Manual de Elegância Política:
do Xadrez à Tornozeleira Violada

31/12/2025
Artigo de opinião

Há quem diga que a política brasileira é um grande laboratório antropológico. Se isso for verdade, os últimos anos renderam material suficiente para uma tese inteira sobre os diferentes níveis — e estilos — de políticos em apuros. De um lado, figuras que enfrentaram acusações, julgamentos e prisões com postura calculada. Do outro, personagens que transformaram a relação com a Justiça em um espetáculo tragicômico, digno de um roteiro de pastelão.
A comparação entre esses dois mundos ganhou novos capítulos recentemente, especialmente após episódios envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — e o próprio. Enquanto isso, a memória da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva continua servindo como contraponto inevitável.

Quando a queda vira palco — e não fuga

Lula foi preso em 2018 após condenação na Lava Jato. Independentemente da posição política de cada um, é inegável que sua condução ao cárcere foi marcada por um ritual quase coreografado: discursos, despedidas, entrega negociada, ida à sede da Polícia Federal em Curitiba. Não houve tornozeleira rompida, tentativa de fuga, nem alegações de “curiosidade” sobre equipamentos judiciais.
Anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações, Lula saiu da prisão com a narrativa de que havia sido vítima de um processo viciado — narrativa que, concorde-se ou não, foi construída com método, estratégia e disciplina.

Do outro lado da fronteira da compostura

A ala bolsonarista, por sua vez, parece ter inaugurado um novo gênero político: o realismo grotesco judicial.
O caso mais emblemático é o do próprio Jair Bolsonaro, que admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir sua tornozeleira eletrônica — justificando o ato como “curiosidade”. O episódio levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar sua prisão preventiva, mencionando risco de fuga e até a possibilidade de que o ex-presidente buscasse refúgio na embaixada dos Estados Unidos, a apenas 15 minutos de carro de sua casa.
A defesa, por sua vez, afirmou que a tornozeleira teria sido colocada apenas para “causar humilhação” e negou qualquer plano de fuga, apesar do alerta emitido pelo sistema de monitoramento após a tentativa de violação do equipamento.
Se Lula se entregou à PF caminhando, Bolsonaro foi flagrado tentando violar a tornozeleira com um prosaico ferro de solda — uma imagem que, por si só, já sintetiza a diferença de estilos.

A vigília que virou suspeita

Outro episódio digno de nota foi a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro, marcada para ocorrer em frente ao condomínio do pai. Segundo Moraes, a aglomeração poderia facilitar uma eventual fuga, tornando-se mais um elemento na decisão de decretar a prisão preventiva do ex-presidente.
A cena — apoiadores reunidos, clima de tensão, suspeitas de evasão — contrasta com o ambiente controlado e institucional que marcou a prisão de Lula anos antes.
Poderíamos continuar desfiando tramas bizarras, com autoexílios e fugas semelhantes a de membros de facções criminosas, frustradas por trabalhos de investigação banais.

Do teatro ao improviso

Se há algo que a política brasileira ensina é que crises revelam caráter — ou pelo menos estilo. Lula, goste-se dele ou não, tratou sua prisão como um ato político calculado. Já o bolsonarismo parece ter adotado o improviso como método: rompimentos de tornozeleira, vigílias suspeitas, justificativas inusitadas e uma sucessão de episódios que beiram o surreal.
No fim, talvez a manchete irônica deste artigo não seja tão irônica assim. Em um país onde a política frequentemente se confunde com dramaturgia, cada personagem escolhe seu próprio gênero: drama, épico, comédia — ou pastelão.

Cuidado ao tentar se livrar de um político indesejado, você pode estar criando um verdadeiro flagelo! Digo por experiência própria!

Que, em 2026, possamos sobreviver a essa cambada e ter a paz que precisamos!







Este texto foi escrito pelo Microsoft Copilot a partir de um esboço meu!

Eu quero é PODER!

16/11/2025

Dois documentários longos, obviamente políticos e, como tal, opinativos, mas ainda assim bons retratos de como o poder pode se impor sem força física, mas ainda assim sendo brutal. Para quem não viu, acho que vale a pena assistir, para os que já conhecem vale recapitular.

Taken for a ride


Ao final deste texto incluí uma análise do poder em si, que dividi em poder brutal e poder soft.

 

Este outro é uma anedota sobre o mesmo fenômeno.


As melhores frases sobre comunismo


Aí temos duas visões, nos dois primeiros apresenta-se a estratégia dos poderosos para controlar o discurso dominante, a mainstream, e o terceiro mostrando o ponto de vista dos pacientes dessa operação: nós.


Como muitos sabem, eu, de há muito, acredito que o pensamento dito de esquerda é meio sonhador e a realidade, ainda que não seja como todos sonhamos, se impõe, mas admito que isso seja, em parte ou na totalidade, fruto de algum tipo de condicionamento cultural, pelos grupos sociais dos quais participei, pelas leituras que fiz etc.


