Eu quero é PODER!
Dois documentários longos, obviamente políticos e, como tal, opinativos, mas ainda assim bons retratos de como o poder pode se impor sem força física, mas ainda assim sendo brutal. Para quem não viu, acho que vale a pena assistir, para os que já conhecem vale recapitular.
Ao final deste texto incluí uma análise do poder em si, que dividi em poder brutal e poder soft.
Este outro é uma anedota sobre o mesmo fenômeno.
As melhores frases sobre comunismo
Aí temos duas visões, nos dois primeiros apresenta-se a estratégia dos poderosos para controlar o discurso dominante, a mainstream, e o terceiro mostrando o ponto de vista dos pacientes dessa operação: nós.
Como muitos sabem, eu, de há muito, acredito que o pensamento dito de esquerda é meio sonhador e a realidade, ainda que não seja como todos sonhamos, se impõe, mas admito que isso seja, em parte ou na totalidade, fruto de algum tipo de condicionamento cultural, pelos grupos sociais dos quais participei, pelas leituras que fiz etc.
Acho que ninguém está imune a isso, apenas adere a um dos lados, dependendo de pra onde a "mainstream" pendia em seu entorno na idade certa!
Ilusão é achar que temos total liberdade de pensamento.
Millôr disse: "Livre pensar é só pensar!"
Eu digo: "Livre pensar é ilusão!"
Trecho do *DeMimPro6* de 05/01/2023
Eu acho que isso não é ruim nem bom, é apenas a forma como sociedade e os indivíduos compartilham os pensamentos, apenas desmonta nossa pretensão de sermos livres e autênticos e de podermos construir uma sociedade harmoniosa.
Acho que entender isso, sem ilusões, diminui a chance de errarmos muito.
É como o preconceito: se admitimos que temos algum preconceito, podemos modular nossas atitudes para não cometer injustiças. Por outro lado, os que acreditam que não têm preconceitos, talvez haja alguém assim, um em um milhão, mas todo o resto vai tentar justificar "racionalmente" seus sentimentos e, muito provavelmente, cometerão muitas injustiças!
Não se pode recuperar a ignorância perdida, a quantidade de informação disponível está criando um caos psicológico. Por isso, cada vez mais, o equilíbrio está em TUCONTIGO.
Uma vez alguém perguntou como entender os sonhos e eu respondi que sonhos não são para entender, eles produzem efeito sem o EU perceber. É dessa fonte que se pode esperar equilíbrio, porque ali está a essência, não a confusão da superfície.
Repito, com certa frequência, que a confiança é a única cola que une uma sociedade. A confiança surge de duas maneiras principais, uma, nas crises, momentâneas ou permanentes, quando a solidariedade é a única tábua de salvação, ou a partir de lideranças carismáticas e sintonizadas com as aspirações do grupo.
O que fica claro pra mim é que:
1 - Poder é um corolário de sociedade, não existe sociedade sem poder, seja exercido por um indivíduo ou por um grupo, sendo que, neste último caso, sempre haverá uma relação de poder dentro desse grupo.
É o poder que define quem manda, quem define certo e errado, quem determina o grau de liberdade dos demais.
2 - O poder é um dom, ou seja, não é explicável por genética, educação, treinamento ou qualquer outra teoria disponível, exceto, talvez, o pensamento complexo. Assim que um indivíduo experimenta o poder dificilmente vai abdicar de usá-lo e, na maior parte dos casos, vai usá-lo para ampliar sua ascendência sobre o grupo.
3 - Quanto maior o poder, ou seja, o diferencial entre um indivíduo e os demais, menos preocupação moral ou "ética" esse indivíduo vai ter.
4 - O motivador de quem manda pode ser econômico inicialmente, mas apenas para alavancar seu poder, depois transcende até interesses pessoais transformando-se em algo obsessivo.
5 - Ser inescrupuloso não garante ter poder, mas entre dois indivíduos com as mesmas capacidades, o inescrupuloso vai prevalecer na saída.
6 - O que prevalecer na saída vai moldar o sistema de forma a reforçar seu poder ainda mais.
7 - Existe o poder brutal, o primeiro que vem à mente ao pensar nas ideias apresentadas nos itens anteriores, e o poder soft, aquele que, à primeira vista, parece ser uma rejeição ao poder, entretanto é uma rejeição ao poder brutal.
O poder soft busca impor-se pelas ideias e, normalmente, por motivações benevolentes.
8 - Há ainda os que rejeitam qualquer tipo de poder, o que se pode dizer que é um privilégio de alguns indivíduos em algumas sociedades contemporâneas.
Em sociedades primitivas, ou se lutava pelo poder ou para se libertar de algum poder, a parcela submissa e pacífica daquelas populações era muito menor do que vemos hoje em dia nas sociedades ditas desenvolvidas.
9 - O poder brutal, por sua natureza, consegue acumular meios que lhe garantem a sustentação e expansão, já o poder soft não tem a mesma capacidade.
Um bom exemplo disso é a forma como grandes impérios se formaram, sempre baseados no poder brutal. Os grandes exemplos de poder soft, como Gandhi, acabaram apenas como isso, exemplos.
O caso de Maomé é interessante, porque a partir de um poder soft, revelações místicas que lhe permitiram ditar o Alcorão para seguidores que o escreveram, foi como político e governante, em campanhas militares, poder brutal, que consolidou o islamismo.
Outro caso de aparente sucesso do poder soft é a igreja católica que, na sua mensagem tem como base os ensinamentos de Jesus, entretanto nada mais falso, porque a igreja católica é a evolução da igreja romana, que cooptou os cristãos em uma jogada de puro marketing do poder brutal.
10 - Para finalizar, há o poder brutal inteligente e o poder apenas brutal.
O primeiro é o responsável pela formação de grandes impérios, antigos ou modernos, grandes corporações, nações estáveis por longos períodos, algo como o estabelecimento de uma corrente mansa, que podemos seguir com certa tranquilidade, podendo durar milênios, como o chinês, o egípcio, o grego e o romano, já o segundo é normalmente motivado por extremismos, ambição desmedida, imediatismo e pouca ou nenhuma preocupação com o bem-estar das populações, em geral não se sustentam por mais de algumas décadas, assemelhando-se mais a tsunamis.
Ilustrações do Copilot


.png)