Paixões e Conformismos a parte


29/09/2018 (1 semana antes da eleição)

Nem Argentina
Síndrome de EstouCalmo
(Tá tudo tão torto, mas tá tudo bem...)
Ou como um salvador da pátria que prometia soluções simples e fáceis pode levar um país ao caos:


Nem Venezuela
Wishful Thinking (Tá tudo tão torto, mas tem que dar certo!?)
Ou como outro salvador da pátria que prometia soluções simples e fáceis pode levar um país ao caos:

Quem pensa que Haddad não é a Articulação(*) é bom dar uma olhada neste artigo:


(*) Ou CNB (Construindo um Novo Brasil), novo nome da facção que domina o PT, ferrenha defensora do regime Venezuelano e Cubano, grupo que fundou o Foro de São Paulo

Alguns trechos:

“O ápice dos conflitos ocorreu na Prefeitura de São Paulo. Em janeiro de 2013, data tradicional de reajuste das tarifas de transporte em São Paulo, Haddad teve que adiar o aumento a pedido de Dilma, que temia o impacto na inflação.
O represamento foi um desastre. Quando o aumento foi anunciado, as ruas foram tomadas por protestos do Movimento Passe Livre. Haddad buscou socorro no governo de Dilma porque a prefeitura não tinha de onde tirar recursos para congelar o preço da tarifa, segundo ele.
Propôs que Dilma revertesse um tributo sobre combustíveis para as prefeituras, e não para a União. Dilma se recusou e gerou uma das maiores derrotas de Haddad.”


Direita ou esquerda dá no mesmo, salvadores da pátria sempre prometem o paraíso e entregam o inferno!

Nesta eleição estamos entre
Boçalnaro (Argentina)
Haddad-Lula# ou Ciro-NãoSouDoForo (Venezuela)



A situação está mais ou menos assim:







Argentina e Venezuela disparados na frente
Marina-SemNoção em queda livre
Meirelles, Amoêdo e Álvaro Dias inertes

A possibilidade que sobra é o Alckmin que, devido à alta rejeição dos primeiros, já começa a esboçar uma reação.

















Não se trata de uma escolha pelo melhor, mas é a única chance de termos um governo com o mínimo de equilíbrio, pois chegando no segundo turno, em confronto direto, a rejeição pode eliminar a Argentina e a Venezuela.




























Para quem gosta do Haddad, veja este trecho do mesmo artigo cujo link está antes neste artigo:
“Para piorar a situação com os petistas, Haddad mantinha relação amistosa o então governador Geraldo Alckmin"‚(PSDB), a quem elogiava. Ao deixar a prefeitura, disse que transmitia o cargo a João Doria como "a um irmão", o que desagradou sua base, uma vez que o tucano sempre fez duras críticas a Lula.”












18/09/2018

Vamos encarar a realidade, nem os mais fervorosos petistas, nem mesmo os filiados, ou até os próprios parlamentares - excetuando-se apenas os comandantes - acreditam mais no PT. Por quê, então, continuam a espernear?

Imagino duas prováveis causas. Vaidade é a principal, sei como é difícil assumir que estava errado, nossa autoestima vai ao fundo do poço.

A segunda é um pouco mais complexa, ainda que seja responsável por, no máximo, 10% do motivo, 90% é vaidade mesmo - o pecado favorito-, apenas menciono como uma espécie de consolação, para facilitar a aceitação do inevitável.

É o dilema fundamental do nosso tempo, talvez o maior dilema da humanidade, mas para chegar até ele é necessário fazer algumas considerações.

O problema da pobreza, algo que incomoda a todos - não há como ignorar o sofrimento de tantos seres humanos -, é o que dá origem ao dilema:
Assumir a responsabilidade por esse problema ou
Aceitar que essa responsabilidade tem que ser de cada indivíduo.

A perpetuação da pobreza ao longo dos séculos, lembrando que essa pobreza alcança a absoluta maioria da população mundial e não é diferente por aqui, provoca indignação e incita naturalmente a pensarmos que algo precisa ser feito.
Entre as alternativas, os ideais do socialismo, mesmo sendo uma fórmula sabidamente inviável, consegue resistir a todas as evidências de seus equívocos.

