosófico)
- Defende que há eventos mentais não determinados.
- Mas sofre com o problema de explicar como isso não vira mera aleatoriedade.
Fisicalismo estrito
- Tudo é físico, logo determinado.
- O livre-arbítrio é uma ilusão útil.
Teorias emergentistas
- A mente surge de processos físicos, mas tem propriedades próprias.
- A liberdade seria uma propriedade emergente, não redutível ao nível microscópico.
Uma entidade onisciente pode ter vontade?
Essa é uma das questões mais profundas:
- Se é onisciente, já sabe tudo o que fará.
- Se já sabe tudo o que fará, pode fazer diferente?
- Se não pode, tem vontade?
- Se pode, então seu conhecimento não é absoluto.
Filosoficamente, isso é chamado de paradoxo da onisciência reflexiva.
Alguns filósofos resolvem dizendo que:
- A entidade conhece todas as possibilidades, mas não necessariamente qual escolherá.
- Ou que sua vontade é idêntica ao seu conhecimento (como em Spinoza).
- Ou que a entidade está fora do tempo, então “saber” e “querer” não são processos sequenciais.
Conclusão: não há consenso — e talvez isso seja o ponto
O que você chamou de dead end é, na verdade, o coração da filosofia:
- Se o universo é totalmente determinado, onde cabe a liberdade?
- Se há liberdade, como ela se encaixa num cosmos ordenado?
- Se existe uma mente onisciente, como ela pode querer algo novo?
Cada filósofo tentou resolver esse quebra-cabeça com as ferramentas de sua época. Nenhuma resposta encerra o debate — e é justamente isso que mantém o tema vivo.
Einstein disse: ""A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão, embora teimosamente persistente."
Seria o livre-arbítrio também uma ilusão, embora teimosamente persistente?
Minha luta
- Convicção é uma qualidade que nunca deve ser usada convictamente!
- Se hay gobierno soy contra!
Não sei, só sei que é assim...
No dia do π (3,14...), 3/14 na notação inglesa, algo sobre nossas dificuldades com a precisão.
Temos muitas evidências de que o universo do qual fazemos parte é determinístico.
Einstein disse: Deus não joga dados!

Logo foi contestado pelos pais da mecânica quântica, que chegaram à conclusão de que há um indeterminismo intrínseco em nível subatômico.
Será?
Ou será que não temos a capacidade de perceber tudo que está em jogo nesse nível?
O indeterminismo na mecânica quântica nasce da ideia de que, em nível microscópico, certos fenômenos não têm resultados determinados antes da medição. Em vez disso, o comportamento das partículas é descrito por probabilidades, e a própria medição desempenha um papel ativo no resultado.
Assim, o indeterminismo é aceito não porque foi “provado” filosoficamente, mas porque:
- é compatível com todos os experimentos conhecidos,
- não há alternativa mais simples e completa,
- funciona como base operacional da física moderna.
Essa é a história da ciência, afinal já passamos por fases similares em períodos passados, quando, ao não conhecer certas forças ou fenômenos, atribuíamos ao acaso, ou a algum agente mítico, certos resultados.
Quando digo que não temos capacidade de percepção quero dizer intrinsecamente, ou seja, nossa constituição física e mental não foi projetada para isso.
Deixe-me fazer uma comparação simplória, uma paródia da fábula "O cético e o lúcido" (clique sobre o título): A Curva e o Polígono (clique sobre o título)
Um computador, por mais avançado que seja, não consegue fazer um círculo, tendo que recorrer ao recurso de discretizar o todo, fazendo um polígono.
Vejo nosso processador humano como um computador que tem que dividir a percepção em pequenas arestas assimiláveis para tentar compreender o que se apresenta a ele.
As ciências da probabilidade só existem para cobrir essas lacunas de nossa percepção.
Imagine uma entidade que perceba o entorno em sua totalidade, holisticamente, não tendo que separar elementos de informação para organizá-los em conhecimento e depois, talvez, transformar tudo em sabedoria, dando um salto de percepção similar ao que existe entre nossa percepção do círculo, como algo curvo e a forma como os computadores o veem, como um polígono.
O conhecimento, tal como entendemos, é, na verdade, um processo de simulação, em que criamos teorias para explicar os fenômenos e experiências para testá-las, ou seja, não é uma visão integral da realidade.
Como no mecanismo da visão, em que um pequeno trecho de imagem, a fóvea, permite o desenvolvimento de uma percepção imagética muito mais ampla, o cérebro também processa pequenas partículas de informação para construir suas "verdades" sempre provisórias.
C a z u z a r e v i s i t a d o
tópicos para reflexão
17/02/2026
Meus heróis sofreram metamorfose,
Meus inimigos passaram a ser!
Como essa metamorfose acontece?
Criamos regras e, com elas, expectativas. Quando a realidade nos surpreende, é como se nossos heróis se transformassem em inimigos diante dos nossos olhos.
Este país foi formado por imigrantes. Por que, então, alguém seria contra imigrantes hoje?
Onde está o erro?
