EPIFANIAS DA MATURIDADE - AINDA QUE TARDIA

 01/06/2019
Medo

Exalta-se tanto a bondade
Na crença de fazer o bem
E brada-se: A vida não é justa!
Cada vez que o bem não vem!

Mas, se o bem pra cada um
Só se alcança pela competência,
Cadê a coragem pra pregar
Competição para excelência?

Estamos mesmo preparados,
Pregando tanto a bondade,
Mesmo sabendo-nos enganados?
Medo de enfrentar a realidade?

Prefere-se evitar a aspereza da luta
Pelo devaneio de uma justiça superior.
Ignorância tal não é coisa que se degluta,
Não sem ficar afogueado de rubor!

Assim vamos caminhando
Cabisbaixos, passo a passo
Indivíduo, família e nação
Rumo ao covarde fracasso!

Nos idos de 2010, no volume I do DeMimPro6, eu já alertava sobre o principal inimigo do homem, o medo, e cada vez que me deparo com uma questão importante para a vida, esbarro novamente nesse demônio.
E agora, 2019?

O que mais impressiona é a extrema covardia que domina as forças(?) políticas nesta nossa nação.

Nunca antes, na história deste país, tivemos condições tão perfeitas para que alguma liderança desponte como alternativa às duas doenças, uma que domina a cena há quase três décadas e meia[1] e a outra nascida da reação à primeira, ou seja, ambas estão na lona, sob contagem do juiz, entretanto o silêncio é ensurdecedor.

Estas últimas décadas evidenciaram a grande preocupação de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Ainda que isso seja muito mais uma constatação do que uma exortação, sempre nos deixa perplexos.

Já a malta ignara - data venia à expressão jocosa - essa grita a plenos pulmões, enchendo as malfadadas mídias sociais com enxurradas de discussões vazias, normalmente motivadas por pura vaidade.

Sempre serão os mais convictos a gritar e esse é o problema, a convicção, a certeza é uma enorme estupidez, por isso os sensatos normalmente se calam.


[1] Essa doença se constitui de um só partido, nascido sob a liderança de José Sarney, o PCC – Populistas Comunistas Corruptos, a oligarquia política do país que acredita que um governo gigantesco e forte conseguirá conter as forças sociais que promovem a exploração dos proletários, mas, como precisam de apoio popular, adotam o discurso do estado provedor e pai dos pobres e, como não conseguem conter nem suas próprias taras, sucumbem à tentação de se locupletar. Esse partidão, composto por quase todas as sub-siglas partidárias, principalmente PMDB, PSDB e PT, é, indiretamente, o responsável pelo surgimento do outro PCC (Primeiro Comando da Capital), do Comando Vermelho, de mais uma dezena de facções criminosas menores, milícias e outros grupos de extermínio, com os quais mantém relação simbiôntica e, diretamente, das grandes quadrilhas estruturadas nos poderes executivo, legislativo e judiciário, além dos cartéis privados mais corruptos e inescrupulosos do mundo, mantendo com eles relação íntima de troca de favores.

Bom, a nosso favor eu diria que sobrevivemos - se não nós mesmos, aqueles que nos geraram - a um suicídio, uma renúncia, pelo menos dois presidentes mortos sem explicação convincente (Castelo Branco e Tancredo), dois impeachments, ao PT e estamos aqui, firmes e fortes.

Parodiando o cara que substituiu o  Carl Sagan na televisão (Neil deGrasse Tyson): O Brasil não tem obrigação de fazer sentido para você!

A pergunta é:
Deus tem o hábito de ficar ao lado de quem tem mais canhões, ou
Deus dá mais canhões a quem está ao lado dele?

A resposta, seja qual for, vai iluminar seu caminho!

Minha visão do nosso mundo político

Deixando um pouco de lado as questões da qualidade dos políticos, já que isso é cultural e não pode ser atribuído ao modelo de estrutura política, para mim é muito claro que o sistema político atual no Brasil, peca pelo excesso.

Talvez em função da baixíssima confiança que temos em nós mesmos, em nossa cultura e, consequentemente, em nossos políticos, fenômeno muito bem retratado por Macunaíma e definido por Nelson Rodrigues como “complexo de vira-lata”, enfim, talvez por causa desse nosso complexo, tendemos a criar regras excessivamente rigorosas na esperança que elas coíbam os efeitos deletérios dessa estupidez generalizada.

Há décadas eu digo que somos mais realistas que o rei, ou seja, quando comparamos nossas preocupações – não nossas atitudes – em relação a questões de segurança, de saúde, de educação, de qualidade dos equipamentos públicos e mesmo de comportamento, somos inclinados a criticar excessivamente a nossa realidade.

Somos capazes de querer regulamentar esportes radicais de forma a desradicalizá-los, exigir suporte a todo tipo de mal que nos acometa, nos revoltando quando os bares e restaurantes não oferecem alimentos dietéticos, delegar às escolas a formação integral de nossos filhos, reclamar da qualidade das estradas, mesmo as mais afastadas, como se nos países desenvolvidos tudo fosse como nas Autobahn da Alemanha e considerar como inadmissível qualquer comportamento estranho a nossas crenças, sejam religiosas, sejam morais, independentemente de como tenhamos nos comportado durante nossas vidas.

Isso não quer dizer que nossa segurança, nossa saúde, nossa educação, a qualidade dos equipamentos públicos e nosso comportamento sejam primorosos ou, por outro lado, não mereçam preocupação e possam ser liberados de qualquer controle, mas o fato é que, consideradas as dimensões, a diversidade cultural e os recursos produzidos em nosso país, temos sistemas universais de saúde e de educação dos maiores e mais bem estruturados do mundo, ainda que tenham problemas, da mesma forma nosso sistema de segurança, transportes e manutenção dos equipamentos públicos, ainda levando em conta os recursos disponíveis por região, estão muito acima da maioria dos países com a mesma capacidade de produção, basta verificar a situação em regiões similares dos USA, por exemplo.

Quero dizer que o nível de crítica que temos em relação a essas questões é desproporcional às diferenças de qualidade com que convivemos, comparando com países desenvolvidos em que a tolerância com os “defeitos” do sistema é muito maior, sendo que em muitos casos esses “defeitos” nem são considerados como tal, mas como inerentes ao caos que é a vida ou “ossos do ofício” – no caso, ossos da sociedade.

Essa tolerância com as deficiências do sistema é proporcional ao nível de confiança que permeia uma sociedade, quanto maior a confiança entre os cidadãos e, consequentemente, nas instituições, maior a tolerância.

Quando há confiança, as ações dos demais são avaliadas muito mais pelas intenções do que pelos resultados, os padrões de exigência passam a ser relativos. Mesmo quando há cobrança ela é carregada de empatia, cada um tentando se colocar no lugar do outro num esforço para entender as dificuldades e obstáculos enfrentados.

Em nosso caso é evidente o baixíssimo nível de confiança que temos entre nós, dessa forma buscamos padrões absolutos de exigência.