Os conhecimentos adquiridos sobre sociologia e ciências políticas nas últimas décadas já demonstraram, ao confrontar os ensinamentos filosóficos ancestrais com as observações históricas da evolução social, que os atalhos imaginados para a sociedade ideal sonhada pelos socialistas inviabilizam o desenvolvimento econômico e o aumento da riqueza e tendem a um processo de redução das desigualdades nivelando pela base. Isso ocorre pela absoluta falta de capacidade desses sistemas de economia planificada produzir desenvolvimento econômico.

Toda a observação das sociedades humanas confirma o que já se sabia através dos ensinamentos dos velhos filósofos. A sociedade só se desenvolve com o desenvolvimento dos indivíduos que a compõem e cada indivíduo só desperta para seu próprio desenvolvimento pelos desafios que enfrenta, pela ambição de melhorar suas condições de vida e que, ainda que seja evidente a necessidade de apoio aos extremamente vulneráveis, toda ajuda e amparo que receber, servirá como desestímulo ao progresso pessoal.

O argumento do V0, ou seja, que as oportunidades não são iguais no início da vida de cada um, argumento aceito por toda pessoa minimamente esclarecida, é usado para justificar todo tipo de estupidez - como costumo dizer, Niccolo nunca foi tão seguido como entre os socialistas, os fins justificam qualquer meio.

O estudo dos sistemas pode explicar o porquê desse tipo de alucinação coletiva. Aqui no DeMimPro6 já comentei esse fenômeno, demonstrando como a investigação das causas de um fenômeno exige muita disciplina e isenção. Tempo e espaço são as principais causas de confusão.

Fatos muito próximos, seja no tempo, seja no espaço, podem facilmente ser interpretados como causa e efeito, quando podem não ter relação nenhuma entre si.

O fato de coexistirem capitalismo e pobreza simultaneamente nos mesmos locais induz à falsa conclusão de que o primeiro é a causa da segunda.

O problema é que a espécie humana se caracteriza por ser o único animal que se julga melhor do que realmente é.

Somos os filhos prediletos dos deuses (cada povo com o seu), parceiros desses deuses na criação, donos do universo que foi feito para nós. Interessante notar que mesmo ateus convictos compartilham dessa presunção, ainda que a fábula seja diferente, aí é a superioridade natural dada pela inteligência e pela autoconsciência que nos habilita a dominar tudo.

Essa alucinação coletiva, que deu origem à maioria absoluta das seitas religiosas e muitas das falsas filosofias que perduram até hoje, disputando o espaço cultural com o pensamento lógico-científico, leva seus pacientes a uma necessidade obsessiva de buscar solução para o que nunca foi um problema, qual seja, a diversidade de capacidades e de expectativas entre os indivíduos.

Paradoxalmente, ao ignorar essa realidade óbvia, produzem barreiras intransponíveis para a solução da pobreza, não das diferenças.

Se houvesse mais isenção e fidelidade ao conhecimento científico, histórico e às filosofias reconhecidas como tal, a união de desenvolvimentistas e distributivistas, com uma saudável alternância de períodos de uma orientação com períodos da outra, poderia reduzir significativamente a pobreza, ao menos nos países assim administrados. Vide exemplos atuais, como o do Chile, positivo e o da Venezuela, negativo.

O fato é que estamos vivendo uma época de profundas transformações sociais em que o velho está sendo desmantelado e o novo ainda não surgiu, momento em que é preciso muito cuidado para não cometermos erros irreparáveis.

Aah, sim! Existe uma terceira causa, mas essa só se aplica aos que se recusam a enxergar.













Se você nunca entrou em um sindicato, nunca frequentou um diretório de partido, nunca teve a oportunidade de conversar por mais de 15 minutos com um líder sindical ou um político que você apoia, cuidado, no meu caso fiquei de cabelo em pé em várias ocasiões!







POLÍTICA MONETÁRIA - A FUNÇÃO DO BANCO CENTRAL

16/09/2018

Independentemente da situação do país o BC tem como função básica manter o fluxo de moeda sob controle.
Controlar o estoque dívida interna e externa evitando que o risco para os agentes financiadores do estado aumente e, como consequência, as taxas de juros se tornem cada vez mais altas ou pior, fujam do controle.

Os critérios para definição da meta de inflação são, entre outros:

  • Estoque da dívida do estado
  • Resultado primário do estado
  • Relação entre capacidade produtiva e mercado consumidor
  • Taxa de crescimento populacional

As metas de inflação, portanto, não são números cabalísticos definidos voluntariosamente como querem fazer crer os defensores de políticas distributivistas a qualquer custo, cujos exemplos de colapso existem em profusão na história moderna, desde as tentativas fracassadas no Brasil do século XX, até 1994, quando, com a implantação do Plano Real, passou-se a adotar critérios técnicos para a sua definição, passando pela Alemanha dos anos 20 e, mais recentemente, na Venezuela.

