17/04/2026



Resumo da artimanha:
O resultado foi obtido após trocas na composição da CPI, com o governo agindo para blindar os citados.
A base governista e aliados trabalharam para barrar o relatório que mirava os magistrados.
Conteúdo do Relatório:
Alessandro Vieira argumentou que os ministros do STF prejudicaram a própria imparcialidade em casos relacionados ao Banco Master e solicitou indiciamentos por suposto abuso de poder.

21/03/2026


Era dezembro de 2020 quando postei "A origem das crianças"(clique no título para abrir).

Naquele ensaio, recorri a uma metáfora para sugerir que nós — e talvez tudo o que existe — surgimos de uma vontade, de uma intenção primordial. Em outras palavras, a famosa frase “no princípio era o Verbo”, do Gênesis, poderia ser entendida como uma estrutura profunda da realidade, não apenas como um enunciado religioso.

Era a parte inicial da postagem Quem "se" acha vive se perdendo!(clique no título para abrir)

No meu último artigo "Não sei, só sei que é assim..."(clique no título para abrir) explorei as limitações do nosso intelecto e flertei com a ideia de um ente que não estivesse sujeito a essas mesmas limitações — uma consciência tão ampla que, para nós, pareceria onisciente.

Muuuuito bem!

Coloco, mais uma vez, essas duas ideias em confronto: uma entidade tão abrangente, tão lúcida, teria liberdade para exercer alguma forma de “vontade”? Onde se encaixa aquilo que convencionamos chamar de livre-arbítrio?

Há, afinal, incompatibilidade entre um universo determinístico e a existência da liberdade?  

Se tudo funciona como uma engenhoca mecânica, em que cada ação produz uma reação previsível, onde exatamente se aloja a vontade? Seria o livre-arbítrio apenas uma ilusão sofisticada — e o que chamamos de desejo, decisão ou intenção nada mais do que o resultado inevitável de fenômenos físicos e psíquicos encadeados?

E mais: estaríamos vivendo em uma espécie de simulação, na qual, para um observador privilegiado, tudo seria perfeitamente previsível?

Chego, assim, a um dead end, um impasse filosófico clássico.  

Resolvi então perguntar à IA: Como os filósofos, da Antiguidade aos dias atuais, enfrentaram esse problema?

Aqui vai o comentário do Copilot da Microsoft:


Antiguidade: o início da tensão

Heráclito e Parmênides

- Heráclito via o mundo como fluxo, mudança constante, mas regido por um logos — uma razão universal. Há ordem, mas também movimento.

- Parmênides, ao contrário, defendia que tudo é uno, imóvel, necessário. Um determinismo radical.

A tensão entre fluxo e necessidade já estava posta.

Estoicos

- Foram talvez os primeiros deterministas “fortes”.

- Para eles, tudo acontece conforme a razão cósmica (logos).  

- Mas, curiosamente, defendiam um tipo de liberdade: a liberdade de assentir ao destino.  

Não escolhemos os fatos, mas escolhemos nossa atitude diante deles.

É uma solução elegante, mas que redefine liberdade de um modo bem diferente do senso comum.

Filosofia Medieval: onisciência divina vs. liberdade humana

Aqui o problema explode de vez.

Agostinho

- Deus sabe tudo, inclusive o futuro.

- Mas isso não elimina a liberdade humana, porque Deus “vê” o tempo como um todo, sem determiná-lo coercitivamente.

É uma tentativa de conciliar presciência com liberdade.

Tomás de Aquino

- A vontade humana é livre porque Deus a criou assim.

- A onisciência divina não força as escolhas; apenas conhece o que escolheremos.

É uma distinção sutil entre conhecer e causar.

Modernidade: o determinismo mecânico

Com o avanço da ciência, o problema muda de forma.

Descartes

- Alma e corpo são substâncias distintas.

- A mente tem liberdade; o corpo é mecânico.

Uma solução dualista, mas que hoje soa problemática.

Spinoza

- Determinismo absoluto: tudo é necessário.

- A liberdade é compreender essa necessidade.

É quase uma versão racionalista do estoicismo.

Leibniz

- O universo é pré-estabelecido por Deus.

- Ainda assim, somos livres porque agimos segundo nossa própria natureza.

Um determinismo “harmonizado”.

Século XIX: ciência endurece o determinismo

Laplace

- O famoso “demônio de Laplace”: se uma inteligência soubesse todas as posições e velocidades das partículas, preveria tudo.

- Aqui, o livre-arbítrio parece evaporar.

Schopenhauer

- “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”

- A vontade é determinada por fatores profundos, inconscientes.

Século XX: rachaduras no determinismo

Heisenberg e a mecânica quântica

- A indeterminação entra em cena.