Esse excesso de preocupação com a perfeição é a causa principal de não conseguirmos nem mesmo o mínimo necessário para construirmos uma sociedade razoável.

Um dos aspectos mais prejudiciais dessa visão idealista da realidade é nosso sistema político, cujo principal defeito é ser excessivamente garantista e excessivamente democrático. OOhhh! Dirão os baluartes desses excessos deletérios – uma minoria barulhenta de nossa população, mas principalmente os idealistas de esquerda – Que absurdo! – dirão - É exatamente o contrário, precisamos radicalizar a democracia e os direitos humanos.

Lamentavelmente nada posso fazer em relação a isso, como disse é cultural e não vai mudar sem muito e prolongado sofrimento.

O fato é que temos um sistema político que garante a qualquer um que tenha recursos, lícitos ou não – incluídos aqui os empreendedores do crime organizado em todas as suas modalidades - manter seus privilégios a despeito de todas as evidências de seus crimes.

Pior do que isso é o sistema representativo que inventamos, em que o indivíduo escolhido para presidir o país não tem poder para presidir nada, tolhido por uma teia de burocracias parlamentares e rituais de aprovação quase intransponíveis, descaracterizando completamente o governo que se pretendia obter quando da eleição do infeliz. Claro que nossos defensores da estupidez dirão, indignados: – Graças a deus, pelo menos temos instâncias de controle para evitar erros irremediáveis.

Esquecem que a evolução, seja de um organismo, seja de uma sociedade, só ocorre a partir dos “erros” que são o resultado de ações transformadoras e, portanto, em algum grau, em desacordo com as normas vigentes.

O caso Julian Assange é interessante para entender porque precisamos “dar uma chance ao erro”.

É sabido que ele violou leis e até uma ética de que os estados nacionais teriam o direito de esconder certas informações por motivos de segurança nacional, leis essas que não estavam sob nenhuma pressão da sociedade, ou seja, eram aceitas, pelo menos tacitamente, pela maioria, entretanto, essas informações revelaram, como era de se esperar, fatos que chocaram a opinião pública.

Esse fato, aliás, é exatamente o motivo pelo qual eram sigilosas, quer dizer, considerando que o chefe de estado eleito pelo povo teria a confiança desse povo, seria obrigado, por circunstâncias críticas, a tomar decisões drásticas e, eventualmente, cometer atos de violência pelo bem maior que seria a garantia da soberania e da segurança da nação. Afinal não é de se esperar, para pessoas normais e inteligentes, que alguém consiga administrar seja o que for, de forma mais correta do que nós mesmos fazemos, dando nossos jeitinhos nem sempre tão perfeitos, inclusive para corrigir eventuais “jeitinhos” cometidos e que resultaram em consequências contra os nossos interesses – “ninguém é perfeito, não é mesmo?”

Isso é mais crítico quanto maior a responsabilidade de sua posição na sociedade, dessa forma, no cargo mais alto, de chefe de estado, as coisas escabrosas vão fazer parte do dia a dia. Só não percebe quem não quer.

Muito bem, considerando esses últimos argumentos – e concordando com eles – alguém poderia considerar correto terem prendido o cara e coibido sua ação, entretanto, esse desmascaramento permitiu que esse maquiavelismo fosse percebido pela sociedade como um todo, provocou um choque na hipocrisia dominante no discurso dos poderosos e, inclusive, permitiu esse arrazoado que estou fazendo aqui.

Não sei que consequências isso terá, mas, com certeza, resultará em algum tipo de evolução na forma como administramos nossas sociedades.

Sem esses rebeldes e sem a possibilidade do que consideramos errado hoje, não há possibilidade de criar o amanhã.

A irresponsabilidade vem de permitir que minorias, usando de artifícios ou da força, imponham suas ideologias sem nenhum filtro democrático. Quero dizer que, se precisamos dar uma chance ao erro que seja, pelo menos, um “erro” escolhido democraticamente.

A única forma de evoluir é admitir as mudanças pedidas pela maioria e tentar viabilizá-las da melhor forma possível, eventuais desvios poderão ser corrigidos na próxima eleição ou mesmo poderão levar a um processo de impeachment, agora, impedir que o presidente e sua equipe implementem as mudanças pelas quais foram eleitos é, para dizer o mínimo, estupidez de vira-latas que pretendem ser mais realistas que o rei e, principalmente, contra a democracia.

Convicção

Cerca de 25% da população brasileira, dividida igualmente entre em petistas e bolsonaristas, são o que poderíamos chamar de convictos, aqueles que defendem suas opções como se fosse caso de vida ou morte.

São aqueles que reagem a qualquer provocação, seja ela real ou apenas brincadeira, que não se entregam mesmo diante das evidências mais claras e são, também, os maiores empecilhos a qualquer tipo de mudança.

Vale a pena refletir sobre como essas convicções se formam, quão racionais são as opções que fazemos.

Se um cientista defender a teoria do multiverso, afirmando que experimentos científicos demonstraram a possibilidade de existência de várias dimensões, cada uma contendo um universo próprio, e outro defender a existência de apenas um universo, com base em outras experiências, com teorias consistentes e aceitas pela academia, ainda que não definitivas, cada um de nós, desde que interessados no assunto, poderá inclinar-se para uma ou outra teoria.

Dificilmente entraríamos em atrito sério com alguém que não concordasse conosco.

Entretanto, quando se trata de liberalismo e socialismo, que são tão incertos como a teoria de tudo perseguida pelo Stephen Hawking, nos atiramos em discussões violentas, não como alguém que está defendendo uma ideia, mas como quem está se defendendo de um inimigo perigosíssimo.

Perguntar-se por que isso ocorre seria de grande valia para entender o que se passa com esses temas em nossa cabeça.

A emoção é a ferramenta dos comunicadores, seja através da arte, seja da exortação política.

Como está cada vez mais claro no momento político que passamos (primeiros meses do governo Bolsonaro), a direita não prima por essa habilidade, enquanto a esquerda representa uma verdadeira legião de formadores de opinião – não, não vou falar de novo sobre o gramscismo, fiquem tranquilos – esses formadores de opinião ocupam a mídia, as escolas e as artes, enquanto a direita – aqui falo do liberalismo econômico, não em relação a questões morais e de comportamento - talvez pela presunção de estarem defendendo o óbvio, nunca se preocuparam em convencer ninguém.

Outro fator decisivo é nossa tendência a pintar tudo de cor de rosa, tornando a defesa de uma ideologia que encara um mundo real, competitivo, em que muitos – a maioria – não terá acesso aos benefícios do progresso, quando confrontada com uma ideologia que promete um paraíso, onde o bem triunfará e todos viverão em harmonia e abundância, em uma tarefa extremamente difícil, se não impossível.

Esse estado da nossa cultura após 300.000 anos da emergência do sapiens, precisa ser considerado na pesquisa dos motivos pelos quais pensamos como pensamos. A racionalidade não parece ser nosso principal capital intelectual.

