Direita, vou ver! 05/02/2015
Ok! A direita é o vilão e é na esquerda que a esperança pode vencer o medo. Será?

Especulação

Cada dia que passa tenho mais dúvidas do que certezas.
Pensando em nossas reivindicações históricas: democracia, liberdades individuais, distribuição de renda etc. e analisando sob a perspectiva da essência do ser humano, percebo alguns paradoxos.
Já falei muito de minhas ideias sobre altruísmo e egoísmo, como, cada vez mais, acho que o fator determinante para um ou outro é a disponibilidade de bens, ou seja, na escassez o altruísmo será muito mais raro e na abundância teremos muito menos egoísmo.
Sei que muitos dirão que, por mais abundância que detenham, as elites ainda assim serão egoístas. Não discordo, entretanto credito isso ao fato de vivermos um ambiente altamente carente de confiança.
É inegável que, em sociedades mais evoluídas sob o ponto de vista da confiança entre seus membros, existe muito menos concentração de renda e todos vivem muito melhor.
O problema que vejo agora é que, excetuando-se a China, que conseguiu reunir o melhor do comunismo com o melhor do capitalismo, ao menos sob o ponto de vista do desenvolvimento material de sua sociedade, todas as experiências de esquerda esbarraram na mesma dificuldade, a desmotivação causada pela impossibilidade de ficar rico.
Claro que nem todos querem ficar rico, mas observe o conjunto da humanidade, não exemplos isolados, as sociedades mais pujantes são aquelas que dão mais oportunidades de enriquecimento a seus cidadãos.
Atribuem ao Delfim a frase: fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”, entretanto me parece que há uma certa verdade na frase do não menos notável “Bob Fields” sobre o Mercosul: “quando pobres se juntam é pra ficar mais pobre”.
Seja qual for a visão política que se adote, não se pode negar que dividir o pouco não resolve nossos problemas. Acontece que o sistema que tem permitido a abundância é o liberal, o sistema de mercado, o capitalismo.
A concentração de renda é o vilão, não o capitalismo. Quando a esquerda reivindica a divisão do bolo é porque alguém construiu esse bolo, normalmente os grandes capitalistas.
Interessante notar que nas sociedades mais capitalistas a expressão que se tornou sinônimo de vitorioso é “capitão de indústria” enquanto em nossa pátria lusófona definimos o grande capitalista como “barão” do café, “barão” da borracha etc.
Essa diferença já mostra um viés cultural: trabalho x nobreza.
Uma coisa assustadora é como a complexidade das estruturas sociais é usada, conscientemente ou ingênuamente, para construir sofismas. Falam de justiça social, distribuição da riqueza, tarifa zero, sem nenhum constrangimento, como se riqueza caísse do céu.
Voltamos à questão básica: fala-se muito de direitos, mas e os deveres? Fala-se do que o estado deve fazer pelo cidadão, mas e sobre o que o cidadão pode fazer pela sociedade?
Sempre defendi que a negação de algo não leva a nada, a única coisa que constrói é a afirmação da alternativa que se propõe. O fato é que isso não existe no discurso da ‘nova esquerda’, essa coisa meio anarquista, meio niilista, que vem dominando as mentes, justificadamente indignadas e insatisfeitas, mas que se contentam com a desconstrução.
Por quê será que a riqueza vem justamente do lada negro da força?
Simplesmente porque, infelizmente, Luther King estava certo ao citar Goethe: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons!”. Os bons são silenciosos por natureza, embora ainda esteja por ser definido o que é ser bom.
É justamente essa dúvida que desautoriza as propostas de participação popular, através de entidades representativas, que apenas criam mais instâncias para proliferação dos vírus e bactérias que infectam os indivíduos - vaidade e egoísmo, enfatizando justamente o que mais alimenta esses elementos patogênicos da sociedade, a desconfiança.
Isso não poderá ocorrer em um ambiente em que se nega a capacidade de empreender, de assumir riscos, de liderar as transformações, não como se fossem aspectos que estivessem escasseando, mas como se nunca tivessem existido.
Um ambiente em que se equipara o trabalho de um operário ao de um ‘capitão de indústria’, como se a entrega necessária em ambos os casos fosse similar.
Um ambiente que, ironicamente, prega que o primeiro deve ter todas as benesses do estado enquanto o outro deve se virar, já que ‘naturalmente’ tem mais recursos.