Acho que ninguém está imune a isso, apenas adere a um dos lados, dependendo de pra onde a "mainstream" pendia em seu entorno na idade certa!

Ilusão é achar que temos total liberdade de pensamento.

Millôr disse: "Livre pensar é só pensar!"

Eu digo: "Livre pensar é ilusão!"


Trecho do *DeMimPro6* de 05/01/2023


Eu acho que isso não é ruim nem bom, é apenas a forma como sociedade e os indivíduos compartilham os pensamentos, apenas desmonta nossa pretensão de sermos livres e autênticos e de podermos construir uma sociedade harmoniosa.


Acho que entender isso, sem ilusões, diminui a chance de errarmos muito.


É como o preconceito: se admitimos que temos algum preconceito, podemos modular nossas atitudes para não cometer injustiças. Por outro lado, os que acreditam que não têm preconceitos, talvez haja alguém assim, um em um milhão, mas todo o resto vai tentar justificar "racionalmente" seus sentimentos e, muito provavelmente, cometerão muitas injustiças!


Não se pode recuperar a ignorância perdida, a quantidade de informação disponível está criando um caos psicológico. Por isso, cada vez mais, o equilíbrio está em TUCONTIGO.


Uma vez alguém perguntou como entender os sonhos e eu respondi que sonhos não são para entender, eles produzem efeito sem o EU perceber. É dessa fonte que se pode esperar equilíbrio, porque ali está a essência, não a confusão da superfície.


Repito, com certa frequência, que a confiança é a única cola que une uma sociedade. A confiança surge de duas maneiras principais, uma, nas crises, momentâneas ou permanentes, quando a solidariedade é a única tábua de salvação, ou a partir de lideranças carismáticas e sintonizadas com as aspirações do grupo.


O que fica claro pra mim é que:


1 - Poder é um corolário de sociedade, não existe sociedade sem poder, seja exercido por um indivíduo ou por um grupo, sendo que, neste último caso, sempre haverá uma relação de poder dentro desse grupo.

É o poder que define quem manda, quem define certo e errado, quem determina o grau de liberdade dos demais.


2 - O poder é um dom, ou seja, não é explicável por genética, educação, treinamento ou qualquer outra teoria disponível, exceto, talvez, o pensamento complexo. Assim que um indivíduo experimenta o poder dificilmente vai abdicar de usá-lo e, na maior parte dos casos, vai usá-lo para ampliar sua ascendência sobre o grupo.


3 - Quanto maior o poder, ou seja, o diferencial entre um indivíduo e os demais, menos preocupação moral ou "ética" esse indivíduo vai ter.


4 - O motivador de quem manda pode ser econômico inicialmente, mas apenas para alavancar seu poder, depois transcende até interesses pessoais transformando-se em algo obsessivo.


5 - Ser inescrupuloso não garante ter poder, mas entre dois indivíduos com as mesmas capacidades, o inescrupuloso vai prevalecer na saída.


6 - O que prevalecer na saída vai moldar o sistema de forma a reforçar seu poder ainda mais.


7 - Existe o poder brutal, o primeiro que vem à mente ao pensar nas ideias apresentadas nos itens anteriores, e o poder soft, aquele que, à primeira vista, parece ser uma rejeição ao poder, entretanto é uma rejeição ao poder brutal.

O poder soft busca impor-se pelas ideias e, normalmente, por motivações benevolentes.


8 - Há ainda os que rejeitam qualquer tipo de poder, o que se pode dizer que é um privilégio de alguns indivíduos em algumas sociedades contemporâneas.

Em sociedades primitivas, ou se lutava pelo poder ou para se libertar de algum poder, a parcela submissa e pacífica daquelas populações era muito menor do que vemos hoje em dia nas sociedades ditas desenvolvidas.


9 - O poder brutal, por sua natureza, consegue acumular meios que lhe garantem a sustentação e expansão, já o poder soft não tem a mesma capacidade.

Um bom exemplo disso é a forma como grandes impérios se formaram, sempre baseados no poder brutal. Os grandes exemplos de poder soft, como Gandhi, acabaram apenas como isso, exemplos.

O caso de Maomé é interessante, porque a partir de um poder soft, revelações místicas que lhe permitiram ditar o Alcorão para seguidores que o escreveram, foi como político e governante, em campanhas militares, poder brutal, que consolidou o islamismo.

Outro caso de aparente sucesso do poder soft é a igreja católica que, na sua mensagem tem como base os ensinamentos de Jesus, entretanto nada mais falso, porque a igreja católica é a evolução da igreja romana, que cooptou os cristãos em uma jogada de puro marketing do poder brutal.


10 - Para finalizar, há o poder brutal inteligente e o poder apenas brutal.