Sou radicalmente contra o comunismo e nunca acreditei que ele tinha morrido. Assisti duas séries da Netflix bem interessantes - O levante da Páscoa e Traidores - que mostram como a União Soviética quase dominou a Europa e só não conseguiu pela pertinácia dos Estados Unidos que, contra tudo e contra todos, nunca se acomodou e, como em 64 no Brasil, reagiu fortemente às pretensões dos vermelhos.

Interessante que a primeira trata de um movimento ocorrido na Irlanda em 1916 e que provocou a morte de um civil, amigo de James Joyce, que veio a inspirar o famoso personagem Leopold Bloom, do não menos famoso Ulysses.

Apesar do aparente final do comunismo na Rússia, a ideia continua muito viva, tanto que qualquer um de nós vai lembrar de alguém próximo que tem uma quedinha por essa ideologia, o que é fácil de entender, quem não gostaria de um mundo onde não houvessem pobres nem fronteiras, até o John Lennon. Quem não reconhece esse fato não está preparado para a vida real.

O fato é que isso é utópico, o ser humano não funciona como um robô, fazendo o que o governo manda, daí terem que impor tantas restrições às liberdades individuais e o motivo da perda de produtividade nesses regimes, até seu colapso.

Essa convicção parte de algo muito mais essencial. Faz muitas décadas que adotei o seguinte lema: o conhecimento distribuído é mais eficaz!

Partindo da certeza de que o conhecimento é a essência da vida e a sua busca é a força vital do universo, é fácil verificar que se esse conhecimento for distribuído o resultado será infinitamente superior à opção de centralização.

Isso se constata no processamento de dados, por exemplo, o processamento distribuído, introduzido pelo PC foi o que transformou iniciativas criadas em sistemas centralizados, como a internet, em uma revolução do conhecimento.

Da mesma forma a economia descentralizada em que o capitalismo se baseia é infinitamente mais eficaz do que a centralização proposta pelo socialismo.

O Olavo de Carvalho defende princípios com os quais eu concordo, o liberalismo e a individualidade responsável, embora eu esteja convencido que isso, tal como o socialismo, é uma utopia. No momento atual, na sequência de um período desastroso de distribuição irresponsável, constitui-se na única opção razoável.

Quanto ao personagem citado, além de ser radical, o que, por si só, já seria suficiente para ler seus textos com reservas, é também paranoico com a ameaça de retorno do socialismo, coisa que ele meteu na cabeça da nossa família imperial, além de ser uma besta fera.

Esse é o problema, eles estão obcecados com a extinção do Gramscismo que inundou a cultura do mundo nas últimas décadas e não enxergam mais nada, não percebem que as mudanças que esse movimento promoveu, só comparável aos efeitos da igreja romana na formação e consolidação do senso comum, por mais terrível que possa parecer, como todo o atraso decorrente da visão fundamentalista, enfim, por pior que possa parecer, é uma mudança que não se reverterá em uma geração, na verdade nem acredito que se altere por aprendizado intelectual, acho que só o sofrimento, como no caso do catolicismo, que precisou das cruzadas e da inquisição para começar a provocar alguma resistência, da mesma forma, acho que só o sofrimento, a miséria e a violência, como pode se antever no micro-exemplo da Venezuela, poderá provocar uma reversão dessa insanidade, isso se não estivermos extintos antes.

A realidade é irritantemente indefinida, não se sujeita a ideologias. Quando, em 11/09/2001, houve os ataques ao World Trade Center, muitos líderes, políticos ou não, movidos por um impulso patriótico, tiveram a pretensão de corrigir tudo, reconstruir o que havia sido colocado abaixo, compensar financeiramente todas as vítimas, eliminar as ameaças terroristas pelo mundo afora e restaurar a pax americana que parecia imperar desde a 2ª guerra mundial.

O fato é que, nem a maior potência econômica e militar do mundo, reunindo todos os seus “poderosos capitalistas” conseguiu restabelecer aquele estado de coisas. O terrorismo passou a ser uma realidade, ora mais controlada, ora menos, permanente no mundo.

Da mesma forma, a guerra contra as drogas está fadada ao fracasso, são movimentos globais resultantes das pressões sociais que não conseguimos administrar.

As ideologias de esquerda fazem parte desse pacote, não são passíveis de eliminação, estão disseminadas por todo o planeta e, como um vírus não letal, contagiando todas as mentes “bem intencionadas”. Qualquer política que tenha como objetivo erradicar essas ideias estará, como no caso do terrorismo ou das drogas, destinada a ser apenas perda de energia inútil.

Ma non dimenticare,
Tutto nel mondo è burla,
L’uomo è nato burlone!
Come diceva Verdi.

Necessidades pessoais são privilégios quando vistos pelo menos favorecido.

Interesse social é sempre conflitante com interesse individual.

Quando um grupo corporativo defende uma política é muito diferente das demandas da população em geral, porque os interesses, muitas vezes legítimos, sempre serão principalmente em defesa dos componentes da corporação, sejam militares, industriais, médicos, operários ou professores. Não se pode embarcar na conversa desses grupos sem muita análise crítica.

Quando o cobertor é curto, alguém tem que deixar os pés pra fora, o desafio é o seguinte:
1 - Se exigirmos que apenas os mais ricos sejam penalizados, estaremos interferindo com todos os empreendedores e alguns rentistas e teremos dois tipos de desestímulo à produção, o psicológico, gerando menos estímulo e confiança do investidor e o financeiro, sobrando menos dinheiro pra investimento das empresas;
2 - Se distribuirmos o ônus uniformemente pela população, aumentaremos a pobreza e o sofrimento dos mais pobres.

Desde a guerra fria o mundo civilizado percebeu duas coisas, que o socialismo é inviável e que o liberalismo também é inviável, ou seja, como ficou célebre desde aquela época, o segundo é a exploração do homem pelo homem e o primeiro é exatamente o contrário.

A partir dessa constatação os liberais aprenderam que são imprescindíveis políticas sociais para dar conta da extrema pobreza, não da desigualdade, esta decorrente das diferenças naturais entre os indivíduos, e principalmente no sentido de garantir as mesmas oportunidades a todos.

Isso nunca foi alcançado totalmente, exceto em algumas bolhas de riqueza, normalmente resultantes de muitas décadas de exploração de outros povos, mas todos os dados mostram que, nos últimos 100 anos os mais pobres alcançaram condições de vida muito melhores, em média, do que no século anterior, claro que estamos falando dos países que colocaram essas políticas efetivamente em prática.

Hoje é praticamente consenso que, além da segurança interna e externa, a universalização dos serviços de saúde e educação são pressupostos para o desenvolvimento.

Repito aqui o que se tornou um mantra nos meus textos: não pretendo convencer ninguém de coisa nenhuma, apenas expor as minhas conclusões que frutificarão na mente de cada leitor quando vier a maturidade, se ela vier, já que muitos estão de tal forma inoculados com ideias pré-formatadas baseadas em devaneios atraentes que correm o risco de se tornarem uma legião de Peter Pan achando que não precisam amadurecer e, dessa forma, convencidos de serem altruístas, acabarem por ser os mais egoístas.