ALTERNÂNCIA DE MODELOS

Como Angus Deaton, ganhador do Nobel de Economia em 2015, demonstrou em sua teoria do desenvolvimento econômico - "The Great Escape: Health, Wealth, and the Origins of Inequality" -, o desenvolvimento tem como efeito colateral inevitável o aumento da desigualdade.

Essa constatação leva a três conclusões:
  1. Para conseguir o desenvolvimento e a distribuição necessários aos objetivos de melhoria da qualidade de vida da totalidade da população é necessária a alternância de modelos de gestão monetária, ora danado ênfase ao saneamento das contas públicas, ora promovendo maior distribuição da riqueza.
  2. Estabelecer um sistema de proteção social que garanta uma renda mínima às populações em estado de vulnerabilidade.
  3. Investir em mecanismos que promovam a emancipação econômica das populações vulneráveis, estimulando os esforços para conquista de independência econômica dessas populações e desestimulando a permanência dessas mesmas populações sob a proteção do estado. Esses mecanismos estão relacionados principalmente à educação nas suas variadas modalidades.

A Política Monetária, obviamente, não é o único instrumento de governo disponível para administrar a economia de um país, mas é fundamental e extremamente sensível para a manutenção da estabilidade econômica e, principalmente, para o estabelecimento de um ambiente de confiança nas relações econômicas.

Lembrando que a Confiança é a única cola que mantém um país como uma Nação Soberana.

Evidentemente, tudo que foi dito aqui pressupõe ausência de má-fé nos agentes governamentais, trata-se de uma análise, ainda que leiga, com base técnica.

Quisera eu que nossos problemas se resumissem à discussão do modelo a adotar para administração do país, entretanto, menos pior que esse modelo, pelo menos, seja o mais adequado, ainda que saibamos que qualquer que seja sofrerá a interferência das velhas raposas que tomam conta de nosso pobre galinheiro.



Se a questão for definir nossas prioridades, sem dúvida seriam:
0 - O que foi exposto acima;
1 - Reforma do estado com a eliminação de ralos de dinheiro injustificados, seja no executivo, no legislativo ou no judiciário, com a racionalização de órgãos e eliminação de privilégios;
2 - Reforma política, reduzindo o tamanho dos nossos parlamentos, em todos os níveis, federal, estadual e municipal, aprimoramento dos critérios para manutenção de partidos políticos e de representatividade desses partidos e dos seus candidatos em relação aos estratos da população;
3 - Aprimoramento dos mecanismos de governança em todos os níveis, garantindo a redução drástica e o controle sobre a corrupção;
4 - Reforma tributária, visando a desburocratização e simplificação do sistema tributário e a progressividade dos tributos.

Ideário do PT

16/09/2018
No dia 22/08/2018 publiquei o Programa de Governo do PT comentado em meu blog: http://www.demimpro6.com/2018/08/programa-do-pt-2018-comentado-22082018.html
Não há nesse programa qualquer menção à autonomia do Banco Central, item basilar para garantia de uma política monetária eficaz - não confundir com política fiscal, que é o único instrumento de estado hábil para corrigir eventuais distorções da economia, como já esclarecido anteriormente.
Por outro lado, no item 4 do dito programa está explícita a intenção de intervir voluntariosamente na taxa de juros da economia: "por meio ( 1 ) da redução dos juros e da difusão do crédito", função exclusiva do Banco Central.
O candidato a presidento Dilma II prometeu intervir através de impostos diferenciados nos bancos que praticarem o livre mercado: https://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN1LU2A6-OBRTP
Ora, se ainda não entendemos qual é a doutrina do PT é porque não queremos entender. Redução de juros, como de precos, em uma economia de mercado, se consegue pelo aumento da concorrência,  abrindo mais o mercado e não se isolando e "punindo" os mal-criados.
Quem acha que as políticas do PT são diferentes das da Venezuela está enganado como eu estive nos últimos 30 anos, está na hora de rever suas posições.
Recomendo a leitura das postagens anteriores que poderão suscitar outras questões para discussão.
PLM

O reino do povo cordial
 fábula  araponguiana  moderna
29/08/2018

Era uma vez um reino encantado, bonito por natureza, cujo povo era extremamente cordial, agiam movidos pelo coração.