O primeiro é o responsável pela formação de grandes impérios, antigos ou modernos, grandes corporações, nações estáveis por longos períodos, algo como o estabelecimento de uma corrente mansa, que podemos seguir com certa tranquilidade, podendo durar milênios, como o chinês, o egípcio, o grego e o romano, já o segundo é normalmente motivado por extremismos, ambição desmedida, imediatismo e pouca ou nenhuma preocupação com o bem-estar das populações, em geral não se sustentam por mais de algumas décadas, assemelhando-se mais a tsunamis.






Ilustrações do Copilot










 Pregar, pregar, pregar!

09/10/2025

Hoje estava pensando em toda essa loucura que estamos vivendo e, claro, me perguntando, porque somos assim tão ilógicos e inconsequentes?

Penso que somos a única espécie que "prega", ou seja, que tenta convencer outros daquilo que não acredita de fato, lá na batata, mas acha que se convencermos uma grande quantidade de pessoas, a chamada massa crítica - que não critica porra nenhuma - aquilo vai se tornar verdade, pelo menos pra nossa turma.

Às vezes pregamos até o pregador!

E de onde vem essa loucura de pregar sem crer?

Pensando no que nos diferencia dos bichos, a primeira coisa que me veio à cabeça, foi a necessidade de transcendência.

E isso de onde vem? Não consegui nenhuma resposta, então me contentei em aceitar que isso nos caracteriza, é da nossa natureza, nascemos assim e pronto.

Muito bem, temos algo para elaborar.

Essa necessidade de transcendência faz com que olhemos tudo com uma lente de perfeição simplista, uma idealização imaginada que, por simplista, pode ser qualquer coisa, com o nível de perfeição que imaginarmos, daí a necessidade imperiosa de "aprimorar" tudo, principalmente a natureza à nossa volta - lembrei da Reforma da natureza da Emília - mas não só, almejamos estruturas sociais perfeitas, relações pessoais perfeitas, mercado perfeito, amor perfeito etc. etc.

Isso decorre da infinitude do ideal frente às limitações de nosso metacérebro, o mesmo que ocorre entre nossos desejos, ilimitados, e nossa capacidade de realizá-los, consideravelmente menor!

Usei o termo metacérebro para diferenciar de cérebro simplesmente, querendo abranger o órgão em si e todo o sistema nervoso, órgãos dos sentidos e tudo que nos permite captar e perceber a realidade objetiva, seja lá o que for que isso signifique. Tentei evitar o termo "mente" pelas conotações "transcendentes" que esse termo carrega.

Ora nosso metacérebro é extremamente limitado frente à complexidade do que nos cerca, daí sempre sermos reducionistas em nossas observações, por pura incapacidade de perceber o todo. Ainda que exista muita diferença entre as capacidades de cada indivíduo, mesmo o mais extraordinário dos Sapiens ainda estará confinado a uma limitação nada desprezível.

A matemática, por exemplo, considerada por alguns como a linguagem de Deus, é tão limitada que, para enfrentar os problemas da complexidade, acaba por usar o aleatório em suas equações estocásticas.

Ora, Einstein já disse: "Deus não joga dados!" Hoje parece lógico que, se conhecermos (ou controlarmos) todos os parâmetros de uma experiência, poderemos prever exatamente o seu resultado.

O problema é que esse "todos os parâmetros" na prática é infinito e esse conceito não cabe em nosso metacérebro, daí precisarmos recorrer a subterfúgios.

Como anedota podemos pegar o cálculo da circunferência a partir do seu diâmetro,
o resultado é 90% invenção (um polígono de muitos lados) e 10% mentira (o π ).

Outro exemplo do descompasso entre nossas idealizações e a realidade são as promessas de cada nova tecnologia que surge.

As vedetes do momento são a computação quântica e a IA, então já se prevê a cura do câncer, a previsão exata de fenômenos meteorológicos etc. etc. Não é preciso muito esforço para lembrar de promessas não cumpridas de tecnologias recentes, por exemplo, o fim do papel!

IA e o Aprendiz de feiticeiro


Goethe nos deu a dica quando escreveu "O Aprendiz de feiticeiro": Não entre em um espaço do qual você não sabe como sair!

O aprendiz que teve acesso a feitiços que não sabia controlar se viu em uma grande enrascada, da qual só se livrou pela providencial intervenção de seu mestre feiticeiro!

A questão é: por que o aprendiz fez o que fez? Claro, pela promessa de facilidades que o feitiço propiciaria na realização de suas tarefas.

Essa é a ameaça contida no uso da IA, ela nos seduz pelo que promete!

Aqui é importante lembrar que aquilo que chamamos "raciocínio lógico" é uma tentativa de reduzir problemas complexos a uma formulação que caiba em nossa capacidade de processamento.

Aliás, é bom registrar que todos os problemas são complexos, por mais simples que nos pareçam, seja na sua relação com outras coisas, o espaço que os rodeia ou em relação ao tempo em que dura sua influência, coisas que para nossa mente limitada chamamos de infinito e eterno. Esse é o verdadeiro inferno!