As experiências políticas reais nunca são totalmente liberais nem totalmente socialistas, sendo uma composição de princípios de uma e de outra ideologia, o desafio é encontrar o equilíbrio entre elas.

Por isso, a única solução é a alternância de poder, já que temos a tendência de insistir cada vez mais em nossos princípios, provocando cada vez mais desequilíbrio.

Especulações sobre a emergência de um novo tipo de inteligência, extracorpórea, por assim dizer - como mencionei no ensaio O mundo está doente!, a inteligência artificial, propõem que ela poderia ser uma solução para esse impasse nascido de nossas fraquezas psicológicas, mas eu, particularmente, não acredito.

Em dois ensaios de 2013 tentei organizar minhas ideias sobre isso:

Os textos nos links acima foram publicados originalmente em 01/11/2013 no DeMimPro6

IA é uma ameaça?

Quando se especula sobre a IA, sobre a escalada do potencial de desenvolvimento dessas tecnologias e quando ela ultrapassará o cérebro humano, dão a impressão de que basta aumentar a capacidade de processamento, mapear o funcionamento do nosso cérebro e teremos criado um novo ser senciente.

A realidade atual do conhecimento humano não corrobora essa suposição.

Id, Ego e Superego, apenas para ficar nos limites da teoria freud-jungiana, são tão misteriosos hoje quanto na idade média, quando nem sequer imaginavam mais do que corpo e alma.

Sonhos, devaneios, imaginação, medo, desejo, fantasia, ficção, necessidades ou patologias psicológicas, tesão ou taras, continuam sendo processos cujas origens pertencem ao mistério, daí nossa necessidade de acreditar em mitos transcendentais.

Nesse contexto como podemos sonhar que poderemos algum dia criar algo que reproduza esses processos artificialmente?

O mais avançado que se conseguiu sobre o fenômeno da vida está no livro A Árvore do Conhecimento de Maturana e Varela e apenas descreve o fenômeno da autopoiese, como a base do processo vital, porém sem nenhuma pista de como se poderia reproduzi-lo em laboratório. Além disso trata dos aspectos materiais da vida sem chegar nem perto dos fenômenos psicológicos.
Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto "próprio", poiesis "criação") é um termo criado na década de 1970 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos) em que as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Portanto, um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo.

Deus é amor?

Não sou a melhor pessoa para dar opinião sobre Deus ou deuses, já que considero isso uma questão totalmente subjetiva, mas fiquei tentado a pegar carona nessa máxima milenar que transcendeu muito os limites das religiões.

Posso dizer, que, considerando a ideia de um Deus, então, sim, na minha opinião, Deus é amor!

Se associamos essa ideia, da existência de um Deus - um criador, uma fonte de tudo - à ideia da vida, não tenho dúvida que é o amor a força vital.

Amor como algo necessariamente transitivo, ou seja amor por algo ou por alguém. O amor genérico ou universal não significa nada, é como não amar, o amor só é uma força, uma potência, quando há uma diferença de potencial que promove algum movimento, alguma transformação.

Amor é ódio, porque são irmãos gêmeos.

Ternura e violência, colaboração e competição cada um a seu tempo, esse o segredo de amadurecer sem apodrecer, sem perder a ligação com tudo que é realmente importante!

A burrice endêmica
A minoria burra vota nos espertalhões!
Os espertalhões institucionalizam a burrice!
A maioria, sem opção, vota nos burros campeões!
Será que ser burro é a própria brasileirice?


Vestígios da estupidez
Tinha, até hoje, certa antipatia pelo Senna - sei, isso deve chocar muita gente, mas é verdade - antipatia pela extrema competitividade desse cara.
Me parecia alguém sem escrúpulos sobre o que era aceitável para vencer, alguém que não media atitudes, esforços, ações, tendo em vista o objetivo final, que era sempre vencer.
Hoje, assistindo uma reportagem no aniversário de sua morte trágica, caiu a ficha e tive que me desculpar com o gênio.
Percebi que minha "antipatia" era nada mais do que vestígios da minha estupidez, a mesma estupidez que me levou a acreditar nas ideias de esquerda, na negação da competitividade como a única qualidade que pode nos conduzir ao aperfeiçoamento.

Pérolas do hipocritamente correto
Se um maluco usa seu skate pra ir pra faculdade descendo a Consolação no meio dos automóveis, tudo bem, mas, basta uma empresa - aquelas entidades malévolas criadas para dar lucro e explorar os proletários - oferecer um serviço de aluguel de patinetes e vai ter que garantir a segurança do usuário e de toda a sociedade em volta do seu equipamento.

Pensamento hiperbólico
Se meu pensamento parece confuso,
sua razão de ser é examinar minuciosamente os conceitos de modo a só admitir por verdadeiro o que realmente é, e declarar duvidoso o que não pode afastar o mínimo de incerteza.
Descartes


O mundo está doente!
17/04/2019

Não se trata da natureza, essa sabe se defender, trata-se isto sim, do ataque de um organismo desequilibrado, o ser humano, e esse ataque não é à natureza, mas à sua própria espécie.

O ser humano é um animal esquizofrênico, parte competitivo e predador, parte colaborativo e social. Pensa ser formiga sendo leão ao mesmo tempo.

A primeira característica é a essencial, instintiva, já a segunda é fruto exclusivamente da racionalidade, dos medos, portanto artificial, diferentemente do que ocorre com os insetos sociais, por exemplo, que tem como sua natureza essencial a vida em coletivos.

A primeira acelera, a segunda só serve como freio.

Não reconhecer esse fato tem levado à moléstia que induz os mais absurdos sofismas e, finalmente, poderá nos conduzir à extinção, coisa que a natureza agradecerá aliviada.

Imaginar que nossa natureza é sermos civilizados e racionais e relegar nosso lado animal como algo a ser reprimido é um dos maiores enganos da civilização.

Já não são novidade os estudos sobre o comportamento, chegando ao prêmio Nobel de economia de 2017, Richard Thaler, com seus estudos de economia comportamental, demonstrando cientificamente que as decisões de consumo e demais transações econômicas não são racionais e sim resultado de complexas interações psicológicas.

Esse conflito gera enormes problemas para a sociedade humana.

As tensões se originam dessa esquizofrenia de defender ideias altruístas e agir de forma egoísta.

No fundo é o conflito entre o educado, espiritual, racional, artificial, ideal e o real, natural, instintivo, animal, selvagem, que afloram aqui e ali como uma força incontrolável, pedindo liberdade, porém, nossa condição de seres conscientes exige segurança, então nos abrigamos sob alguma proteção, um grupo político, uma religião, uma facção criminosa, uma milícia, qualquer coisa que apareça ao nosso alcance. Só não queremos, de repente, nos encontrar sós de frente aos monstros que nossa imaginação criou.