Ali as pessoas se deixavam tomar pela emoção, seja torcendo por um time de ludopédio - o esporte preferido do país -, seja na admiração a seus ídolos, nas artes ou na política.

O problema é que esse povo era comandado por um governo autoritário.  Era o que chamavam "regime de exceção".

O símbolo da autoridade naqueles tempos era a Forca, uma grande estrutura construída no meio da praça principal. Ali eram enforcados todos aqueles que se insurgiam contra a autoridade do déspota.

Até que um dia o povo, cansado daquela tirania, saiu para as ruas pedindo "eleições diretas já".

A pressão foi tanta que o governo teve que ceder àquela onda de racionalidade e, a partir daquele momento, uma nova liderança surgiu.

A mensagem daquele movimento era "a esperança vai vencer o medo" e conseguiu conquistar os corações e mentes daquele povo que, docilmente, voltou ao seu caráter cordial.

A primeira medida foi a destruição da grande Forca e, ato contínuo, propuseram a construção de uma nova estrutura que viesse a simbolizar os novos tempos, o tempo da esperança.

Começaram a construção, a cada dia ia crescendo a estrutura. O mundo se admirou: teria o gigante finalmente acordado?

A base da grande estrutura já estava pronta e começaram a erguer um grande poste. Alguém gritou: É uma forca! E todos os homens e mulheres cordiais riram e disseram: Pobre coitado, enlouqueceu!

Algum tempo depois colocaram uma trave sobre o poste e alguns homens e mulheres gritaram: É uma forca! E os homens e mulheres cordiais contestaram: Como pode ser uma forca? Não em nosso reino, o reino em que a esperança venceu o medo, isso só pode ser alucinação de quem perdeu a capacidade de sonhar.

Um dia, alguém denunciou as verdadeiras intenções daquele governo e revelou o projeto da estrutura que estava sendo construída. Além disso revelou a existência de uma organização que transcendia o próprio reino e a existência de outras estruturas similares em outros reinos ligados à essa organização.

Finalmente havia ficado claro: a estrutura que estava em construção era uma forca, igualzinha a que tinham destruído, apenas com uma cor diferente, trocaram o verde-oliva pelo vermelho-sangue.

Até hoje alguns homens e mulheres cordiais continuam defendendo que é a esperança que deve triunfar, ainda que o projeto da estrutura esteja desmascarado. Dizem que em seu reino a estrutura final será diferente, que é um reino que nada tem a ver com outros, apoiados pela tal organização.

O fato é que a maioria dos homens e mulheres do reino já tinham superado a fase da cordialidade ingênua e estavam sendo cada vez mais racionais, desenvolvendo um senso crítico e desconfiando de heróis salvadores do povo.








Foi assim que o Reino do Povo Cordial se tornou uma sociedade desenvolvida.


27/08/2018
Entre os dois, um século.

A principal obra de Adam Smith, foi publicada pela primeira vez na segunda metade do século XVIII, a de Karl Marx, um século depois, na segunda metade do século XIX. Todas as premissas de Adam Smith eram aceitas por Marx, não é à toa que sua obra mais importante se chama “O Capital”.

É importante salientar que ambos eram cientistas e filósofos, não políticos, ou seja, suas teorias eram e continuam sendo discutidas e utilizadas em toda a pesquisa sobre teoria econômica no mundo inteiro, despidas de qualquer viés ideológico.

A utilização política das ideias defendidas pelos dois é eivada de desvios e mesmo de erros crassos.






A principal desvirtuação das ideias de Adam Smith é a que diz respeito à concentração de riqueza natural nas economias mais liberais, tentando atribuir a ele a ideia de que o liberalismo resolveria todos as injustiças por obra da “mão invisível” do mercado.

Primeiro, não vem ao caso quais eram as preferências políticas de Adam Smith, o que é muito fácil de constatar ao ler sua obra é que a sua teoria tentava e conseguiu, diga-se de passagem, esclarecer os mecanismos pelos quais o mercado funciona. As frases destacadas no início deste ensaio demonstram muito claramente sua preocupação com as consequências desse fenômeno.



Mal comparando, o trabalho de Adam Smith se assemelha ao de Darwin. Darwin não propôs como as espécies deveriam evoluir, apenas observou como esse processo ocorria.