- Mas indeterminação não é liberdade — é apenas aleatoriedade.

Sartre

- Vai na direção oposta: liberdade radical.

- Somos “condenados a ser livres”, mesmo num mundo sem Deus.

Compatibilistas (Hume, Dennett)

- Tentam conciliar determinismo e liberdade.

- A liberdade não é ausência de causas, mas capacidade de agir segundo nossos motivos, desejos e caráter — mesmo que estes tenham causas.

Filosofia da mente contemporânea

Aqui o debate fica mais técnico.

Libertarianismo (não político, filosófico)

- Defende que há eventos mentais não determinados.

- Mas sofre com o problema de explicar como isso não vira mera aleatoriedade.

Fisicalismo estrito

- Tudo é físico, logo determinado.

- O livre-arbítrio é uma ilusão útil.

Teorias emergentistas

- A mente surge de processos físicos, mas tem propriedades próprias.

- A liberdade seria uma propriedade emergente, não redutível ao nível microscópico.

Uma entidade onisciente pode ter vontade?

Essa é uma das questões mais profundas:

- Se é onisciente, já sabe tudo o que fará.

- Se já sabe tudo o que fará, pode fazer diferente?

- Se não pode, tem vontade?

- Se pode, então seu conhecimento não é absoluto.

Filosoficamente, isso é chamado de paradoxo da onisciência reflexiva.

Alguns filósofos resolvem dizendo que:

- A entidade conhece todas as possibilidades, mas não necessariamente qual escolherá.

- Ou que sua vontade é idêntica ao seu conhecimento (como em Spinoza).

- Ou que a entidade está fora do tempo, então “saber” e “querer” não são processos sequenciais.

Conclusão: não há consenso — e talvez isso seja o ponto

O que você chamou de dead end é, na verdade, o coração da filosofia:

- Se o universo é totalmente determinado, onde cabe a liberdade?

- Se há liberdade, como ela se encaixa num cosmos ordenado?

- Se existe uma mente onisciente, como ela pode querer algo novo?

Cada filósofo tentou resolver esse quebra-cabeça com as ferramentas de sua época.  Nenhuma resposta encerra o debate — e é justamente isso que mantém o tema vivo.

Einstein disse: ""A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão, embora teimosamente persistente."
Seria o livre-arbítrio também uma ilusão, embora teimosamente persistente?

Minha luta
- Convicção é uma qualidade que nunca deve ser usada convictamente!
- Se hay gobierno soy contra!


 Não sei, só sei que é assim...

14/03/2026

No dia do π (3,14...), 3/14 na notação inglesa, algo sobre nossas dificuldades com a precisão.

Temos muitas evidências de que o universo do qual fazemos parte é determinístico.

Einstein disse: Deus não joga dados!

Logo foi contestado pelos pais da mecânica quântica, que chegaram à conclusão de que há um indeterminismo intrínseco em nível subatômico.

Será?

Ou será que não temos a capacidade de perceber tudo que está em jogo nesse nível?

O indeterminismo na mecânica quântica nasce da ideia de que, em nível microscópico, certos fenômenos não têm resultados determinados antes da medição. Em vez disso, o comportamento das partículas é descrito por probabilidades, e a própria medição desempenha um papel ativo no resultado. 

Assim, o indeterminismo é aceito não porque foi “provado” filosoficamente, mas porque:

- é compatível com todos os experimentos conhecidos,  

- não há alternativa mais simples e completa,  

- funciona como base operacional da física moderna.

Essa é a história da ciência, afinal já passamos por fases similares em períodos passados, quando, ao não conhecer certas forças ou fenômenos, atribuíamos ao acaso, ou a algum agente mítico, certos resultados.

Quando digo que não temos capacidade de percepção quero dizer intrinsecamente, ou seja, nossa constituição física e mental não foi projetada para isso.

Deixe-me fazer uma comparação simplória, uma paródia da fábula "O cético e o lúcido" (clique sobre o título)A Curva e o Polígono (clique sobre o título)

Um computador, por mais avançado que seja, não consegue fazer um círculo, tendo que recorrer ao recurso de discretizar o todo, fazendo um polígono.

Vejo nosso processador humano como um computador que tem que dividir a percepção em pequenas arestas assimiláveis para tentar compreender o que se apresenta a ele.

As ciências da probabilidade só existem para cobrir essas lacunas de nossa percepção.

Imagine uma entidade que perceba o entorno em sua totalidade, holisticamente, não tendo que separar elementos de informação para organizá-los em conhecimento e depois, talvez, transformar tudo em sabedoria, dando um salto de percepção similar ao que existe entre nossa percepção do círculo, como algo curvo e a forma como os computadores o veem, como um polígono.