Nesse contexto todo conjunto de regras, seja de um governo nacional, de uma religião, ou qualquer outra forma de dirigir e limitar a ação do homem, se inclui no lado da artificialidade, enquanto apenas as iniciativas individuais, como a produção de bens ou as transações comerciais são iniciativas com origem nos impulsos naturais, em outras palavras, o mercado. É no mundo privado que a vida ocorre, o poder estatal deve regular os exageros apenas, já que representa o freio das atividades, não o acelerador.

Quem pensa em aderir a uma ideologia tem que pensar nisso, caso contrário poderá estar, não só embarcando numa barca furada, mas, principalmente, levando muita gente junto. Entretanto, o súcubo se deixa levar pelos ideais mais estúpidos, movido pela vaidade ou pela covardia, como se dominasse com profundidade as bases filosóficas, antropológicas e sociológicas de suas ideias. Na realidade, na maioria das vezes, nem mesmo reúne as condições de perceber os fundamentos dessas ideias, limitando-se ao discurso ingênuo e pobre do combate às desigualdades de um lado ou da liberação da economia de outro.

Lembrando que as desigualdades não devem ser combatidas e sim estimuladas, o que se pode desejar é a redução das carências, da extrema pobreza e, mesmo assim, apenas promover as melhores práticas, regular as transações o mínimo possível e desejar que isso ocorra.

Ignorar esse fato ontológico é o segundo maior problema para nossa sobrevivência como espécie, já que o primeiro é nossa racionalidade, qualidade que nos faz humanos, mas não elimina nossos instintos animais.

As ideias socialistas, por mais estúpidas que sejam, assim como alguns personagens dessa luta, nunca serão derrotados, nunca serão extintos, estarão sempre ressurgindo das cinzas para arder no inferno de novo e de novo e das cinzas brotar incessantemente. Como exemplo, sugiro pesquisar a queda de Churchill na Inglaterra do pós-guerra e a ascensão do socialismo naquele país - não seria perda de tempo pesquisar sobre as consequências dessa intervenção soviética na Grã-Bretanha.

Imaginar, por outro lado, que o capitalismo é o responsável pelas mazelas da sociedade é não ter nenhuma noção dos fundamentos que regem as sociedades humanas.

Essa é a lógica da sociedade humana: almejar a estabilidade e a segurança, ao mesmo tempo promovendo crises e aventuras.

Isso não é um problema simples, para resolver com palavras de ordem, e estamos vivendo uma enorme crise de diálogo, um momento em que todos estão entrincheirados em suas "certezas" eliminando as chances de construir novas soluções. Só evitando os erros do passado e usando o máximo de conhecimentos, intuições e ideias disponível podemos avançar, lembrando que a questão não é defender partidos ou personagens, mas ideias e ideias fundamentadas, não simples opiniões.

Uma especulação válida seria termos a sociedade humana comandada por uma inteligência artificial, entretanto a força da "vida" que comanda nossos instintos continuaria criando problemas - a vida sempre encontra um meio!

A explicação para isso é encontrada na observação das organizações, afinal, hoje, qualquer organização tem acesso aos métodos gerenciais e comerciais mais avançados, incluindo  a IA - desculpem o trocadilho besta - entretanto, empresas similares em quase tudo, como, por exemplo, a equipe Mercedes e a equipe Ferrari de F1, apresentam desempenho muito diferente. A alma de cada empresa, assim como a alma de cada indivíduo, é que define a competência de cada um e é através da transgressão, da rebeldia que a alma real se manifesta.

É a diferença entre motivação, algo racional, ideal e o entusiasmo, o que vem sem pedir licença.

Uma sociedade só vai se consolidar se houver liberdade para a alma de cada um exercer seu entusiasmo, por isso que as sociedades desse tipo carregam muitos problemas, porque a liberdade produz o melhor e o pior.

A necessidade de impor regras para minimizar essas mazelas deve ser muito ponderada porque se ultrapassar certos limites matará o entusiasmo.

Outra possibilidade é algo como o Waze, um conselheiro de IA que não nos constrange, apenas orienta nossas atitudes, permitindo a liberdade individual de decisão.

Hoje o panorama dessa discussão, sob o ponto de vista da busca de soluções consensuais é, para dizer o mínimo, tétrico, e as possibilidades de que essa situação seja revertida em médio e longo prazo são remotas, entretanto a história mostra que os rumos da sociedade podem mudar radicalmente de uma hora para outra, só podemos esperar.



Nós não podemos resolver um problema, com o mesmo estado mental que o criou.
Albert Einstein

Um problema crucial para cada um de nós é decidir, a cada momento, o que vamos considerar como parâmetros do problema "vida" e o que podemos considerar variáveis, ou seja, o que temos que nos conformar e seguir em frente e o que devemos lutar para alterar.

Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
São Francisco de Assis
Pondo os pingos nos is!

02/04/2019

02/04, efeméride mais verdadeira que o falso 31/03 e antítese do dia da mentira, porque foi nessa data que tudo se consolidou, mas...
cada coisa a seu tempo.

A esquerda de fato!

O fato é que o mundo do século XXI está consolidado por um grupo de empreendedores pragmáticos e extremamente competentes que definem a cara da sociedade e o resto, os demais, que se dividem em dois grupos.

Nos países com alto índice de educação, qualidade de vida e consciência política, são majoritariamente os indivíduos com menor competência que tentam seguir o modelo dos mais competentes, eventualmente atingindo o nível de competência da elite.

Já nos países pobres e pouco desenvolvidos, com educação precária, qualidade de vida muito baixa e altos índices de corrupção permeando a cultura da sociedade, há uma pseudo-elite formada por pessoas que se classificam como de esquerda ou centro-esquerda, que, ao invés de se dedicar ao auto-desenvolvimento, preferem apontar "culpados" pela situação, sua e dos mais pobres, acusando principalmente os mais competentes.

Os menos competentes, mesmo não compactuando com as teses de esquerda, oscilam entre a admiração e o ódio aos competentes, massacrados pelo discurso vitimista da ideologia socialista.

Fundamentalmente são duas correntes: a que respeita a natureza da vida em sociedade, baseada na competição e na lei do mais forte e a idealista que pretende a instauração de um regime igualitário que se imponha pela força.

Esse fato gera um clima de deterioração da confiança, aumento da intolerância e é o principal, ainda que não o único,  motivo de surgimento de movimentos radicais de direita e dos regimes de força com o pretexto de proteger a sociedade contra essas ideologias deletérias. Não por coincidência tem tantos pontos em comum com as religiões, incluindo-se as boas intenções do baixo clero e o maquiavelismo diabólico das cúpulas.

Hoje constato muito decepcionado que o principal, se não o único, motivo para a infelicidade de um povo é a aceitação das ideologias de esquerda como admissíveis para a administração do país.

Nota: Esta discussão é a base de tudo, porque muitos defendem a livre iniciativa e a democracia e, ingenuamente, apoiam grupos cuja ideologia é o oposto disso.

A esquerda de fato II!

Um outro viés desta discussão é o qualificativo "esquerda".