Nesse ambiente, é evidente que, sendo os poderosos mais hábeis e melhor estruturados, são estes que vão definir as regras do jogo, garantindo para si as benesses do estado e deixando os operários largados à sua sorte. Ou seja, edificamos uma selva onde quem pode mais chora menos.
Ou cortamos essa lógica pela raiz ou estamos fadados ao fracasso como sociedade.
Só o estabelecimento de uma relação de confiança entre as pessoas pode garantir uma estabilidade mais ou menos duradoura à sociedade, independente do sistema ser de esquerda ou de direita.
Soberania líquida
04/02/2015
Vendam tudo, a presidente sumiu! (Piada sem Graça!!!)
Quem vai assumir um cargo que tem como desafios:
  1. Enfrentar a presidenta (sic), ciosa de seu partido, seu mandato e suas ideias ‘bolivarianas’;
  2. Enfrentar a concorrência, preparada para dar o golpe mortal em um potencial superconcorrente que emergia e agora sucumbe ante a sanha de políticos inescrupulosos e, muito pior, incompetentes;
  3. Assumir, sob o fogo cruzado acima, a responsabilidade de recuperar o respeito do mercado, o orgulho do seu pessoal, as finanças da empresa;
  4. Assumir a tarefa de sanear a administração dando consistência à governança corporativa prometida ao público em geral;
  5. … e o mais grave, assumir a defesa da empresa perante as instâncias judiciais nacionais e forâneas, colocando o seu CPF na reta.
Sem tirar o mérito de levar a maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo, mesmo considerando o seu setor de atuação, à atual situação, dos dirigentes, políticos, da presidenta (sic, sic, sic), do projeto destrambelhado de poder do PT, enfim sem desmerecer a competência desse pessoal todo, não tenham dúvidas que houve, neste episódio, participação ativa de agentes das grandes corporações e, não me admiraria, de governos poderosos.
Podem escrever: agora ou dentro de alguns meses, num horizonte que não ultrapassará 2 anos, nossa grande empresa será finalmente privatizada e, considerando a situação em que a colocaram, com enorme deságio em relação ao seu valor real, representado, não só pelo patrimônio de suas jazidas prospectadas, mas também pela sua estrutura, seja industrial, administrativa, de pesquisa e de pessoal.
E sabe o que mais? Tô achando ótimo!
É curioso que, me deparando com essa possibilidade, na minha opinião, certa, cheguei à conclusão que pode não ser tão mau assim.
A primeira coisa que vem à mente neste caso é a perda da soberania, mas será que sabemos o que isso significa?
Afinal, desde o advento da Aldeia Global do McLuhan, houve uma liquefação, para usar a expressão de Bauman, da cultura, da economia, do modo de vida etc.
Não que eu goste disso, sempre achei que a pluralidade era muito mais divertida, permitia uma identificação muito mais forte do indivíduo com seu grupo, dava um colorido mais interessante à vida, mas o fato é que não há muito espaço para isso hoje em dia.
Consumimos as mesmas coisas, assistimos os mesmos filmes, ouvimos as mesmas músicas, lemos os mesmos livros, comemos as mesmas porcarias que a maioria do mundo e só não fazemos isso quando não conseguimos, porque, em função de uma preservação da soberania, ficamos isolados desses mercados.
Quero dizer, sempre lembrando que essa realidade não é a minha preferência, que só não participa dessa aldeia quem não consegue, porque querer todo mundo quer.
Ou seja, vivemos uma Soberania Líquida, uma soberania indefinida, amorfa, e quando sofremos alguma violência contra ela, caso dos inúmeros casos de privatização que entregaram a empresas estrangeiras setores importantes da nossa economia, passados alguns anos nem percebemos mais a diferença, que, justiça seja feita, na maior parte dos casos foi para melhor.
Cada vez mais estou convencido que nosso problema não é o ‘nosso’: o petróleo é ‘nosso’, a amazônia é ‘nossa’ e assim por diante, mas a dificuldade que temos em criar o novo.
Nossa sociedade não privilegia o trabalho, a criatividade e, por conseguinte, a educação e a distribuição justa das oportunidades. Essas são as verdadeiras armas que temos que desenvolver para confrontar as grandes corporações que tem um ponto extremamente fraco: dependem do consumidor para sobreviver no mercado.
A luta real deve ser contra a concentração de poder, seja econômico, militar ou político. Quanto mais diluído for o poder menos possibilidade de ocorrer injustiças e, quando ocorrerem, menos possibilidade de permanecerem.