Marx, ao contrário, desenvolveu uma teoria de como as coisas deveriam evoluir.

Mal comparando, se assemelha à teoria da relatividade de Einstein, algo previsto matematicamente, mas que carecia de comprovação à medida que as pesquisas fossem avançando.










Das principais premissas de Marx, apenas a primeira continua sendo aceita: Só a economia de mercado propicia um ambiente propício ao desenvolvimento com estímulo à produção e à inovação.




Todas as demais foram paulatinamente sendo desqualificadas pela evolução da ciência econômica:
· O capitalismo chegará a satisfazer todas as necessidades humanas.  

A partir da segunda metade do século XX, principalmente a partir dos anos 80, as teorias econômicas foram demonstrando o caráter emocional do comportamento econômico das pessoas, seja em relação ao seu comportamento passivo ou ativo nos processos produtivos. Lembrando que cada um de nós atua nos dois lados dessa equação, ora trabalhando, ora consumindo.          

Essa constatação aliada às pesquisas do comportamento de consumo, deixaram claro que não há limites para as “necessidades” humanas. Assim que conseguimos algo que desejávamos muito, imediatamente transferimos nosso desejo para algo maior, melhor ou só mais caro.  

A psicologia e as neurociências demonstraram que a sensação de satisfação é sempre relativa e não tem nenhuma relação com o que temos, só com a necessidade de ter cada vez mais.

· Quando chegar esse momento a tensão entre capitalistas e proletários será insustentável.          

O fato é que, até em função das advertências que já haviam sido feitas por Adam Smith, as economias mais desenvolvidas foram incorporando políticas de distribuição e proteção social – algumas até excessivas e deseducadoras, como o Welfare State – que aliviaram quase totalmente essas tensões. A instituição de sistemas de seguro desemprego, previdência social, saúde e educação públicas, são exemplos dessas políticas, inclusive com a implementação de políticas de renda mínima em países mais desenvolvidos. Hoje se verificam mais tensões religiosas e raciais do que de classe.

· O socialismo manterá as conquistas do capitalismo.       

Aqui, na minha opinião, o maior engano de Marx.           

Apesar de admitir que só em uma economia de mercado livre o desenvolvimento necessário para atender as necessidades do homem poderia ocorrer, ao desconsiderar os “por quês” desse fato, admitiu que a sociedade, sob a ditadura do proletariado e com a planificação da economia, poderia manter a produtividade da fase anterior.              

Como já é aceito pela maioria das teorias econômicas, o estímulo para a eficiência e a produtividade vem do fato de que o desenvolvimento se mostra ilimitado, como o próprio desejo humano, portanto a riqueza precisa do desenvolvimento para ser criada.





É universalmente aceito, por marxistas ou não-marxistas, que as experiências conhecidas do socialismo real se deram contrariando as premissas básicas de Marx.

Em todos os casos significativos, com exceção da Comuna de Paris, na segunda metade do século XIX - talvez o primeiro movimento inspirado pelas ideias de Marx - foi apenas uma revolta contra um poder opressor e, na falta de outro tipo de liderança, acabou embarcando na aventura socialista sem ter a menor noção do que esse sistema era de fato.

O mais notável é, sem dúvida, o da Rússia, que depois constituiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esse, sem dúvida, o mais atrapalhado de todos, com uma sucessão de ideologias muito mais pessoais do que coletivas, com Lênin, Trotsky e Stalin se digladiando entre si para tomar a liderança do processo.

Ali, sem nenhuma das pré-condições estabelecidas por Marx, um país atrasado, agrícola, sem inserção expressiva no mundo capitalista, oprimido por uma realeza corrupta e incompetente, propiciou as condições para uma revolta popular, não pelo socialismo, mas contra o czarismo.

O oportunismo dessas lideranças jogou uma parcela significativa da população mundial, cerca de 5%, em um processo extremamente doloroso que, como era fácil, prever, desmoronou no início dos anos 90.

A China, depois de milênios de um regime imperial imperfeito, mas capaz de manter certa harmonia e permitir o desenvolvimento de uma das culturas mais ricas do planeta, passou por várias crises, culminando com as invasões japonesas, que aliás sempre foi o seu inimigo natural. Esse foi, em dúvida, o período mais trágico da sua história.