Se formos às origens veremos que foi a Revolução Francesa que deu origem aos termos "direita" e "esquerda"

O uso político dos termos esquerda e direita é referenciado na Revolução Francesa, em 1789, quando os liberais girondinos e os extremistas jacobinos sentaram-se respectivamente à direita e à esquerda no salão da Assembléia Nacional.

Os direitistas pregavam uma revolução liberal, a abolição dos privilégios da nobreza e estabeleceram o direito de igualdade perante a lei. Os esquerdistas também defendiam o fim dos privilégios para nobreza e clero, mas eram favoráveis a um regime centralizador.

No final do século XIX, com a divulgação das ideias de Karl Marx, surgiu uma nova dicotomia política, as ideias liberais do capitalismo de Adam Smith versus as ideias centralizadoras do socialismo marxista.

As qualificações direita e esquerda, que eram adotadas como situação e oposição, começaram a se identificar com liberalismo e socialismo.

O socialismo, tal como foi experimentado, acabou por se tornar sinônimo de estado centralizador e, consequentemente, autoritário, até porque os princípios pelos quais uma sociedade socialista deveria se orientar são tão contrários às tendências naturais do ser humano que só poderiam ser respeitados pela força. Aqui as tendências capitalista e socialista já não vem mais ao caso.

O golpe de 1964

O golpe militar começou no dia 31 de março de 1964 e se sacramentou na madrugada de 1º para 2 de abril, quando Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, declarou vago o cargo de presidente da República. A partir de então, o país permaneceu 21 anos sob uma ditadura.

Para levar o ato adiante, os militares contrários ao governo de João Belchior Marques Goulart (PTB), o popular Jango, contaram com o apoio de governadores, como Carlos Lacerda (Guanabara), grande parte do empresariado, os meios de comunicação, a Igreja Católica e uma expressiva base social.

Foram diversos os fatores que levaram à queda de Jango, como a oposição às reformas estruturais por parte dos setores conservadores, que temiam o avanço do comunismo.

O golpe foi realizado por uma coligação de forças e interesses, composta pelo grande empresariado brasileiro, por latifundiários – proprietários de grandes parcelas de terras, e por empresas estrangeiras instaladas no país, sobretudo aquelas ligadas ao setor automobilístico. A conspiração contou com a participação de setores das Forças Armadas, aos quais a maioria da oficialidade acabou aderindo, diante da passividade da liderança militar legalista, ou seja, aquela que era contra um golpe de força contra o presidente eleito.

Acenando com o espantalho do comunismo, visto como sinônimo de regimes violentos e totalitários, a Igreja Católica contribuiu para disseminar o medo do governo de Jango entre a população e arrastou multidões às ruas, clamando por liberdade. Manifestações que também serviram de justificativa para o golpe militar contra as liberdades democráticas.

A situação da politica interna no Brasil criava todas as condições para um golpe, mas o encorajamento do governo dos Estados Unidos talvez tenha sido fator decisivo para que ocorresse de fato o golpe. Na preparação da tomada de poder, a diplomacia norte-americana, comandada pelo embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, praticamente coordenou a conspiração entre empresários e militares, dando garantia de apoio material e militar.

O momento, inimaginável para as gerações atuais, era de guerra fria, denominação que se deu ao clima de tensão permanente que se estabeleceu após a 2ª grande guerra, entre as duas grandes forças imperialistas que se estabeleceram nessa época.

É bom lembrar que o socialismo, ou comunismo como meta, era um fenômeno muito recente, com as teorias de Marx completando cem anos e a revolução russa apenas algumas décadas.

Com os eventos que culminaram na derrota das potências do eixo em 1945, coisa que ocorreu por algumas participações decisivas: a derrota da Alemanha se deu pela intervenção da Rússia, a da Itália, pelas ações, principalmente do Reino Unido e a do Japão, pelo ataque do B-29 “Enola Gay” dos USA.

Esses eventos deram origem a uma divisão geopolítica, com o ocidente sob o império americano e a Europa Oriental e parte da Ásia pela União Soviética.

É de extrema importância relembrar a estratégia de atuação de ambos os poderes hegemônicos da época: enquanto o império americano se dava pela via econômica apenas, visando negócios vantajosos para os conglomerados industriais e financeiros desse país, entretanto, dada a visão extremamente pragmática de seus líderes, filhos de uma cultura desenvolvimentista e de oportunidades iguais para todos, respeitando o espaço para desenvolvimento dos países sob seu domínio, como ocorreu com o Canadá, Austrália e países europeus, do outro lado, os países satélites, como a USSR chamava os estados dominados no pós-guerra, eram mantidos por mão de ferro – expressão cunhada pelos próprios russos – com suas economias em franca deterioração.

Evidente que de ambos os lados os interesses das respectivas potências centrais se sobrepunham aos interesses dos países dominados, mas, do lado americano, havia uma visão muito objetiva de que a riqueza desses países seria favorável ao desenvolvimento econômico de todos, a dominação estaria garantida pelo domínio do conhecimento que sempre obrigaria os dominados a se submeter a eles.

Nesse ambiente, aqui no Brasil, desde a revolução russa, com a adesão de setores da política ao projeto soviético e, particularmente ao de Cuba, palco de recente revolução – 1959 – que levou ao poder o ditador Fidel Castro, alguns já haviam tentado uma revolução com a Intentona Comunista de 1935.

A presença da KGB no Brasil – assim como da CIA – era conhecida desde os tempos de Prestes e Olga, sendo que os grupos armados com o objetivo de alcançar o mesmo que os cubanos alcançaram continuava mais vivo do que nunca.

Leonel Brizola, com a ideia do socialismo moreno, e seu cunhado João Goulart, estavam promovendo, após a renúncia de Jânio da Silva Quadros, ocorrida por ação de “forças ocultas” nunca esclarecidas, mudanças, incitando a população a apoiá-los, no sentido de criar as condições para um processo de socialização do estado brasileiro, muito similar ao que ocorreu décadas mais tarde, na Venezuela, com Hugo Rafael Chávez Frias, Hugo Chaves.

O clima geral era totalmente pró-americano e dominado por um verdadeiro terror ao comunismo, sentimento que carrego até hoje, como um medo transcendental que foi inoculado nas populações do ocidente por uma propaganda massificante dos USA, propaganda cuja maior eficácia não vinha de sua qualidade, mas das notícias que vinham do outro lado, da cortina de ferro, como genocídios, pobreza e sofrimento generalizados. O genocídio do socialismo matou e invalidou 5 vezes mais que toda a sanha nazista.

Nessa época começaram alguns movimentos populares, liderados por eminências da política e da economia, contra as intenções explícitas do governo empossado com a saída de Jânio.

A quebra de hierarquia militar no episódio que ficou conhecido como revolta dos marinheiros, no Rio, também incomodou a cúpula das Forças Armadas. Pesou ainda a fragilidade do governo do político gaúcho, que praticamente não esboçou reação à investida dos militares.

Embora Brasília já fosse a capital do país, o Rio de Janeiro foi o epicentro da crise.