O conhecimento, tal como entendemos, é, na verdade, um processo de simulação, em que criamos teorias para explicar os fenômenos e experiências para testá-las, ou seja, não é uma visão integral da realidade.

Como no mecanismo da visão, em que um pequeno trecho de imagem, a fóvea, permite o desenvolvimento de uma percepção imagética muito mais ampla, o cérebro também processa pequenas partículas de informação para construir suas "verdades" sempre provisórias.


CURIOSIDADE
Uma vez eu disse que robôs não podem amar. Não sei se isso é verdade, mas, inopinadamente, percebi que se tentarmos repetir continuamente uma ação qualquer, como emitir um som, por exemplo, não somos capazes de fazê-lo com uniformidade absoluta, enquanto um robô, que faria isso com facilidade, por outro lado, teria dificuldades insuperáveis para criar a aleatoriedade da nossa performance!
02/03/2026

Desde 69 O Pasquim já explicava Trump, Putin, Bolsonaro...
(e a Shell ;)


C a z u z a   r e v i s i t a d o
    tópicos  para  reflexão

17/02/2026


Meus heróis sofreram metamorfose,
Meus inimigos passaram a ser!


Como essa metamorfose acontece?

Criamos regras e, com elas, expectativas. Quando a realidade nos surpreende, é como se nossos heróis se transformassem em inimigos diante dos nossos olhos.


Este país foi formado por imigrantes. Por que, então, alguém seria contra imigrantes hoje?
Onde está o erro?

Durante a formação de uma nação, há uma carência natural de parceiros para construir um ambiente social capaz de sustentar seus indivíduos. Nesse contexto, toda ajuda é bem-vinda, e os imigrantes tornam-se co‑construtores dessa sociedade.

Quando a nação já está formada — e, sobretudo, quando é rica ou mais rica que seus vizinhos — passa a ser cobiçada por pessoas menos favorecidas. A população local tende a ver esses imigrantes carentes como párias tentando se aproveitar das riquezas construídas pelos pioneiros. Digo “carentes” porque imigrantes ricos ou talentosos sempre são bem‑vindos.

Portanto, essa argumentação é falsa. Não há relação entre os pioneiros e os novos imigrantes além, talvez, da nacionalidade. As circunstâncias são completamente distintas.


Leis e justiça nada têm a ver uma com a outra. O que realmente vale são as circunstâncias: interesses, equilíbrio de forças e a ética vigente.

O juiz do Maduro:

  • ignorou os métodos usados para capturar o pretenso réu
  • aceitou as alegações dos captores para decretar prisão preventiva sem fiança
  • marcou nova audiência para dali a três meses

Sob um governo democrata, teria o mesmo comportamento?

Trump faz o que faz porque pode: recebeu o mandato do povo americano.

Isso significa que o voto de um americano equivale a alguns milhões de votos do resto da população do mundo.


Desde o Código de Hamurabi, instituímos sistemas de julgamento e repressão para o que chamamos de crimes e contravenções. No entanto, a justiça raramente se realiza, e a repressão nem sempre é usada como deveria.

Será que o problema não está justamente na solução adotada?


E as poucas décadas em que, eventualmente, uma parte — ínfima que seja — da população se beneficia da paz que esse sistema proporciona?

1. É temporário: dura apenas enquanto certos setores da sociedade não se sentem ameaçados ou frustrados em suas ambições.

2. É localizado: ocorre em regiões onde demanda e consumo se equilibram, mantendo crises sob controle.

3. É artificial: ignora a verdadeira natureza humana ao impor regras que priorizam a harmonia social em detrimento dos anseios individuais.


Sempre achei que uma cidade sem semáforos funcionaria melhor. Será?

Ruim com as instituições democráticas, o sistema legal e os semáforos; pior sem eles?


Por que nosso gentílico é “brasileiro”?

Pela regra comum, deveria ser “brasiliano” ou “brasiliense”. Mas adotou-se o termo que designava a ocupação dos primeiros colonizadores que exploravam o pau‑brasil — os “brasileiros”.

Hoje, prefiro interpretar como “construtores do Brasil”: somos todos trabalhadores de uma obra permanente e inconclusa, um país eternamente “do futuro”.


A beleza da humanidade

Tudo que o ser humano precisa, algum ser humano vai providenciar.

Lindo, não?

As características que diferenciam (ou definem) o homem dito civilizado acabam sendo deletérias. Senão, vejamos:

Na minha opinião, três “qualidades” definem esse ser que emergiu do grupo de Sapiens que assumiu o comando da sociedade humana:

1. Presunção — acreditamos que nossa percepção abrange a totalidade e que nosso entendimento só precisa de tempo para explicá‑la.