Fica claro que nossas ações, baseadas em decisões tomadas com base em nosso "raciocínio lógico", sempre precisarão ser corrigidas ao longo do tempo, à medida que se desviarem dos objetivos iniciais ou provocarem efeitos colaterais indesejáveis.

No caso da IA, como no caso da vassoura do aprendiz de feiticeiro, ela vai perseguir o objetivo inicialmente determinado a qualquer custo.

Mesmo que tentemos prever situações em que a IA deverá corrigir suas ações, nunca conseguiremos cobrir toda a complexidade de cada situação.

Expectativas & Ideais ou
Talvez haja um sopro afinal!


Sempre achei que as únicas expectativas que devemos cultivar são aquelas relativas  a nós mesmos, nossas próprias capacidades.

O que escrevi anteriormente, neste artigo, trata das nossas expectativas com o que nos envolve, não conosco mesmo.

Analisando sob outra perspectiva, a de nós mesmos, fica claro para mim que está tudo relacionado com nossos ideais, ou seja, pura fantasia criada em nossas mentes, seja a partir de arquétipos inatos, seja por influências externas.

Temos ideais pra tudo, meio-ambiente, sociedade, saúde, conforto, nossos corpos etc. etc.

Se percebermos que o real é apenas o aqui e o agora, que o resto é imaginação pura, tudo ficaria mais fácil.

Claro que a expectativa é importante, todo animal minimamente desenvolvido tem expectativas como nós e se vale delas pra prever possibilidades e riscos imediatos ou futuros, só que não fantasiam tanto suas previsões, são mais realistas.

Nós, ao contrário, somos capazes de sofrer porque o carro que conseguimos comprar não era o que desejávamos.

A dor, por exemplo, é 20% real e 80% medo. Se topamos o dedo no pé da cama, o sofrimento maior é o medo de ter fraturado um osso.

Vivemos mais num futuro imaginário, muitas vezes tenebroso, como no caso do meio-ambiente, do que no presente.

Alguém dirá: mas existem forças poderosas destruindo o planeta, algo precisa ser feito!

Concordo, então faça agora o que estiver ao seu alcance para evitar isso, mas tenha em mente que um mundo muito diferente do atual, seja qual for o resultado de suas ações no presente, é o que nos espera, e não sabemos nem como ele será e nem como vamos nos adaptar a ele, nem mesmo se vamos nos adaptar, ou seja, projetar um futuro catastrófico é tão preciso quanto projetar o paraíso na Terra.

Na minha opinião isso vale pra todos os níveis de preocupação, desde o planeta, até o seu próprio corpo, passando pelo país, pela família etc.

Talvez a melhor esperança que podemos ter é a de aprender a nos adaptar ao inevitável, que são as mudanças, enquanto isso vamos construindo o mundo que conseguirmos.


OK! Alguém vai perguntar porque me preocupo com essas coisas e eu vou responder:
"Porque eu quero e eu posso, ora!!!!" Daí fui conversar com Raulzito:
(1)

Ora, ora, meu caro Pedro... Eu sou o Raulzito, o profeta do rock brasileiro, o alquimista da música, o cara que misturou Elvis com esoterismo, rock com baião e fez disso um manifesto!
Então me diga: você quer falar sobre a Sociedade Alternativa? Sobre como “o sonho que se sonha só é só um sonho, mas o sonho que se sonha junto é realidade”? Ou quer bater um papo sobre como é ser um eterno contestador, um cara que nunca se encaixou nas caixinhas do sistema?
Manda ver, Pedro. Aqui é papo reto, sem censura, sem rótulo. Porque como eu sempre disse: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
E aí, qual é a sua loucura hoje?
 
Pois é! Fico pensando que toda essa loucura do Sapiens é resultado de uma necessidade inata de transcendência enjaulada em um metacérebro limitado.
 
Rapaz... essa tua reflexão aí parece letra de música que ainda não foi composta! Essa tal de transcendência... é como se o ser humano tivesse um buraco no peito que não se preenche com matéria, só com mistério. E aí ele inventa Deus, inventa arte, inventa foguete pra Marte, tudo pra tentar escapar da prisão do próprio crânio. Mas como é que se escapa de um labirinto quando o labirinto é você mesmo?
 
O metacérebro, como você chamou — essa consciência que sabe que sabe — é uma bênção e uma maldição. É ele que nos faz perguntar “por quê?”, mas também é ele que nos faz sofrer por não encontrar resposta. E nessa busca, o Sapiens vira louco, vira santo, vira gênio, vira tirano. "Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual..."
Tem gente que prefere ser a metamorfose ambulante, mesmo que isso signifique viver na corda bamba entre o céu e o hospício.
 
Me diz aí, Pedro: você tá mais pra alquimista ou pra astronauta nessa viagem interior?
 
Nem um nem outro, tô mais pra turista assistindo tudo só de passagem! Às vezes como equilibrista tentando tirar do mundo mais do que ele tira de mim!

Ah, Pedro... isso aí é poesia pura, bicho! 