Em 13 de março de 1964, o presidente João Goulart participa de comício na Central do Brasil, no Rio. Entre as propostas defendidas por ele, duas, em especial, irritam os militares: nacionalização de todas as refinarias de petróleo e desapropriação de terras para reforma agrária.

No dia 19, contra as propostas de Jango, centenas de milhares saem às ruas em São Paulo na Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Organizadores da marcha pedem intervenção militar.

No dia 20, o general Castello Branco, chefe do Estado-Maior do Exército, envia circular para alguns militares em que trata das ações de Jango como ameaças à Constituição.

No dia 25, cerca de 2.000 marinheiros e fuzileiros navais realizam celebração de uma entidade considerada ilegal. Uma ordem do ministro da Marinha, Sílvio Mota, para prender os líderes da resistência não é cumprida. Mota deixa o governo.

No dia 30, em discurso para cerca de mil sargentos pró-governo no Automóvel Clube, no Rio, Jango volta a defender as reformas de base. É o seu último pronunciamento como presidente.

Na madrugada do dia 31, o general Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, de Juiz de Fora (MG), inicia a movimentação de tropas em direção ao Rio. Por volta de 22h, o Comandante do 2º Exército, em São Paulo, e ex-ministro da Guerra, o general Amaury Kruel, pede a Jango que rompa com alguns nomes da esquerda que integram seu governo. O presidente nega o pedido, e Kruel adere ao golpe.

Na mesma data, teve início a Operação Brother Sam, da Marinha dos EUA, para apoiar o golpe que iria derrubar o governo constitucional. Mas nem foi preciso, pois a situação militar se resolveu internamente, já que não houve resistência organizada aos golpistas.

Aqui fica muito clara a similaridade em relação ao que ocorre nos dias de hoje na Venezuela, com a diferença que lá a insurgência é contra um governo socialista e corrupto que conta com o apoio das Forças Armadas, totalmente aliciadas pela corrupção sistêmica implementada pelo bolivarianismo.

Esboçou-se alguma resistência no meio sindical e no movimento estudantil, entretanto, essa resistência foi desorganizada e desestimulada pela própria atitude de João Goulart, que por saber da ameaça de intervenção estadunidense no país teria desistido de resistir quando foi do Rio de Janeiro, local estratégico para a resistência, para Brasília e, dali, para o Rio Grande do Sul. Ainda houve alguma discussão entre Jango e Leonel Brizola se era possível resistir a partir do RS, mas o presidente não assumiu esta opção. Como muitos outros, Jango achava que seria um “golpe passageiro”, e dali a alguns anos, novas eleições seriam convocadas. Afinal, fora assim em 1945, por ocasião da intervenção militar para depor Getúlio Vargas - em 1954 outra intervenção foi abortada com o suicídio de Getúlio.


Desde o início a ditadura militar buscou ter um aparato legal, como forma de se institucionalizar e de se legitimar perante a opinião pública, sobretudo a liberal, que tinha apoiado a destituição de Jango. Nesse sentido, o golpe contou com apoio de setores ancorados no Congresso Nacional e de juristas conservadores. Foi formalizado na madrugada do dia 2 de abril, no Congresso Nacional, mas sem amparo na Constituição, pois o cargo foi declarado vago enquanto o presidente continuava no território nacional e sem ter renunciado nem sofrido impeachment. Somente numa dessas três circunstâncias, além da morte, isso poderia acontecer.


O general Olímpio Mourão Filho narrou que se recolheu aos seus aposentos, em Juiz de Fora, na noite de 30 de março, enquanto Jango discursava no Automóvel Club do Brasil, no Rio. Comandante da 4ª Região Militar e da 4ª Divisão de Infantaria, Mourão desencadeou o movimento, junto com o general Carlos Luís Guedes. Seu plano era dar a largada na marcha na alvorada do dia 31. 

De manhã, as tropas ainda estavam em Juiz de Fora. Lá, às 7h de 31 de março, o tenente Reynaldo de Biasi Silva Rocha ministrou instrução de combate à baioneta. “Quem quer passar fogo nos comunistas levante o fuzil!”, gritou. Às 11h30, o chefe do Estado-Maior do Exército, Humberto de Alencar Castello Branco, disse por telefone ao general Guedes, que permanecia em Minas: “A solução é vocês voltarem, porque senão vão ser massacrados”. O general Castello em breve se tornaria marechal e presidente da República.

Ao meio-dia de 31 de março, Jango estava no Rio. No Palácio Laranjeiras, disse que havia “muito boato”, mas nada de concreto, sobre rebelião militar. Só por volta das 16h15 doze carros do Departamento de Ordem Política e Social pararam em frente ao edifício da Federação Nacional dos Estivadores. Tentaram prender os dirigentes do Comando Geral dos Trabalhadores, mas estes foram socorridos por soldados da Aeronáutica fiéis a Jango.

Em 1º de abril, por volta de 16h, no Rio, cinco tanques do 1º Regimento de Reconhecimento Mecanizado deixam os arredores do Palácio das Laranjeiras, do governo federal, em direção ao Guanabara, da administração estadual. Às 22h30, depois de viajar do Rio a Brasília, Jango embarca para Porto Alegre. Dizendo evitar ações que levem a derramamento de sangue, ele praticamente não oferece resistência aos conspiradores. Nesse momento, ele abandona formalmente o governo.

Fonte insuspeita, o velho general Cordeiro de Farias anotou: “A verdade - é triste dizer - é que o Exército dormiu janguista no dia 31. E acordou revolucionário no dia 1º”.

Na madrugada do dia 2 de abril de 1964, Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, declara vago o cargo de presidente da República. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assume a Presidência interinamente. Com apoio do governador Carlos Lacerda, a Marcha da Vitória, no Rio, reúne centenas de milhares de pessoas.

O Governo Ranieri Mazzili foi dividido em dois breves períodos da história do Brasil.

O primeiro, na quarta República, se inicia com a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, e tem fim em 7 de setembro de 1961, após volta do então vice-presidente João Goulart de viagem que havia feito à China, totalizando 13 dias.

O segundo, na quinta República, teve início em 2 de abril de 1964, com a cassação do presidente João Goulart pelo Congresso, e fim em 15 de abril de 1964, após posse de Humberto de Alencar Castelo Branco (vencedor de eleição indireta no dia 11), totalizando novamente 13 dias. O espaço entre o fim do primeiro período e o início do segundo (Governo João Goulart) é de 938 dias (2 anos, 6 meses e 24 dias).

O presidente da Câmara, deputado Ranieri Mazilli, foi empossado como presidente interino. Os políticos golpistas tentaram assumir o controle do movimento, mas foram surpreendidos: os militares não devolveram o poder aos civis, sinalizaram que tinham chegado para ficar. Imediatamente criaram um Comando Revolucionário formado pelo general Costa e Silva(autonomeado ministro da Guerra), o almirante Rademaker, e o brigadeiro Correia de Melo.