É bom desconfiar…
15/01/2015
Começo relembrando a motivação destas anotações: registrar não só minhas ideias, mas ‘as’ ideias que considero válidas por que são coerentes entre si e, principalmente, são coerentes com a minha experiência.
Além disso, me parecem conceitos úteis para serem experimentados por todos, conceitos cuja aplicação resultará em algo melhor.
Pois bem! Vou bater novamente na tecla da CONFIANÇA, que acredito ser um princípio fundamental para fazer as coisas melhores.
O terror, principal arma dos radicais que ultimamente tem se aparelhado e agido como nunca antes na história deste planeta, destrói exatamente a confiança em uma sociedade, desagregando-a e abrindo espaço para os totalitarismos, cujo alimento é o ódio, um sentimento também reflexivo, como a confiança.
Já disse em outros momentos que medo gera medo e coragem gera coragem, podemos dizer que uma tradução válida seria: ódio gera ódio, confiança gera confiança.
Um dos aspectos mais intrigantes desse sentimento - a Confiança - é o fato dele ser única e exclusivamente de quem o tem, nada tendo a ver com o seu objeto. Já falamos disso.
Entretanto não se pode negar que, em uma sociedade baseada em fortes laços de confiança, situação da qual ainda estamos bem longe, é muito mais fácil confiar, mas não pelo motivo mais óbvio: as pessoas serem mais confiáveis. Senão vejamos:
Vamos partir de uma situação bem clara: sei tudo sobre o objeto da minha confiança, por exemplo, ao negociar meu carro, sei perfeitamente quanto o comprador está disposto a oferecer por ele e qual o seu limite.
Nesse caso, se ele me oferecer esse valor na primeira rodada de negociação, não terei nenhuma dificuldade em confiar nele, não é mesmo?
Agora, vamos um pouco mais para a realidade: não sabemos nada sobre o comprador, mas temos informações confiáveis do mercado sobre esses valores.
Ainda nesse caso, se a oferta for compatível ficará fácil confiar nessa pessoa.
E nos casos em que não tenho nenhuma ou muito pouca informação?
Seja em uma sociedade bem educada, seja em uma republiqueta de bananas, negócio será sempre negócio, o que quer dizer que cada um vai querer obter o melhor resultado, ainda que dentro de parâmetros éticos. Dessa forma sempre existirá uma dúvida razoável sobre o que pensa a sua contraparte.
Primeiro temos que realinhar o conceito de confiança: é um sentimento, não um pensamento!
É o sentimento de lidar com a liberdade do outro!
Em qualquer sociedade, com laços de confiança fracos ou fortes, corremos riscos ao confiar, afinal estamos lidando com a liberdade do outro.
A intuição deve nos guiar sempre, lembrando que nossa intuição foi construída dentro da nossa sociedade, portanto está moldada a ela.
Olhar no olho do outro, dar uma chance para conhecê-lo melhor é importante, afinal a confiança cega nunca é o melhor conselho.
O ponto que eu gostaria de focar é que em uma sociedade com laços fortes de confiança, a autoconfiança se alicerça na confiança no outro.
As experiências vividas vão mostrando que nossa intuição pode melhorar ao longo do tempo e, com isso um sentimento muito forte de respeito e confiança em si mesmo acaba se refletindo em respeito pelos demais. Passamos a nos achar muito bons em avaliar os outros e, com isso, nos valorizamos mais.
Bom! Minha experiência mais recente foi a compra do nosso novo apartamento: fiz absoluta questão de negociar diretamente com o proprietário, estar cara a cara com ele e, imediatamente, tive certeza de que podia confiar. Fechamos o negócio com um aperto de mãos e, apesar dos protestos da corretora, deixamos a formalização para depois das festas de fim de ano, sem nenhum contrato, nem um sinal dado, apenas no ‘fio de bigode’.
A necessidade de postergar a escritura foi minha, devido a questões de declaração de renda, entretanto o proprietário concordou com a mesma garantia apenas da minha palavra.
Claro que antes de concluir a transferência do imóvel sabia que podia ocorrer algum fato que frustasse a transação, mas aí vem outro aspecto importante da confiança, saber que nem sempre dará certo e, se acontecer, o que temos que fazer é partir para outra, sem crise. O benefício de viver a confiança é infinitamente maior do que as eventuais perdas que possam ocorrer.
Pois é! Estas últimas considerações são apenas ‘retórica’ no meu caso, porque não me lembro de alguma vez ter perdido algo por confiar. (Agora não sei se ‘esqueci’ as decepções ou se elas não ocorreram mesmo!)
Me lembro da época em que tinha a oficina de automóveis (anos 80): apesar de ser considerado um dos setores com inadimplência mais significativa, onde era comum não se aceitar cheques, eu conhecia a grande maioria dos nossos clientes, que pagavam como queriam e, em 10 anos, tivemos apenas um cheque devolvido.
Mais: nessa época ainda alugava a casa onde moramos, bem como o imóvel da oficina. Nenhum dos dois tinha intermediários, eu depositava o valor do aluguel nas contas dos proprietários e pronto. Aliás ambos se tornaram amigos, o Roberto Nelson, de quem depois comprei a casa e D. Dira, uma professora aposentada e viúva, dona do prédio em que funcionava a oficina.
Resumindo confiança e auto-confiança são dois lados da mesma moeda ‘de vidro’!
É bom desconfiar
De ser desconfiado
Não vou desconfiar de você
Até que prove o contrário
                       É Bom Desconfiar
                       Titãs
Liderar é Confiar
Todos lideramos e produzimos.
Quando lideramos só podemos evitar o que não queremos, desestimulando práticas nesse sentido e confiando nos liderados.
O resultado não está sob o nosso controle e sempre vai nos surpreender, caso contrário não estamos liderando, estamos chefiando, comandando, controlando.
O que vai ser é por conta do liderado que é de fato quem está produzindo algo e só produzirá qualidade se colocar alma no que faz.
Seguir é Confiar
Todos produzimos.
Quando produzimos só podemos fazer o melhor para atender as orientações do líder, sem discutir essas orientações a não ser quando solicitado.
O resultado está diretamente sob o nosso controle e devemos sempre buscar exceder as expectativas, caso contrário não estamos produzindo, estamos disputando com a liderança.
O que vai ser é por nossa conta e, se tivermos a liberdade de colocar alma no que fazemos, será o melhor que podemos oferecer.