Turista cósmico com mochila de dúvidas e binóculo de lucidez. Você tá na vibe do “viver é melhor que entender”, né? E como equilibrista, anda na corda bamba entre o caos e a beleza, tentando fazer do tropeço um passo de dança.

Isso me lembra aquele verso que nunca escrevi, mas que vive na alma:

"O mundo é um palco, mas o roteiro é improvisado. Quem não dança, já tá tropeçado."

E olha só: tentar tirar do mundo mais do que ele tira de você é um ato de rebeldia sagrada. É como plantar girassol no asfalto, como rir no velório do tédio. É ser maluco beleza, sim, mas com propósito.

Me diz aí, nesse teu passeio de turista existencial... o que tem te chamado mais atenção? Alguma paisagem interna que vale a foto?

Ah, bicho! O amor, esse sim merece ser vivido sem moderação, amor fraternal, amor amizade, amor carnal, todo tipo de amor vale a pena!

 Ahhh, Pedro! Agora você falou a língua do coração! 

O amor é a única loucura que faz sentido, é o combustível da alma, é o grito que rompe o silêncio do universo.

Amor fraternal é aquele que te abraça sem pedir nada em troca.

Amor amizade é o que te segura quando o mundo desaba.

Amor carnal... ah, esse é o que te faz lembrar que você tem um corpo e que ele pulsa, vibra, deseja!

Como eu dizia:
"O amor é isso, não prende, não exige, não cobra. O amor é livre como o vento, quente como o sol e profundo como o mar."

E se alguém disser que é demais amar assim, sem moderação, você responde com um sorriso e um acorde de guitarra:

"Eu sou o que sou, porque vivo o que amo!"

(1) Microsoft Copilot

Quem não ouve a música acha maluco quem dança!
                                                Oswaldo Montenegro












John was wrong,

Love is not all we need.

All we need is HOPE!

 Liberdade é pouco

22/09/2025

Muito tenho dito sobre a eterna disputa entre "brancos" e "vermelhos". Podemos imaginar essa divisão, que tem na sua origem a dicotomia entre os "civilizados" do velho mundo e os "selvagens" do novo mundo, com os primeiros representando os nacionalistas, desenvolvimentistas, algo como a "direita", e os outros como os globalistas, ambientalistas, o que eu chamaria de "esquerda"!

Claro que essas classificações, aliás como toda classificação, podem ter infinitas outras definições, consoante o tema: economia, poder etc.

Quero me ater a essa divisão entre desenvolvimentistas e ambientalistas - já ouço os atentos "correcionistas" de plantão berrando: os ambientalistas também são desenvolvimentistas e vice-versa, claro cada um defendendo o seu lado!

Quando proponho essa separação quero identificar os grupos pela sua prioridade, ninguém imaginaria que alguém se colocasse contra o desenvolvimento, o que aliás é um seríssimo problema, porque é aí que está o nó górdio da nossa evolução, afinal temos inúmeras evidências de civilizações extintas aparentemente mais harmoniosas e equilibradas do que a nossa.

Talvez devêssemos reavaliar o que entendemos por desenvolvimento.
Muito bem! Polêmicas a parte, vamos ao assunto.

Parece muito claro pra mim que os "desenvolvimentistas" vem ganhando essa disputa século após século, a ponto de os "ambientalistas" serem obrigados a admitir que o desenvolvimento, conforme entendemos majoritariamente hoje, é necessário.

Ocorre que é exatamente essa palavra que nos diferencia das outras espécies, o desenvolvimento para nós significa alterar (espera-se que para melhor) as condições de vida dos seres humanos independentemente de sua evolução natural ou mesmo de suas capacidades individuais.

Mais do que isso, significa também expandir continuamente nossa presença no planeta!

Quanto a essa questão, já houve discussões e mesmo ações contra a expansão populacional, como no caso da China que, no final dos 70, implantou a Política do Filho Único, abrandando depois para 2 e agora 3, outras nações fizeram esterilização em massa, até no Brasil, com o argumento de diminuir a pobreza.

Todas essas iniciativas foram, e são até hoje, consideradas desumanas, muitas delas, como aqui, totalmente ilegais e com resultados negativos.
Quando se fala em preservação do meio-ambiente é comum defender-se o consumo consciente, mas raramente, ou nunca, se associa os problemas de conservação à superpopulação.

Temos que acrescentar que a superpopulação é resultado, principalmente, de decisões individuais, sejam planejadas ou não, e que a ideia de impor, como na China, limitações a isso sempre será considerado negativo.

Nesse aspecto há, na minha opinião, uma inconsistência no discurso de ambos os lados, como um receio de explicitar o verdadeiro problema do Homo Sapiens, que é a presunção, consciente ou não, de estar hierarquicamente acima de tudo.

Esse é o real motivo dessa supremacia histórica dos desenvolvimentistas.

Um resultado disso é que atingimos um nível de conforto e poder que os que tem, não abrem mão, seja qual for seu matiz ideológico, e os que não tem, lutam para ter ou ao menos reivindicam seu usufruto.