Após a libertação do jugo japonês, com os americanos apoiando Chiang Kai Shek e o seu Kuomintang, esse regime não conseguiu estabelecer um mínimo de harmonia, estendendo a crise por várias décadas da primeira metade do século XX.

Exatamente da mesma forma que na Rússia, Mao Tsé Tung se aproveitou da revolta popular contra a opressão de um governo totalitário e, ainda que sem respeitar nenhuma das premissas de Marx, implantou o socialismo na China - é bom frisar que quando se fala em comunismo em relação a essas experiências comete-se um erro, na verdade esses regimes nunca passaram da fase socialista, sendo o comunismo o estágio final do processo, quando a propriedade privada é totalmente extinta, esse estágio nunca foi experimentado no mundo.

Neste caso, depois da revolução que provocou grande prejuízo ao patrimônio cultural da China, Deng Xiaoping começou uma série de reformas que resultou em um sistema único no mundo, a coexistência do socialismo com o capitalismo, construindo a segunda maior economia do planeta. Neste caso, parece que negócio da China, só na China!

Em Cuba, Vietnam e Coréia deu-se o mesmo processo, uma revolta contra um poder opressor sendo aproveitada por oportunistas de ideologia enviesada, nem marxistas, nem anarquistas, apenas golpistas.

No Brasil, guardadas as devidas proporções - afinal nossas “revoluções” são sempre menos radicais do que no resto do mundo -, o socialismo, que já havia feito suas tentativas frustradas na primeira metade do século XX, com a Coluna Prestes e a Intentona Comunista, renasceu após a ditadura militar como um polo de aglutinação de todos os descontentes com a repressão.

Resumindo, podemos dizer que o marxismo está superado pela evolução das ciências econômicas e que o dilema em que vivemos é desenvolvimento x sustentabilidade.

Aqui uso a expressão sustentabilidade com uma abrangência bem maior do que da que tem sido empregada.

Considero que uma economia sustentável, além de preservar os recursos naturais e promover uma convivência harmoniosa entre o ser humano e a natureza, deve promover a estabilidade social. Isso não significa acabar com as mazelas de todas as sociedades humanas, que são fruto dos vícios a que todos nós estamos sujeitos, mas criar mecanismos fiscais de distribuição de renda e preservação de uma rede de proteção social capaz de garantir um nível de vida digno a todos os cidadãos de bem.

A partir dessa conclusão, podemos dividir o pensamento político-econômico do mundo atual em duas correntes:
RIR - Realização Interpessoal da Riqueza
Uma visão mais científica da política, que usa o bom senso e a lógica para entender os processos econômicos e políticos.
DOR - Distribuição Obrigatória dos Resultados
A visão que englobaria todas as ideologias baseadas na ideia do fim do mercado, erro já cientificamente aceito e que deve ser descartado como curandeirismo ou qualquer outro tipo de charlatanismo.

Bem, então como fica o discurso da alternância?

Quando defendo a alternância de poder, obviamente não me refiro à possibilidade de levar a esse poder grupos com ideologias falsas ou que busquem a hegemonia política, até porque eles não aceitam a alternância.

A alternância a que me refiro é em relação a desenvolvimento e distribuição ou, mais abrangentemente, desenvolvimento e sustentabilidade, embora o principal motivo seja a necessidade de evitar um poder hegemônico governando por períodos longos demais, o que provoca a deterioração administrativa e até moral do Estado.

Entretanto, já que a teoria econômica não resolveu de forma satisfatória a questão desenvolvimento com sustentabilidade, podemos propor, usando a metáfora criada por Joseph Campbell, uma divisão das ideologias em Brancos, que seriam os desenvolvimentistas e Vermelhos, os conservacionistas.

Após um período de desenvolvimento, com as inevitáveis perdas em distribuição e conservação, a população tenderia a ceder ao discurso dos distributivistas e conservacionistas, até porque haveria fundos suficientes para promover políticas nesse sentido.

Da mesma forma, após um período de distribuição e conservação, com a consequente perda de produtividade e alguma deterioração das finanças governamentais e do lucro das empresas, a população estaria mais propensa a levar ao poder pessoas que colocassem o trem nos trilhos novamente.










Quem rejeita esse tipo de solução acredita em fadas, o que definitivamente não é o meu caso!

Programa do João Amoêdo - 2018 - Comentado
23/08/2018

Conforme prometido aqui vai o programa do João Amoêdo comentado.

Programa do João Amoêdo - 2018 - Comentado