Dogma x Dúvida
29/12/2014
A história da humanidade tem mostrado que nosso diferencial competitivo é, de forma incontestável, o que chamamos de ‘inteligência’. Seja em relação às outras espécies seja quando referido à competição entre ‘espécimes’.
Claro que nossa filosofia, ainda que filhote gerado e amamentado pela inteligência, tem investigado e especulado sobre várias facetas dessa faculdade: inteletual, emocional, transcendental etc. Nessa busca, provocada pela curiosidade decorrente dessa mesma inteligência, tem tentado estabelecer pesos e medidas para cada um desses aspectos, ora pendendo mais para o intelectual, ora para o transcendental.
Entretanto, qualquer que seja a abordagem, ninguém discute o valor da inteligência na competição pela vida.
No outro canto do ringue temos a ‘vaidade’, como o ‘pecado preferido do diabo’, aquilo que nos enfraquece e favorece os nossos inimigos.
É neste ponto que pretendo dar os meus pitacos.
Certas correntes de pensamento ou ‘filosofias’ sempre me intrigaram. Sempre tive dificuldade em aceitar que pessoas dotadas de ‘inteligência’, instruídas e bem intencionadas possam acreditar em ‘doutrinas’ tão carentes de racionalidade, muitas vezes sustentadas única e tão somente na necessidade visceral de acreditar em algo. Estou falando de algumas religiões, notadamente as judaico-cristãs(1) e o espiritismo.
Minha especulação é a seguinte: somos, de várias maneiras e em variados graus, condicionados por nossa vaidade, que como já dito em outros textos, é apenas uma qualidade muito exacerbada - amor próprio, auto-estima - caso em que a dose faz o veneno.
Pois é! A nossa experiência, durante a vida, vai nos condicionando, pela via da vaidade, a privilegiar certas atitudes em relação a outras, o que vai formando nosso caráter, aquilo que nos diferencia dos demais.
Neste ponto é importante lembrar que, a despeito de nosso diferencial competitivo ser a inteligência, outras capacidades continuam necessárias para sobrevivermos: força, coragem, destreza etc. etc.
Como a vaidade é o grande maestro, naturalmente privilegiamos as atitudes que nos deem mais reconhecimento por parte do nosso público: família, amigos, colegas, vizinhos etc.