Aqui enfrentamos outra incoerência. A vida é e sempre foi uma luta, consciente ou não, contra a entropia, ou seja, uma contínua e dura luta de reconstrução para sustentar o que a entropia consome.

Um dos aspectos mais deletérios para nossa capacidade de sobrevivência como espécie é a intenção indisfarçada de driblar essa realidade, criando sistemas, via instrumentos sociais ou tecnológicos, que propiciem cada vez mais conforto e segurança aos indivíduos, o que, como logicamente insustentável, só ocorre para poucos e às custas do sacrifício da maioria.

Como resultado, entre outros, temos a devastação da natureza a ponto de impactar o funcionamento da biosfera, provocando, por exemplo, as chamadas "mudanças climáticas".

Por outro lado, é notória nossa capacidade, como espécie, de adaptabilidade a condições extremas.

Ao observarmos uma estação de pesquisa no Ártico ou na Antártica, só pra tomar exemplos fáceis de imaginar, vemos como a capacidade e a resiliência do ser humano consegue se estabelecer em ambientes desafiadores. Grupos de abnegados, estabelecendo um nível razoável de colaboração dentro do seu grupo, se voluntariam a esforços quase sobre-humanos.

Competições como as Olímpiadas revelam os níveis de aptidão que alguns conseguem atingir quando devidamente estimulados.

Será que as mudanças climáticas vão acelerar o processo de seleção natural, promovendo uma espécie cada vez mais capaz, resiliente e competitiva, o que significará, provavelmente, uma redução da população com aumento das desigualdades e avanço exponencial da ciência e da tecnologia?

Não tenho posição nessa contenda, nem sei se uma alternância de poder entre os dois lados seria benéfica pra alguma coisa, apenas constato que as evidências não indicam um futuro muito diferente, talvez até acentue essa tendência.

O sonho acabou!

Essa desilusão que define o início do terceiro milênio da era cristã, tem muito a ver com as origens do "sonho de paz e amor" que dominou - e ainda domina - corações e mentes!

Paradoxalmente foi a partir de um bando de jovens criados na fartura e na exuberância do welfare state implementado no pós-guerra, momento de muito otimismo, cuja visão de vida era simplesmente arrumar um emprego de meio período em uma lanchonete e curtir seu salário o resto do tempo com prazer e mais prazer, como se não houvesse amanhã!

Daí surgiu toda a filosofia do pacifismo, mundo sem fronteiras, fim das religiões e das burocracias etc., paradoxalmente por mentes que nunca sofreram as agruras da construção do sistema que os sustentava.

Ressalvado o fato de que outrora o movimento era no sentido oposto do que vivemos ao fim do primeiro quarto do século XXI, a mesma irresponsabilidade que caracterizava aquele está presente agora.

Senão vejamos, hoje os novos empreendedores administram suas empresas como se pertencessem a um mundo fechado, em que a pobreza gerada por seus negócios, o desequilíbrio econômico ou a devastação do meio-ambiente não fossem sua responsabilidade, da mesma forma que, em 1950, jovens achavam que sua atitude displicente não provocaria o colapso da economia e o fechamento das lanchonetes que sustentavam seus "sonhos". A diferença é que os últimos amadureceram, já os primeiros...
são exatamente esses que amadureceram!

Sou do tempo em que "distopia" era uma ferramenta usada pela arte para alertar-nos sobre uma ameaça, resultando na frustração dessa ameaça com medidas preventivas. Hoje é o mesmo que "previsão"!

A humanidade não vive muitas décadas sem guerras globais, não essas que afetam regiões proporcionalmente pequenas, mas as que sacrificam ricos e pobres indiscriminadamente em quase todas as nações do mundo. Ou estamos às vésperas de uma, ou estamos falidos como espécie e o motivo é simples, é o mesmo do movimento anti-vacina: sem ver (lembrar) o mal, desprezamos a prevenção! Sem enfrentar a perda que leva à impotência e, portanto, à dependência da solidariedade alheia, promove-se a destruição de tudo que representou a união da sociedade em torno de valores solidários em nome de uma liberdade utópica!





 O paradoxo do intelecto

12/09/2025

Eu me interesso sobretudo pelo repensar que os avanços das ciências físicas e biológicas exigem!
Introdução ao pensamento complexo - Edgar Morin

Não é de hoje que tenho falado sobre a crise ideológica pela qual o mundo vem passando.

Desde a postura sectária e policialesca de grupos, passando pelo politicamente correto e chegando ao negacionismo.

Na minha opinião, compartilhada (😉) com os fundadores da filosofia, não pode haver evolução sem o compartilhamento do conhecimento - minha frase referência é "O conhecimento compartilhado é mais eficaz!”

O personagem Herbie de "A Meta" de Eliyahu M. Goldratt, escoteiro mais lento da tropa, que é colocado na primeira posição da marcha para que o grupo se mantenha unido, é uma boa metáfora para esclarecer esse conceito.