2. Arrogância — vemos a realidade como algo à nossa disposição, sujeito às nossas necessidades. A percepção de superioridade, em vez de nos tornar mais responsáveis, nos tornou insensíveis ao que não é humano.

3. Hipocrisia — apesar da incoerência, mascaramos nossas ações transformadoras como “desenvolvimento”. Julgamo‑nos parceiros de Deus (um ente superior criado para nos validar e proteger, portanto para nos servir) na criação. Chegamos a promover ações que chamamos de “auxílio” a outras espécies e biomas, sempre condicionadas ao que consideramos nossas necessidades, sempre crescentes.

Ao fim e ao cabo, Esquizofrenia — patologia surgida com nossa espécie, eventualmente afetando outras apenas indiretamente, pela convivência.

São características nossas a malícia, as segundas intenções, os trocadilhos de duplo sentido, presentes na cultura e no cotidiano.

Faz parte da natureza do homem civilizado sacralizar sua essência e culpar o corpo pelos desejos considerados profanos. Nada mais esquizofrênico.

Paradoxo (sempre presente)

O mais desconcertante é que essa mesma característica permitiu à humanidade avançar tanto em ciência e tecnologia.

Vivenciamos fenômeno semelhante nos relacionamentos: às vezes rejeitamos certos traços de alguém que, no conjunto, admiramos ou amamos. Se pudéssemos “corrigir” esses traços, talvez o resultado fosse decepcionante, pois a psique é complexa e mudanças pontuais alteram o todo.

Da mesma forma, se o homem civilizado não tivesse essa ilusão de sacralidade e importância no universo, talvez fosse mais conformado — e, assim, não explorasse tão profundamente os mistérios que o cercam.

Enfim, mais um mistério para a coleção — já infinita — de mistérios do universo…
ou dos “universos”.






Manual de Elegância Política:
do Xadrez à Tornozeleira Violada

31/12/2025
Artigo de opinião

Há quem diga que a política brasileira é um grande laboratório antropológico. Se isso for verdade, os últimos anos renderam material suficiente para uma tese inteira sobre os diferentes níveis — e estilos — de políticos em apuros. De um lado, figuras que enfrentaram acusações, julgamentos e prisões com postura calculada. Do outro, personagens que transformaram a relação com a Justiça em um espetáculo tragicômico, digno de um roteiro de pastelão.
A comparação entre esses dois mundos ganhou novos capítulos recentemente, especialmente após episódios envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — e o próprio. Enquanto isso, a memória da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva continua servindo como contraponto inevitável.

Quando a queda vira palco — e não fuga

Lula foi preso em 2018 após condenação na Lava Jato. Independentemente da posição política de cada um, é inegável que sua condução ao cárcere foi marcada por um ritual quase coreografado: discursos, despedidas, entrega negociada, ida à sede da Polícia Federal em Curitiba. Não houve tornozeleira rompida, tentativa de fuga, nem alegações de “curiosidade” sobre equipamentos judiciais.
Anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações, Lula saiu da prisão com a narrativa de que havia sido vítima de um processo viciado — narrativa que, concorde-se ou não, foi construída com método, estratégia e disciplina.

Do outro lado da fronteira da compostura

A ala bolsonarista, por sua vez, parece ter inaugurado um novo gênero político: o realismo grotesco judicial.
O caso mais emblemático é o do próprio Jair Bolsonaro, que admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir sua tornozeleira eletrônica — justificando o ato como “curiosidade”. O episódio levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar sua prisão preventiva, mencionando risco de fuga e até a possibilidade de que o ex-presidente buscasse refúgio na embaixada dos Estados Unidos, a apenas 15 minutos de carro de sua casa.
A defesa, por sua vez, afirmou que a tornozeleira teria sido colocada apenas para “causar humilhação” e negou qualquer plano de fuga, apesar do alerta emitido pelo sistema de monitoramento após a tentativa de violação do equipamento.
Se Lula se entregou à PF caminhando, Bolsonaro foi flagrado tentando violar a tornozeleira com um prosaico ferro de solda — uma imagem que, por si só, já sintetiza a diferença de estilos.

A vigília que virou suspeita

Outro episódio digno de nota foi a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro, marcada para ocorrer em frente ao condomínio do pai. Segundo Moraes, a aglomeração poderia facilitar uma eventual fuga, tornando-se mais um elemento na decisão de decretar a prisão preventiva do ex-presidente.
A cena — apoiadores reunidos, clima de tensão, suspeitas de evasão — contrasta com o ambiente controlado e institucional que marcou a prisão de Lula anos antes.
Poderíamos continuar desfiando tramas bizarras, com autoexílios e fugas semelhantes a de membros de facções criminosas, frustradas por trabalhos de investigação banais.