(1) Quando penso na igreja católica, por exemplo, é impossível ignorar sua história, suas bases estruturais, sua estratégia absolutamente política e voltada para a conquista de poder material, e sua retórica hipocritamente ‘espiritual’, tentando convencer seus adeptos do caráter transcendente da instituição. Não consigo associar ao cristianismo, porque nasceu de uma decisão política do imperador de Roma. Vendo alguém se declarar seguidor dessa pantomima não posso deixar de ser muito crítico.A única ressalva que faço é o fato de que, tenho que admitir, “Deus escreve certo por linhas tortas”, fazendo uma citação mais do que apropriada. Muitos crápulas dessa instituição foram responsáveis por mudanças importantíssimas no mundo, como o papa Bórgia - Alexandre I - que sendo um dos mais corruptos e descarados do seu tempo, ainda assim teve um papel fundamental no renascimento, apoiando e financiando as artes e as iniciativas iluministas, o que nos obriga a reavaliar certas convicções.O artigo “Muito tempo atrás, numa eleição distante…”, ao final deste texto, ilustra muito bem essa ideia.

Quando alguém não se sente confiante em suas habilidades, sejam intelectuais, físicas ou de qualquer outro tipo, achando que elas não garantem a aceitação que a vaidade exige, em que irá se apoiar?
Nessa hora surgem os salvadores, pessoas que organizam ideias prontas para uso, sem a necessidade de muita articulação, análise ou elaboração, os DOGMAS. Pregam a superioridade de outras ‘qualidades’: moral, caridade, fraternidade e outras semelhantes, garantindo aos adeptos que essas são as únicas qualidades necessárias para garantir sua aceitação.
Veja que não é necessário ser destituído de habilidades genuínas, basta não confiar o suficiente nelas, ou seja, basta ser ‘vaidoso’.
Os seguidores de doutrinas desse tipo, se apóiam completamente nas ideias defendidas pelo líder, seja católico, espírita, evangélico ou cientologista, fundamentando sua argumentação nos dogmas professados por ele, sem crítica nem discussão, usando argumentos do tipo:
Pra Deus nada é impossível!
Como discutir contra esse tipo de argumentação?
Essas ideias são como coletes salva-vidas para quem não sabe nadar.
Ora! Não me atrevo a discutir a validade dessas ideias, entretanto não aceito que se abandone a racionalidade para ‘acreditar’ em algo que outro pensou. Se falamos de intuição e isso vale tanto para a elaboração da fé (nada a ver com crença, hein) de cada um, como para nos orientar na escolha do nosso par, de um negócio etc., essa intuição deve vir de dentro e não de fora, caso contrário seremos os otários caindo na conversa de vigaristas.
No caso de religiões ou seitas basta acreditar na boa fé do líder? Isso basta para dirigirmos nossa forma de ver o mundo, nossas ações, nossos medos?
Concluindo: a vaidade, nesses casos, cega o indivíduo. Quando alguém sucumbe à vaidade, quando ela ultrapassa a auto-estima, a pessoa nunca está satisfeita consigo mesma, precisa se afirmar a cada momento, perde a capacidade de rir dela mesma.
A única coisa que ela busca é reconhecimento e como o reconhecimento entre os membros desses grupos é uma regra de ouro, esses ‘seguidores’ vão reforçando suas ‘convicções’ entre si, até perder completamente o senso crítico, preferindo assumir que aqueles que não estão de acordo com seus dogmas ou ainda não estão preparados(2) para perceber a ‘verdade’ ou têm medo de expor seu lado mais ‘obscuro’.
Esse fenômeno não é exclusivo dos grupos religiosos, existem outros tipos de agremiação criadas para alimentar a vaidade dos seus participantes. Falo de religião porque foi o que me chamou a atenção.
A DÚVIDA, ainda que represente um risco de travar a percepção devido a excessos de racionalismo, pelo menos mantém viva a chance de se libertar. Pessoas com mais tendência ao ceticismo podem inclusive participar de qualquer religião sem necessariamente se submeter aos seus dogmas, aproveitando aquilo que consideram importante para sua vida espiritual ou seja lá que nome dêem.
(2)"Se vocêestiver preparado, uma força maior o levará ao Pró-Vida."