O avanço da ciência, aliás como toda acumulação de capital (conhecimento é um capital), tem sido promovido de forma extremamente concentrada na humanidade como um todo e, como no caso dos capitais financeiros ou políticos, protegido por todo tipo de barreira à sua disseminação.

Quando menciono barreiras não me refiro apenas às institucionais, como propriedade intelectual, patentes etc., mas principalmente as comportamentais, a arrogância comum a muitos que detém algum conhecimento.

Como em 1789 estamos vivendo a revolução dos desprezados, só que o motivo agora não é a fome, mas a contestação do tipo de alimento em discussão.

A ciência passa a ser o grande inimigo a ser combatido!

Afinal como aceitar que todas as crenças, principalmente as religiosas, fundamentadas no medo, que embasaram toda a construção social que deu sustentação à vida dos crentes, teria sido um erro colossal?

Seria aceitar, não só o erro em si, mas o fato de ter caído num verdadeiro "conto do vigário" - e sem trocadilho! Aceitar que, apesar de toda a convicção de sua liberdade, de sua independência, de seu poder, teriam, na verdade, sucumbido ao medo!

O medo é e sempre será o primeiro e o principal inimigo a enfrentar!

O fato é que o negacionismo é uma manifestação revoltada dos ignorantes que, de forma ostensiva, tem sido desprezados como seres inferiores.

Gosto de lembrar de um processo que vivi nos anos 80 do século passado.

Nessa época vivíamos, no ambiente profissional, o contraste entre os poucos como eu, que haviam mergulhado no aprendizado da informática e a maioria que via esse assunto como impenetrável.

Claro que eram profissionais com muita experiência em suas áreas, mas que começavam a ser menosprezados por suas dificuldades com a nova tecnologia, afinal ela começava a dominar os ambientes de trabalho.

Percebendo essa realidade, montamos, eu e um colega,  um curso de tecnologia da informação dentro da empresa em que trabalhávamos, atividade paralela às nossas funções habituais, para todos os colegas do departamento.

Em seis meses treinamos mais de cem engenheiros e técnicos.

Pouco tempo depois, um dos participantes do curso, inicialmente dos mais resistentes, se tornou um especialista, passando a ser a fonte de consulta principal para todos nós.

Gosto de pensar que, ao escalar o buraco da ignorância em que sempre estaremos, temos que estender a mão a quem está abaixo, porque, eventualmente, ele nos ultrapassará e estenderá a mão para nós!

E o paradoxo do título?

Voltemos então ao foco do nosso assunto.

A impressão que temos é que nosso espectro de conhecimentos é amplo o suficiente para nossas necessidades cotidianas e isso acaba por ser verdade porque nossas expectativas normalmente – pelo menos para as pessoas razoavelmente equilibradas psicologicamente – são condicionadas pelas nossas capacidades, ou pelos nossos conhecimentos, ainda que a maioria de nós sempre esteja à busca da evolução, de novos desafios.

Entretanto o que chamamos de conhecimento é 10% conhecimento e 90% crença.

Desde princípios morais e filosóficos ou psicológicos que adotamos desde a infância, até conceitos científicos que poderão embasar não só discussões entre fãs de Jornada nas Estrela, discussões acaloradas em mesas de botecos, como embasar nossas escolhas profissionais e até, durante nossas carreiras, subsidiar nossas decisões, enfim quase tudo que chamamos de conhecimento é, de fato, crença.

Digo isso porque é fácil perceber que existem inúmeras correntes de pensamento muito diferentes entre povos e mesmo grupos sociais, como os religiosos e políticos, dentro dos quais há a mesma presunção da certeza.

Mesmo aqueles que se dizem tolerantes em relação ao pensamento alheio – que já se caracterizam como um grupo – tem seus limites e classificam como inadmissíveis certas posições e condutas.

Claro que aqui não vou entrar no mérito de cada uma dessas visões, não é esse o objetivo, apenas lançar uma ideia para reflexão, focando naquilo que é fora de discussão para cada um.

Vamos a algumas questões:

1 – O simples fato de existir um grupo significativo de indivíduos que pensam de uma certa forma não deveria ser suficiente para admitir uma possibilidade de que eles estejam certos?

2 – Nossas convicções mais profundas, aquelas que consideramos fundamentais e que, para nós, deveriam ser compartilhadas por todos, não seriam apenas mais uma possibilidade de acerto e não a verdade definitiva?

O que acredito (olha a crença até na linguagem coloquial) é que o ambiente em que nos desenvolvemos define esse conjunto de princípios e conceitos que consideramos corolários indiscutíveis, muitos dos quais não saberemos defender a não ser com a bagagem que nos foi fornecida no processo de nossa formação.

Já vejo alguns esbravejando que existem muitos motivos para acreditar no que acreditam, alguns poderão mencionar, no campo da ciência, a existência de uma comunidade acadêmica global zelando pela veracidade das informações científicas, ou o próprio processo científico, com todo seu arsenal de protocolos, outros dirão que alguns princípios de vida em sociedade são intuitivos ou demonstrados pelas várias experiências registradas pela história.