Do teatro ao improviso

Se há algo que a política brasileira ensina é que crises revelam caráter — ou pelo menos estilo. Lula, goste-se dele ou não, tratou sua prisão como um ato político calculado. Já o bolsonarismo parece ter adotado o improviso como método: rompimentos de tornozeleira, vigílias suspeitas, justificativas inusitadas e uma sucessão de episódios que beiram o surreal.
No fim, talvez a manchete irônica deste artigo não seja tão irônica assim. Em um país onde a política frequentemente se confunde com dramaturgia, cada personagem escolhe seu próprio gênero: drama, épico, comédia — ou pastelão.

Cuidado ao tentar se livrar de um político indesejado, você pode estar criando um verdadeiro flagelo! Digo por experiência própria!

Que, em 2026, possamos sobreviver a essa cambada e ter a paz que precisamos!







Este texto foi escrito pelo Microsoft Copilot a partir de um esboço meu!

Eu quero é PODER!

16/11/2025

Dois documentários longos, obviamente políticos e, como tal, opinativos, mas ainda assim bons retratos de como o poder pode se impor sem força física, mas ainda assim sendo brutal. Para quem não viu, acho que vale a pena assistir, para os que já conhecem vale recapitular.

Taken for a ride


Ao final deste texto incluí uma análise do poder em si, que dividi em poder brutal e poder soft.

 

Este outro é uma anedota sobre o mesmo fenômeno.


As melhores frases sobre comunismo


Aí temos duas visões, nos dois primeiros apresenta-se a estratégia dos poderosos para controlar o discurso dominante, a mainstream, e o terceiro mostrando o ponto de vista dos pacientes dessa operação: nós.


Como muitos sabem, eu, de há muito, acredito que o pensamento dito de esquerda é meio sonhador e a realidade, ainda que não seja como todos sonhamos, se impõe, mas admito que isso seja, em parte ou na totalidade, fruto de algum tipo de condicionamento cultural, pelos grupos sociais dos quais participei, pelas leituras que fiz etc.


Acho que ninguém está imune a isso, apenas adere a um dos lados, dependendo de pra onde a "mainstream" pendia em seu entorno na idade certa!

Ilusão é achar que temos total liberdade de pensamento.

Millôr disse: "Livre pensar é só pensar!"

Eu digo: "Livre pensar é ilusão!"


Trecho do *DeMimPro6* de 05/01/2023


Eu acho que isso não é ruim nem bom, é apenas a forma como sociedade e os indivíduos compartilham os pensamentos, apenas desmonta nossa pretensão de sermos livres e autênticos e de podermos construir uma sociedade harmoniosa.


Acho que entender isso, sem ilusões, diminui a chance de errarmos muito.


É como o preconceito: se admitimos que temos algum preconceito, podemos modular nossas atitudes para não cometer injustiças. Por outro lado, os que acreditam que não têm preconceitos, talvez haja alguém assim, um em um milhão, mas todo o resto vai tentar justificar "racionalmente" seus sentimentos e, muito provavelmente, cometerão muitas injustiças!


Não se pode recuperar a ignorância perdida, a quantidade de informação disponível está criando um caos psicológico. Por isso, cada vez mais, o equilíbrio está em TUCONTIGO.


Uma vez alguém perguntou como entender os sonhos e eu respondi que sonhos não são para entender, eles produzem efeito sem o EU perceber. É dessa fonte que se pode esperar equilíbrio, porque ali está a essência, não a confusão da superfície.


Repito, com certa frequência, que a confiança é a única cola que une uma sociedade. A confiança surge de duas maneiras principais, uma, nas crises, momentâneas ou permanentes, quando a solidariedade é a única tábua de salvação, ou a partir de lideranças carismáticas e sintonizadas com as aspirações do grupo.


O que fica claro pra mim é que:


1 - Poder é um corolário de sociedade, não existe sociedade sem poder, seja exercido por um indivíduo ou por um grupo, sendo que, neste último caso, sempre haverá uma relação de poder dentro desse grupo.

É o poder que define quem manda, quem define certo e errado, quem determina o grau de liberdade dos demais.


2 - O poder é um dom, ou seja, não é explicável por genética, educação, treinamento ou qualquer outra teoria disponível, exceto, talvez, o pensamento complexo. Assim que um indivíduo experimenta o poder dificilmente vai abdicar de usá-lo e, na maior parte dos casos, vai usá-lo para ampliar sua ascendência sobre o grupo.


3 - Quanto maior o poder, ou seja, o diferencial entre um indivíduo e os demais, menos preocupação moral ou "ética" esse indivíduo vai ter.