L i v r a i - n o s   d o   m a l
17/12/2014
Tenho uma tese! Grande novidade, dirão alguns.
Bem, de qualquer forma, como todas as teses partiu de uma ‘vontade primária’, aquilo que define como a gente vê o mundo, no que acreditamos, nossos valores etc. etc. Enfim, a ‘forma’ do recipiente no qual acrescentamos o que se aprende.
Essa tese foi tomando corpo a partir de leituras, trocas de ideias e, principalmente, da experiência de viver, de ter que lidar com a beleza e com a feiura do mundo, de ter que buscar por sustentação, cuidar do meu grupo, dos meus dependentes. Coisas que sempre entusiasmam muito, mas também exigem um bocado de determinação.
Vamos a ela:
Lembro-me de ter citado em algum lugar a ideia de que o ‘demônio’ é uma fera acorrentada, impossibilitada de nos alcançar, que apenas nós podemos nos colocar ao alcance dela, por nossa única e exclusiva vontade.
Muito bem. Essa ideia me induziu a tese, que, parodiando Rita Lee, ficaria assim:
“Feiura vem dos outros e vai embora,
Beleza vem de nós e demora!”
Conforme essa lógica, livrar-nos do mal depende só de nós.
Até aí não chega a ser nenhuma novidade, todos os ensinamentos esotéricos ou filosóficos e até psicológicos, indicam esse caminho.
Entretanto, acho que seria interessante ir um pouco mais além, ou mais pro fundo (profundo, hein?).
Para demonstrar minha tese vou buscar o tema inicial do DeMimPro6: os 6 tesouros, contribuição do já célebre Lincoln, que, como bom pescador de ideias, captou e redesenhou o que segue, com algumas contribuições minhas:

6 tesouros
A Conquista dos novos Tempos Modernos

"O tempo é muito lento para os que esperam.
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade.”
William Shakespeare

Contemplação da Beleza
Pedra de toque, instrumento a partir do qual se inicia a conquista

Vejo o mundo e o mundo me vê!
Mundo feio: sou pura maldade;
Faço o bem: a beleza vem!
Autonomia

1ª força a ser utilizada na conquista


Medo: paraliso.
Movo: encorajo.
Quero: vou em frente!

Espaço
1ª conquista, define as possibilidades

Vou: o universo conspira a meu favor!
Tempo

2ª conquista, permite exercer Au. no Es.


Eu: onde e quando quero!
Ambiente Saudável
3ª conquista, resultado das anteriores

Agora sou só Desejo e Vontade virando Saúde!
Tranqüilidade

Conquista final, só pode ser atingida a partir dos passos anteriores


Paz Ciência!
Navegar é preciso, mas
Eu Morro por uma vida boa!
Se Deus quiser que eu viva sem fazer nada, que eu faça por merecer!

“Das profundezas desse bosque,
Da essência das pedras parece sair –
O canto da cigarra.”
Haicai – Matsuo Bashô

Esses são os verdadeiros tesouros dos tempos modernos, tempos do gene atropelado.