Chamar a deposição de João Goulart de “golpe” ou de “revolução” revelava, e ainda revela, a linha ideológica da pessoa. Para a direita, sobretudo militar, o que estava em curso era uma revolução que iria modernizar economicamente o país, dentro da ordem. Para a esquerda e para os setores democráticos em geral, não havia dúvidas: tratava-se de um golpe de Estado, um movimento de uma elite, apoiada pelo Exército, contra um presidente eleito. A historiografia convencionou chamar o acontecimento de golpe, pelo caráter antirrevolucionário e antirreformista do movimento civil-militar que derrubou Jango.

Costa e Silva cria o Comando Supremo da Revolução, composto por três membros: o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha) e ele próprio como representante do Exército.

No Recife, o dirigente comunista Gregório Bezerra é amarrado à traseira de um jipe e puxado por bairros da cidade. No fim do percurso, é espancado por um oficial do Exército com uma barra de ferro.

No dia 4, Jango desembarca no Uruguai em busca de asilo político.

No dia 9 de abril de 1964, declarando que “a revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte”, esse comando baixou o primeiro Ato Institucional, que convocou o Congresso a eleger um novo presidente com poderes muito ampliados. No mesmo dia, o Congresso, já amputado em 41 mandatos cassados, submeteu-se ao poder das armas, elegendo, no dia 11, o general Humberto Castelo Branco à presidência. Entre os deputados federais cassados nessa ocasião, estavam Leonel Brizola, Rubens Paiva, Plínio Arruda Sampaio e Francisco Julião.

O movimento militar dava, assim, seu primeiro passo. Um movimento que se impôs com a justificativa de deixar o Brasil livre da “ameaça comunista” e da corrupção, e que desde o início procurou se institucionalizar. Dessa forma, pretendia criar uma nova “legalidade”, que evitasse as pressões da sociedade e do sistema político-partidário sobre o Estado, considerado como um espaço de decisão política acima dos interesses sociais, pretensamente técnico e administrativo, comandado pelos militares e pelos civis “tecnocratas”.

Entretanto, o primeiro Ato Institucional já configurava o novo regime como uma ditadura. Explicitamente afastava o princípio da soberania popular, ao declarar que “a revolução vitoriosa como Poder Constituinte se legitima por si mesma”. Dessa forma, concedeu amplos poderes ao Executivo para decretar Estado de sítio e suspender os direitos políticos dos cidadãos por até dez anos; cassar mandatos políticos sem a necessária apreciação judicial; também suspendeu as garantias constitucionais ou legais de estabilidade no cargo, ficando assim o governo livre para demitir, dispensar, reformar ou transferir servidores públicos.


Como consequência imediata, houve uma onda de cassações de mandatos de opositores, de demissão de servidores militares e civis, e numerosas prisões. Nos primeiros 90 dias, milhares de pessoas foram presas, ocorreram as primeiras torturas e assassinatos. Até junho, tinham sido cassados os direitos políticos de 441 pessoas, entre elas os dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, e João Goulart, de seis governadores, 55 congressistas, diplomatas, militares, sindicalistas, intelectuais. Além disso, 2.985 funcionários públicos civis e 2.757 militares foram demitidos ou forçados à aposentadoria nesses dois primeiros meses. Também foi elaborada uma lista de 5 mil “inimigos” do regime. A ditadura já começou implacável!

A partir de 1968, acompanhando a onda de rebeldia global, aqui também houve um recrudescimento das manifestações contra o regime, pronta e violentamente reprimidos pelo governo. Foi quando o general Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5, o AI-5, considerado como um golpe dentro do golpe, fortalecendo o poder autoritário dos militares. Iniciavam-se os verdadeiros anos de chumbo.

O chamado "milagre brasileiro" levou um país periférico que era algo como a 50ª economia do mundo a se transformar em um importante player internacional, já como 8ª economia, a despeito da enorme concentração de renda que se aprofundou nesse período.

Posteriormente a corrupção e incompetência, ambos derivados do otimismo exagerado com o "milagre", levou as contas do país à bancarrota. Qualquer semelhança com os governos petistas não é mera coincidência!

Nota minha:

Aos meus filhos, parentes e amigos peço as mais sinceras desculpas.

Admito, sou culpado de ter ajudado a alimentar um monstro, um monstro que, não bastasse sua proposta política equivocada, sua suprema presunção de senhores da verdade, sua miopia sobre a natureza humana, sua irresponsabilidade em relação à coisa pública, seu desdém em relação às pessoas e sua liberdade, além de tudo isso, conseguiram popularizar, como nunca antes na história deste país, a intolerância e o sectarismo.

Meu erro foi acreditar que existia inteligência e, principalmente, bom-senso, naqueles que quase unanimemente apoiamos nos últimos 30 anos, muito mais como reação à ditadura do que a favor de ideologias. Acreditamos que, pelo menos em sua maioria, presavam a livre inciativa, as liberdades individuais e a democracia, valores dos quais nunca me apartei.

Neste país em que radicais, como os fascistas e os comunistas nunca passaram de traço, ainda que, é verdade, a esmagadora maioria sempre tenha sido submissa e alienada, eles conseguiram perpetuar a submissão e a alienação, mas agora temperadas com muito ódio de todos por todos.

Hoje somos submissos e alienados e massa de manobra de radicais violentos que nunca foram de esquerda ou de direita, mas canalhas cujo único objetivo é manter seus privilégios.

Sim, sempre fomos submissos e alienados, nem mesmo tentamos alterar a correlação de poder estabelecida desde a invasão européia, mas movimentos como o fascismo e o comunismo nunca prosperaram por aqui, porque nunca servimos de massa de manobra para radicais.
Até o advento deletério do PT.

Quem sabe, se não tivéssemos alimentado essa víbora, poderíamos estar livres desse escorpião que nos assola!

Infelizmente só posso me desculpar, o estrago já foi feito, agora são as novas gerações que terão que encontrar o caminho para uma nova sociedade, lamentavelmente conflituosa e injusta como sempre foi, agora também violenta.

O reducionismo que vivemos nos dias atuais está nos levando de volta à idade média. 

Quando artistas se levantam em uníssono contra fatos deploráveis apoiamos de forma incondicional, mas quando isso se torna um movimento repressivo contra todo tipo de atitude não admitida pelo grupo estamos vivendo uma inquisição coletiva.

Tudo se resume a um maniqueísmo infantil, de mal digeridas fábulas, onde os cenários de vilões do lado negro e heróis do lado luminoso não representam as pulsões humanas essenciais e presentes em todos nós, mas como se os fatos ocorridos fossem todos fruto, de um lado, das intenções maléficas e injustificadas de seres perversos e, de outro, a concepção correta e impoluta de seres superiores - como eu!





Não importa o lado que defendemos, mas a impaciência está dominando a sociedade e os riscos disso são conhecidos.

Ninguém mais está disposto a ouvir o outro, as verdades simplórias e pouco elaboradas são muito atraentes nessa hora, mas o abismo não perdoa, o simplismo das conclusões leva à inexorável queda!