4 - O motivador de quem manda pode ser econômico inicialmente, mas apenas para alavancar seu poder, depois transcende até interesses pessoais transformando-se em algo obsessivo.


5 - Ser inescrupuloso não garante ter poder, mas entre dois indivíduos com as mesmas capacidades, o inescrupuloso vai prevalecer na saída.


6 - O que prevalecer na saída vai moldar o sistema de forma a reforçar seu poder ainda mais.


7 - Existe o poder brutal, o primeiro que vem à mente ao pensar nas ideias apresentadas nos itens anteriores, e o poder soft, aquele que, à primeira vista, parece ser uma rejeição ao poder, entretanto é uma rejeição ao poder brutal.

O poder soft busca impor-se pelas ideias e, normalmente, por motivações benevolentes.


8 - Há ainda os que rejeitam qualquer tipo de poder, o que se pode dizer que é um privilégio de alguns indivíduos em algumas sociedades contemporâneas.

Em sociedades primitivas, ou se lutava pelo poder ou para se libertar de algum poder, a parcela submissa e pacífica daquelas populações era muito menor do que vemos hoje em dia nas sociedades ditas desenvolvidas.


9 - O poder brutal, por sua natureza, consegue acumular meios que lhe garantem a sustentação e expansão, já o poder soft não tem a mesma capacidade.

Um bom exemplo disso é a forma como grandes impérios se formaram, sempre baseados no poder brutal. Os grandes exemplos de poder soft, como Gandhi, acabaram apenas como isso, exemplos.

O caso de Maomé é interessante, porque a partir de um poder soft, revelações místicas que lhe permitiram ditar o Alcorão para seguidores que o escreveram, foi como político e governante, em campanhas militares, poder brutal, que consolidou o islamismo.

Outro caso de aparente sucesso do poder soft é a igreja católica que, na sua mensagem tem como base os ensinamentos de Jesus, entretanto nada mais falso, porque a igreja católica é a evolução da igreja romana, que cooptou os cristãos em uma jogada de puro marketing do poder brutal.


10 - Para finalizar, há o poder brutal inteligente e o poder apenas brutal.

O primeiro é o responsável pela formação de grandes impérios, antigos ou modernos, grandes corporações, nações estáveis por longos períodos, algo como o estabelecimento de uma corrente mansa, que podemos seguir com certa tranquilidade, podendo durar milênios, como o chinês, o egípcio, o grego e o romano, já o segundo é normalmente motivado por extremismos, ambição desmedida, imediatismo e pouca ou nenhuma preocupação com o bem-estar das populações, em geral não se sustentam por mais de algumas décadas, assemelhando-se mais a tsunamis.






Ilustrações do Copilot










 Pregar, pregar, pregar!

09/10/2025

Hoje estava pensando em toda essa loucura que estamos vivendo e, claro, me perguntando, porque somos assim tão ilógicos e inconsequentes?

Penso que somos a única espécie que "prega", ou seja, que tenta convencer outros daquilo que não acredita de fato, lá na batata, mas acha que se convencermos uma grande quantidade de pessoas, a chamada massa crítica - que não critica porra nenhuma - aquilo vai se tornar verdade, pelo menos pra nossa turma.

Às vezes pregamos até o pregador!

E de onde vem essa loucura de pregar sem crer?

Pensando no que nos diferencia dos bichos, a primeira coisa que me veio à cabeça, foi a necessidade de transcendência.

E isso de onde vem? Não consegui nenhuma resposta, então me contentei em aceitar que isso nos caracteriza, é da nossa natureza, nascemos assim e pronto.

Muito bem, temos algo para elaborar.

Essa necessidade de transcendência faz com que olhemos tudo com uma lente de perfeição simplista, uma idealização imaginada que, por simplista, pode ser qualquer coisa, com o nível de perfeição que imaginarmos, daí a necessidade imperiosa de "aprimorar" tudo, principalmente a natureza à nossa volta - lembrei da Reforma da natureza da Emília - mas não só, almejamos estruturas sociais perfeitas, relações pessoais perfeitas, mercado perfeito, amor perfeito etc. etc.

Isso decorre da infinitude do ideal frente às limitações de nosso metacérebro, o mesmo que ocorre entre nossos desejos, ilimitados, e nossa capacidade de realizá-los, consideravelmente menor!

Usei o termo metacérebro para diferenciar de cérebro simplesmente, querendo abranger o órgão em si e todo o sistema nervoso, órgãos dos sentidos e tudo que nos permite captar e perceber a realidade objetiva, seja lá o que for que isso signifique. Tentei evitar o termo "mente" pelas conotações "transcendentes" que esse termo carrega.