Durante a formação de uma nação, há uma carência natural de parceiros para construir um ambiente social capaz de sustentar seus indivíduos. Nesse contexto, toda ajuda é bem-vinda, e os imigrantes tornam-se co‑construtores dessa sociedade.
Quando a nação já está formada — e, sobretudo, quando é rica ou mais rica que seus vizinhos — passa a ser cobiçada por pessoas menos favorecidas. A população local tende a ver esses imigrantes carentes como párias tentando se aproveitar das riquezas construídas pelos pioneiros. Digo “carentes” porque imigrantes ricos ou talentosos sempre são bem‑vindos.
Portanto, essa argumentação é falsa. Não há relação entre os pioneiros e os novos imigrantes além, talvez, da nacionalidade. As circunstâncias são completamente distintas.
Leis e justiça nada têm a ver uma com a outra. O que realmente vale são as circunstâncias: interesses, equilíbrio de forças e a ética vigente.
O juiz do Maduro:
- ignorou os métodos usados para capturar o pretenso réu
- aceitou as alegações dos captores para decretar prisão preventiva sem fiança
- marcou nova audiência para dali a três meses
Sob um governo democrata, teria o mesmo comportamento?
Trump faz o que faz porque pode: recebeu o mandato do povo americano.
Isso significa que o voto de um americano equivale a alguns milhões de votos do resto da população do mundo.
Desde o Código de Hamurabi, instituímos sistemas de julgamento e repressão para o que chamamos de crimes e contravenções. No entanto, a justiça raramente se realiza, e a repressão nem sempre é usada como deveria.
Será que o problema não está justamente na solução adotada?
E as poucas décadas em que, eventualmente, uma parte — ínfima que seja — da população se beneficia da paz que esse sistema proporciona?
1. É temporário: dura apenas enquanto certos setores da sociedade não se sentem ameaçados ou frustrados em suas ambições.
2. É localizado: ocorre em regiões onde demanda e consumo se equilibram, mantendo crises sob controle.
3. É artificial: ignora a verdadeira natureza humana ao impor regras que priorizam a harmonia social em detrimento dos anseios individuais.
Sempre achei que uma cidade sem semáforos funcionaria melhor. Será?
Ruim com as instituições democráticas, o sistema legal e os semáforos; pior sem eles?
Por que nosso gentílico é “brasileiro”?
Pela regra comum, deveria ser “brasiliano” ou “brasiliense”. Mas adotou-se o termo que designava a ocupação dos primeiros colonizadores que exploravam o pau‑brasil — os “brasileiros”.
Hoje, prefiro interpretar como “construtores do Brasil”: somos todos trabalhadores de uma obra permanente e inconclusa, um país eternamente “do futuro”.
A beleza da humanidade
Tudo que o ser humano precisa, algum ser humano vai providenciar.
Lindo, não?
As características que diferenciam (ou definem) o homem dito civilizado acabam sendo deletérias. Senão, vejamos:
Na minha opinião, três “qualidades” definem esse ser que emergiu do grupo de Sapiens que assumiu o comando da sociedade humana:
1. Presunção — acreditamos que nossa percepção abrange a totalidade e que nosso entendimento só precisa de tempo para explicá‑la.
2. Arrogância — vemos a realidade como algo à nossa disposição, sujeito às nossas necessidades. A percepção de superioridade, em vez de nos tornar mais responsáveis, nos tornou insensíveis ao que não é humano.
3. Hipocrisia — apesar da incoerência, mascaramos nossas ações transformadoras como “desenvolvimento”. Julgamo‑nos parceiros de Deus (um ente superior criado para nos validar e proteger, portanto para nos servir) na criação. Chegamos a promover ações que chamamos de “auxílio” a outras espécies e biomas, sempre condicionadas ao que consideramos nossas necessidades, sempre crescentes.
Ao fim e ao cabo, Esquizofrenia — patologia surgida com nossa espécie, eventualmente afetando outras apenas indiretamente, pela convivência.
São características nossas a malícia, as segundas intenções, os trocadilhos de duplo sentido, presentes na cultura e no cotidiano.
Faz parte da natureza do homem civilizado sacralizar sua essência e culpar o corpo pelos desejos considerados profanos. Nada mais esquizofrênico.
Paradoxo (sempre presente)
O mais desconcertante é que essa mesma característica permitiu à humanidade avançar tanto em ciência e tecnologia.
Vivenciamos fenômeno semelhante nos relacionamentos: às vezes rejeitamos certos traços de alguém que, no conjunto, admiramos ou amamos. Se pudéssemos “corrigir” esses traços, talvez o resultado fosse decepcionante, pois a psique é complexa e mudanças pontuais alteram o todo.
Da mesma forma, se o homem civilizado não tivesse essa ilusão de sacralidade e importância no universo, talvez fosse mais conformado — e, assim, não explorasse tão profundamente os mistérios que o cercam.
Enfim, mais um mistério para a coleção — já infinita — de mistérios do universo…
ou dos “universos”.















