Manual de Elegância Política:
do Xadrez à Tornozeleira Violada
31/12/2025
Artigo de opinião
Há quem diga que a política brasileira é um grande laboratório antropológico. Se isso for verdade, os últimos anos renderam material suficiente para uma tese inteira sobre os diferentes níveis — e estilos — de políticos em apuros. De um lado, figuras que enfrentaram acusações, julgamentos e prisões com postura calculada. Do outro, personagens que transformaram a relação com a Justiça em um espetáculo tragicômico, digno de um roteiro de pastelão.
A comparação entre esses dois mundos ganhou novos capítulos recentemente, especialmente após episódios envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — e o próprio. Enquanto isso, a memória da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva continua servindo como contraponto inevitável.
Quando a queda vira palco — e não fuga
Lula foi preso em 2018 após condenação na Lava Jato. Independentemente da posição política de cada um, é inegável que sua condução ao cárcere foi marcada por um ritual quase coreografado: discursos, despedidas, entrega negociada, ida à sede da Polícia Federal em Curitiba. Não houve tornozeleira rompida, tentativa de fuga, nem alegações de “curiosidade” sobre equipamentos judiciais.
Anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações, Lula saiu da prisão com a narrativa de que havia sido vítima de um processo viciado — narrativa que, concorde-se ou não, foi construída com método, estratégia e disciplina.
Do outro lado da fronteira da compostura
A ala bolsonarista, por sua vez, parece ter inaugurado um novo gênero político: o realismo grotesco judicial.
O caso mais emblemático é o do próprio Jair Bolsonaro, que admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir sua tornozeleira eletrônica — justificando o ato como “curiosidade”. O episódio levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar sua prisão preventiva, mencionando risco de fuga e até a possibilidade de que o ex-presidente buscasse refúgio na embaixada dos Estados Unidos, a apenas 15 minutos de carro de sua casa.
A defesa, por sua vez, afirmou que a tornozeleira teria sido colocada apenas para “causar humilhação” e negou qualquer plano de fuga, apesar do alerta emitido pelo sistema de monitoramento após a tentativa de violação do equipamento.
Se Lula se entregou à PF caminhando, Bolsonaro foi flagrado tentando violar a tornozeleira com um prosaico ferro de solda — uma imagem que, por si só, já sintetiza a diferença de estilos.
A vigília que virou suspeita
Outro episódio digno de nota foi a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro, marcada para ocorrer em frente ao condomínio do pai. Segundo Moraes, a aglomeração poderia facilitar uma eventual fuga, tornando-se mais um elemento na decisão de decretar a prisão preventiva do ex-presidente.
A cena — apoiadores reunidos, clima de tensão, suspeitas de evasão — contrasta com o ambiente controlado e institucional que marcou a prisão de Lula anos antes.
Poderíamos continuar desfiando tramas bizarras, com autoexílios e fugas semelhantes a de membros de facções criminosas, frustradas por trabalhos de investigação banais.
Do teatro ao improviso
Se há algo que a política brasileira ensina é que crises revelam caráter — ou pelo menos estilo. Lula, goste-se dele ou não, tratou sua prisão como um ato político calculado. Já o bolsonarismo parece ter adotado o improviso como método: rompimentos de tornozeleira, vigílias suspeitas, justificativas inusitadas e uma sucessão de episódios que beiram o surreal.
No fim, talvez a manchete irônica deste artigo não seja tão irônica assim. Em um país onde a política frequentemente se confunde com dramaturgia, cada personagem escolhe seu próprio gênero: drama, épico, comédia — ou pastelão.
Cuidado ao tentar se livrar de um político indesejado, você pode estar criando um verdadeiro flagelo! Digo por experiência própria!
Que, em 2026, possamos sobreviver a essa cambada e ter a paz que precisamos!
Este texto foi escrito pelo Microsoft Copilot a partir de um esboço meu!