Ora nosso metacérebro é extremamente limitado frente à complexidade do que nos cerca, daí sempre sermos reducionistas em nossas observações, por pura incapacidade de perceber o todo. Ainda que exista muita diferença entre as capacidades de cada indivíduo, mesmo o mais extraordinário dos Sapiens ainda estará confinado a uma limitação nada desprezível.

A matemática, por exemplo, considerada por alguns como a linguagem de Deus, é tão limitada que, para enfrentar os problemas da complexidade, acaba por usar o aleatório em suas equações estocásticas.

Ora, Einstein já disse: "Deus não joga dados!" Hoje parece lógico que, se conhecermos (ou controlarmos) todos os parâmetros de uma experiência, poderemos prever exatamente o seu resultado.

O problema é que esse "todos os parâmetros" na prática é infinito e esse conceito não cabe em nosso metacérebro, daí precisarmos recorrer a subterfúgios.

Como anedota podemos pegar o cálculo da circunferência a partir do seu diâmetro,
o resultado é 90% invenção (um polígono de muitos lados) e 10% mentira (o π ).

Outro exemplo do descompasso entre nossas idealizações e a realidade são as promessas de cada nova tecnologia que surge.

As vedetes do momento são a computação quântica e a IA, então já se prevê a cura do câncer, a previsão exata de fenômenos meteorológicos etc. etc. Não é preciso muito esforço para lembrar de promessas não cumpridas de tecnologias recentes, por exemplo, o fim do papel!

IA e o Aprendiz de feiticeiro


Goethe nos deu a dica quando escreveu "O Aprendiz de feiticeiro": Não entre em um espaço do qual você não sabe como sair!

O aprendiz que teve acesso a feitiços que não sabia controlar se viu em uma grande enrascada, da qual só se livrou pela providencial intervenção de seu mestre feiticeiro!

A questão é: por que o aprendiz fez o que fez? Claro, pela promessa de facilidades que o feitiço propiciaria na realização de suas tarefas.

Essa é a ameaça contida no uso da IA, ela nos seduz pelo que promete!

Aqui é importante lembrar que aquilo que chamamos "raciocínio lógico" é uma tentativa de reduzir problemas complexos a uma formulação que caiba em nossa capacidade de processamento.

Aliás, é bom registrar que todos os problemas são complexos, por mais simples que nos pareçam, seja na sua relação com outras coisas, o espaço que os rodeia ou em relação ao tempo em que dura sua influência, coisas que para nossa mente limitada chamamos de infinito e eterno. Esse é o verdadeiro inferno!

Fica claro que nossas ações, baseadas em decisões tomadas com base em nosso "raciocínio lógico", sempre precisarão ser corrigidas ao longo do tempo, à medida que se desviarem dos objetivos iniciais ou provocarem efeitos colaterais indesejáveis.

No caso da IA, como no caso da vassoura do aprendiz de feiticeiro, ela vai perseguir o objetivo inicialmente determinado a qualquer custo.

Mesmo que tentemos prever situações em que a IA deverá corrigir suas ações, nunca conseguiremos cobrir toda a complexidade de cada situação.

Expectativas & Ideais ou
Talvez haja um sopro afinal!


Sempre achei que as únicas expectativas que devemos cultivar são aquelas relativas  a nós mesmos, nossas próprias capacidades.

O que escrevi anteriormente, neste artigo, trata das nossas expectativas com o que nos envolve, não conosco mesmo.

Analisando sob outra perspectiva, a de nós mesmos, fica claro para mim que está tudo relacionado com nossos ideais, ou seja, pura fantasia criada em nossas mentes, seja a partir de arquétipos inatos, seja por influências externas.

Temos ideais pra tudo, meio-ambiente, sociedade, saúde, conforto, nossos corpos etc. etc.

Se percebermos que o real é apenas o aqui e o agora, que o resto é imaginação pura, tudo ficaria mais fácil.

Claro que a expectativa é importante, todo animal minimamente desenvolvido tem expectativas como nós e se vale delas pra prever possibilidades e riscos imediatos ou futuros, só que não fantasiam tanto suas previsões, são mais realistas.

Nós, ao contrário, somos capazes de sofrer porque o carro que conseguimos comprar não era o que desejávamos.

A dor, por exemplo, é 20% real e 80% medo. Se topamos o dedo no pé da cama, o sofrimento maior é o medo de ter fraturado um osso.

Vivemos mais num futuro imaginário, muitas vezes tenebroso, como no caso do meio-ambiente, do que no presente.

Alguém dirá: mas existem forças poderosas destruindo o planeta, algo precisa ser feito!