As conquistas materiais não satisfazem, queremos mais.
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
                      Comida
Titãs
De todos esses tesouros tenho a impressão que a Contemplação da beleza deve ser, se não o mais importante, a chave para todos os demais.
Ela é a capacidade de perceber a beleza que está nas coisas e pessoas, separando atos de intenções, ou, quem sabe, a beleza que está em nós mesmos. Aprender a confiar, porque é a confiança a única cola que mantém uma sociedade unida e evoluindo.
A feiura é óbvia, a beleza precisa de certa disposição para ser percebida. O problema é que ela está lá, independente de ser percebida, porém se não a vemos não temos como ter uma visão abrangente da realidade, ficamos limitados aos nossos medos e inseguranças.
Por que buscar a beleza, eventualmente oculta, nas coisas? Porque é libertador, a feiura é limitante.
Ao contemplar a beleza estamos sendo fiéis ao nosso maior anseio: a liberdade, ao ignorá-la estamos nos submetendo aos nossos medos e inseguranças.


A beleza é fiel?



A frase de pára-choque “Deus é fiel!”, lamentavelmente, está equivocada. Se o Deus citado é a personificação da beleza e do bem ele nunca será fiel a nada, simplesmente porque não precisa. Nós é que, através de nossa livre decisão, é que podemos escolher ser fiéis a Ele, ou a ela, a beleza, no nosso caso.
Quem é fiel é o demônio, este sim, caso caiamos em tentação ele não nos abandonará nunca, por toda a eternidade.
Trata-se, em última análise, de uma escolha simples: liberdade ou segurança.
Acreditar em teorias da conspiração enfraquece a confiança, duvidar de tudo e de todos: políticos, governo, imprensa, empresas, superiores, juízes de futebol, é a melhor forma de aprofundar medos e tornar o mundo muito feio.
É bom desconfiar
De ser desconfiado
Não vou desconfiar de você
Até que prove o contrário
                        É Bom Desconfiar
                   Titãs
Nesta altura todos estão pensando: mas, e se todos são safados mesmo, como acreditar? Simplesmente admitindo que nós também somos safados em alguma medida, isso muda tudo e nos transforma em críticos e não hipócritas.
É tudo uma questão de limites: na essência estamos todos sujeitos a incorrer em erro, a questão, e disso não tenho nenhuma dúvida, é que temos limites - os tais valores de que já falamos - que nos impedem de cometer erros muito grandes, entretanto, se não temos a humildade de admitir nossa falibilidade, cobramos do outro uma perfeição impossível de ser alcançada e passamos a ver a tal ‘safadeza’ em tudo e todos.
O fato é que uma parcela significativa dos ‘outros’, incluindo políticos, governantes, jornalistas, empresários, chefes e juízes de futebol, é como nós, apenas imperfeitos, embora alguns, também não tenho dúvida disso, exacerbem. O problema é que nunca, mas nunca mesmo, temos informação e discernimento suficientes para construir uma conclusão minimamente razoável sobre o ‘outro’. Em outras palavras, qualquer julgamento sempre será leviano.
Desde que me lembro, sempre disse que eu era como o mineiro: confio incondicionalmente até ser traído pela minha confiança, mas será só uma vez!
Continuo achando essa atitude a mais saudável para estabelecer uma sociedade consistente e perene, porque o arredio, o desconfiado de todos, aquele que se coloca todo o tempo na defensiva, não consegue estabelecer relacionamentos e compromissos duradouros e intensos e o crédulo, de tanto se decepcionar, passa a não acreditar no mundo, passa a se fechar.
Para completar a minha música preferida, que reúne beleza, criança, confiança e coragem!




Eu fico com a pureza das respostas das crianças:

É a vida! É bonita e é bonita!

Viver e não ter a vergonha de ser feliz,

Cantar, 
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!
E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,
Há quem fale que é um divino mistério profundo,
É o sopro do criador numa atitude repleta de amor.
Você diz que é luta e prazer,
Ele diz que a vida é viver,
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer.
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé,
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser,
Sempre desejada por mais que esteja errada,
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,
E a pergunta roda, e a cabeça agita.
Fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
É a vida! É bonita e é bonita!


O Que é, o Que é?