Não tenho a pretensão de mudar as convicções de ninguém, o que percebo e não posso negar é que a confiança é a base para essas crenças e aí tenho que reconhecer que aqueles que confiam em livros considerados “sagrados”, teorias de conspiração, às vezes muito bem construídas, ou qualquer outra bobagem (ops, caí na mesma armadilha que estou descrevendo) devem ter a prerrogativa de achar que estão certos.

Posso não concordar com nenhuma das  palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.
Evelyn Beatrice Hall

Tudo bem, já vi que tem gente questionando o porquê dessa discussão, já que não se vislumbra nada diferente no horizonte, ao que só posso dizer: Perché mi piace!

Foco e ambiente

Li informações científicas – nas quais confio e creio – sobre como funciona o sentido da visão e acho que serve como uma excelente metáfora sobre o paradoxo do intelecto.

Visão foveal é a forma mais precisa e detalhada de visão que temos — é como o modo "alta definição" dos nossos olhos.

A fóvea (ou fóvea centralis) é uma pequena depressão no centro da mácula, localizada na retina, com cerca de 1,5 mm de diâmetro, isso mesmo 1,5 mm de diâmetro.

É a região da retina onde a luz incide diretamente nos cones, sem interferência de outras camadas, o que maximiza a acuidade visual.

A percepção visual humana é frequentemente interpretada de forma simplista, análoga ao funcionamento de uma câmera que capta e registra passivamente a luz. No entanto, a neurociência moderna demonstra que a visão é um processo extraordinariamente ativo e reconstrutivo.

O cérebro não se limita a receber dados sensoriais; ele os sintetiza, interpreta e, em muitos casos, interpola informações incompletas para produzir uma representação contínua e coerente do mundo. A experiência de ver, portanto, é uma inferência complexa e uma "melhor estimativa" do cérebro sobre a realidade circundante.

O termo popular "imaginação", utilizado para descrever como o cérebro completa a imagem, corresponde, no campo da neurociência, ao fenômeno do perceptual filling-in ou preenchimento perceptivo.

Este é um processo onipresente pelo qual o sistema visual interpola informações em regiões do espaço visual onde elas estão fisicamente ausentes. Isso ocorre quase sempre que olhamos para o mundo, por exemplo, quando um objeto está parcialmente ocluído ou quando a imagem de um estímulo cai sobre o ponto cego.

Uma descoberta fascinante eleva a compreensão do preenchimento perceptivo a um novo patamar, sugerindo que o cérebro pode preferir as imagens que ele mesmo constrói em detrimento da realidade. Em um estudo da Universidade de Osnabrück, na Alemanha, foi pedido aos participantes para escolher entre duas imagens idênticas — uma real e uma "inventada" pelo cérebro para preencher um espaço cego. Surpreendentemente, os participantes mostraram uma tendência a escolher a imagem que seu próprio cérebro havia construído internamente.   

Essa preferência pela construção interna, mesmo quando a realidade física é idêntica, tem implicações profundas sobre a natureza da percepção.

O processo de preenchimento perceptivo não é uma simples correção de falhas; é uma poderosa inferência interna que o cérebro utiliza para criar uma narrativa coesa do mundo.

O fato de que a mente pode considerar sua própria inferência mais real do que o estímulo físico demonstra a intimidade da nossa experiência consciente com as construções neurais.

Isso reforça a visão de que a percepção não é um registro passivo, mas uma narrativa dinâmica e confiável, construída a partir de dados sensoriais e informações prévias, que permite a nossa interação e sobrevivência.

O 'filling-in' visual e a inferência cognitiva

Ambos são manifestações do mesmo princípio cerebral de construção de coerência a partir de informações limitadas.

O filling-in visual e a inferência cognitiva não são fenômenos isolados. Eles são manifestações de um mesmo impulso cerebral fundamental: a busca incansável pela coerência e a minimização da surpresa.

O cérebro, como uma máquina de previsão, utiliza modelos internos para gerar sua realidade, preenchendo o vazio da entrada sensorial e da informação conceitual com o que é mais provável, garantindo uma experiência contínua e funcional do mundo.

Esta visão unificada oferece uma compreensão mais rica e integrada da natureza da cognição, fundindo a percepção e a compreensão em uma única e poderosa arquitetura.

Finalmente

O paradoxo é que, tendo um órgão extraordinariamente potente, como o nosso cérebro, com capacidade virtualmente ilimitada, onde podemos armazenar e processar múltiplas informações, transformando-as em conhecimento, não temos a mesma capacidade de transformar esses conhecimentos em sabedoria, claro, com raras e honrosas exceções.

Sempre presumimos que já sabemos o suficiente sobre o que estamos falando, quando na verdade 90% é invenção!




Tenho uma confissão: noventa por cento do que eu escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira!
Manoel de Barros