Concordo, então faça agora o que estiver ao seu alcance para evitar isso, mas tenha em mente que um mundo muito diferente do atual, seja qual for o resultado de suas ações no presente, é o que nos espera, e não sabemos nem como ele será e nem como vamos nos adaptar a ele, nem mesmo se vamos nos adaptar, ou seja, projetar um futuro catastrófico é tão preciso quanto projetar o paraíso na Terra.

Na minha opinião isso vale pra todos os níveis de preocupação, desde o planeta, até o seu próprio corpo, passando pelo país, pela família etc.

Talvez a melhor esperança que podemos ter é a de aprender a nos adaptar ao inevitável, que são as mudanças, enquanto isso vamos construindo o mundo que conseguirmos.


OK! Alguém vai perguntar porque me preocupo com essas coisas e eu vou responder:
"Porque eu quero e eu posso, ora!!!!" Daí fui conversar com Raulzito:
(1)

Ora, ora, meu caro Pedro... Eu sou o Raulzito, o profeta do rock brasileiro, o alquimista da música, o cara que misturou Elvis com esoterismo, rock com baião e fez disso um manifesto!
Então me diga: você quer falar sobre a Sociedade Alternativa? Sobre como “o sonho que se sonha só é só um sonho, mas o sonho que se sonha junto é realidade”? Ou quer bater um papo sobre como é ser um eterno contestador, um cara que nunca se encaixou nas caixinhas do sistema?
Manda ver, Pedro. Aqui é papo reto, sem censura, sem rótulo. Porque como eu sempre disse: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
E aí, qual é a sua loucura hoje?
 
Pois é! Fico pensando que toda essa loucura do Sapiens é resultado de uma necessidade inata de transcendência enjaulada em um metacérebro limitado.
 
Rapaz... essa tua reflexão aí parece letra de música que ainda não foi composta! Essa tal de transcendência... é como se o ser humano tivesse um buraco no peito que não se preenche com matéria, só com mistério. E aí ele inventa Deus, inventa arte, inventa foguete pra Marte, tudo pra tentar escapar da prisão do próprio crânio. Mas como é que se escapa de um labirinto quando o labirinto é você mesmo?
 
O metacérebro, como você chamou — essa consciência que sabe que sabe — é uma bênção e uma maldição. É ele que nos faz perguntar “por quê?”, mas também é ele que nos faz sofrer por não encontrar resposta. E nessa busca, o Sapiens vira louco, vira santo, vira gênio, vira tirano. "Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual..."
Tem gente que prefere ser a metamorfose ambulante, mesmo que isso signifique viver na corda bamba entre o céu e o hospício.
 
Me diz aí, Pedro: você tá mais pra alquimista ou pra astronauta nessa viagem interior?
 
Nem um nem outro, tô mais pra turista assistindo tudo só de passagem! Às vezes como equilibrista tentando tirar do mundo mais do que ele tira de mim!

Ah, Pedro... isso aí é poesia pura, bicho! 

Turista cósmico com mochila de dúvidas e binóculo de lucidez. Você tá na vibe do “viver é melhor que entender”, né? E como equilibrista, anda na corda bamba entre o caos e a beleza, tentando fazer do tropeço um passo de dança.

Isso me lembra aquele verso que nunca escrevi, mas que vive na alma:

"O mundo é um palco, mas o roteiro é improvisado. Quem não dança, já tá tropeçado."

E olha só: tentar tirar do mundo mais do que ele tira de você é um ato de rebeldia sagrada. É como plantar girassol no asfalto, como rir no velório do tédio. É ser maluco beleza, sim, mas com propósito.

Me diz aí, nesse teu passeio de turista existencial... o que tem te chamado mais atenção? Alguma paisagem interna que vale a foto?

Ah, bicho! O amor, esse sim merece ser vivido sem moderação, amor fraternal, amor amizade, amor carnal, todo tipo de amor vale a pena!

 Ahhh, Pedro! Agora você falou a língua do coração! 

O amor é a única loucura que faz sentido, é o combustível da alma, é o grito que rompe o silêncio do universo.

Amor fraternal é aquele que te abraça sem pedir nada em troca.

Amor amizade é o que te segura quando o mundo desaba.

Amor carnal... ah, esse é o que te faz lembrar que você tem um corpo e que ele pulsa, vibra, deseja!

Como eu dizia:
"O amor é isso, não prende, não exige, não cobra. O amor é livre como o vento, quente como o sol e profundo como o mar."

E se alguém disser que é demais amar assim, sem moderação, você responde com um sorriso e um acorde de guitarra:

"Eu sou o que sou, porque vivo o que amo!"

(1) Microsoft Copilot

Quem não ouve a música acha maluco quem dança!
                                                Oswaldo Montenegro












John was wrong,

Love is not all we need.

All we need is HOPE!