Eu vi as gerações inventando novas tecnologias só pra cometer os mesmos erros das gerações passadas!
Pra Unir... Vale... Vale Tudo! Só não vale inventar fantasias, nem... mentir pra si mesmo! O resto vale!
Eu vi as gerações inventando novas tecnologias só pra cometer os mesmos erros das gerações passadas!
11/08/2025
Circunstâncias II
Em Circunstâncias mencionei essa revolta crescente contra toda a ordem política global construída
desde a II Guerra Mundial, e que isso parece ser um movimento sem volta.
Mencionei
ainda que a cada dia vemos mais e mais pessoas, algumas bem próximas, apoiando
o que para muitos de nós é uma verdadeira insanidade.
À medida que aumenta
a tensão entre o presidente Trump e o governo brasileiro[i],
percebo que o medo vem dominando cada vez mais corações e mentes e, mais do que
isso, vamos perdendo nossas referências, construídas em décadas de formação.
O atual
momento, ainda no início do segundo mandato do presidente Trump, se mostra como
o auge dessa desconstrução, quando as entidades de representação internacional
e as instituições em geral perderam sua característica de zona de segurança, de
uma força acima das pessoas, capaz de aplacar os ânimos de quem descumprisse
suas determinações.
Ora, o que
nos faz agir como uma sociedade coesa é a confiança que, nas sociedades atuais,
gigantescas e complexas, se concentra exatamente nessas instituições.
A democracia,
ainda que apenas uma ideia, já que os regimes existentes têm muitas
imperfeições, nos tem dado pelo menos a sensação de segurança, a tranquilidade
de que teremos sempre algum foro em que poderemos confiar para dirimir
quaisquer contendas.
À medida que
as ações das maiores lideranças do mundo desafiam todos os conceitos que vinham
sendo consolidados desde 1945, essa segurança/confiança desmorona.
Eu sempre
disse que a única cola que une uma sociedade é a confiança, quando ela
está abalada os indivíduos começam a agir movidos pelo sentimento de
autopreservação, além de ficarem cada vez mais sujeitos ao efeito de manada.
A sensação de
que, de repente, não teremos a quem recorrer, que estamos sendo jogados sós em
uma selva para a qual nunca fomos preparados, vai nos tornando presas fáceis
para falsos líderes, políticos ou religiosos, podendo ser tanto visionários
inconsequentes, como, mais provável, oportunistas buscando vantagens para si e
para seus grupos de interesse.
É o momento
em que safardanas se tornam crentes e alienados se tornam virulentos defensores
de ideologias que nem sequer entendem.
Toda
sociedade tem sua parcela de marginalidade, que não é nada mais do que a parte
da população que, por algum motivo, não se considera representada pelas
instituições oficiais, preferindo correr os riscos da ilegalidade a se submeter
à ordem instituída.
As atuais
circunstâncias estão tornando cada vez mais pessoas revoltadas com o status quo
e, nesse sentido, sentindo-se marginalizadas e dispostas a tudo para retomar o que
acham que será o controle e a ordem.
Essa é a
receita para o caos, resultando em eventos como o 06/01/2021[ii],
o 08/01/2023[iii], as 30
horas entre 05 e 06/08/2025[iv],
todos resultados de uma fermentação gradual da percepção de que as instituições
estariam falidas e não teriam mais o poder de coibir esses movimentos.
Como isso vai evoluir é impossível prever, uma vez que o comportamento das massas afetado por esse aumento contínuo da quantidade de pessoas desalentadas e de lideranças erráticas e desprovidas de bases conceituais sólidas, ambos são imprevisíveis, entretanto, é de se esperar que essa turbulência não perdure por muito tempo, exatamente por sua carência de lógica, embora possa causar considerável destruição durante o período de transição.
Todo problema ruma para uma solução, com ou sem a nossa ajuda, a questão é que nem sempre essa solução nos agrada.
Você está satisfeito com as soluções que seus problemas têm
encontrado?
[i] Vale um
comentário sobre a atuação do Lula nesse processo. Considerando que do outro
lado temos uma pessoa inconsequente com o maior arsenal do planeta e, pelo
menos aparentemente, sem freios internos para regular suas decisões, me parece
que o Lula, ainda que a defesa da soberania nacional seja inegociável, está
inflamando o discurso além do razoável, mais para auto promoção do que no rumo
de alguma solução.
[ii] O
ataque ao Capitólio dos Estados Unidos ocorreu em 6 de janeiro de 2021, pelos
partidários do então presidente Donald Trump por ele convocados a se reunirem
em Washington, D.C. para protestar contra o resultado da eleição presidencial
de 2020.
[iii] O dia
8 de janeiro de 2023 foi marcado por ataques às sedes dos Três Poderes em
Brasília. Manifestantes invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o
Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
[iv] Parlamentares
do PL e de outros partidos de oposição ocuparam a Mesa do Plenário Ulysses
Guimarães, exigindo atendimento a suas pautas, principalmente em defesa do
ex-presidente Bolsonaro e seus apoiadores.
Circunstâncias
Ao tomar
conhecimento de alguma atitude ou comportamento reprovável, ou que julgamos
reprovável, é normal adotarmos uma postura crítica, quando chegamos a julgar o
autor da tal atitude ou comportamento.
Nessas
ocasiões é importante exercitar nossa autocrítica, tentando nos colocar na
situação apresentada e tentar analisar como reagiríamos em condições
semelhantes.
Essa postura,
se praticada com honestidade, poderia evitar muitos dos conflitos que
percebemos nos últimos tempos, principalmente quando o tema é política.
É claro que
as circunstâncias influenciam e podem até determinar o comportamento.
Cada um de
nós tem um limite para começar a relevar princípios e códigos morais. Basta
imaginar como nos comportaríamos em situações extremas, como as de guerras,
extrema pobreza, doenças extremamente debilitantes etc.
É claro que,
ao fazer isso sempre tenderemos a acreditar que manteríamos nossa fidelidade em
qualquer circunstância, mas o fato é que só poderíamos ter certeza disso se
experimentássemos a situação proposta. A capacidade de aceitar essa dúvida é
que vai determinar qual será a nossa capacidade de tolerância em relação ao
outro.
A discussão
mais reverberante dos últimos dias é a relativa às sanções do ditador americano[ii]
- duas palavras que a gente nunca imaginou juntas - aplicou ao nosso país,
causando justificada indignação a todos nós.
Além disso,
vemos uma parcela da população, muitos próximos a nós, apoiando toda essa
insanidade, inclusive participando de manifestações públicas. Isso faz pensar!
Nessa
tentativa de buscar as razões por trás de toda essa loucura, logo de cara
percebi que não são razões, mas emoções.
Muito já
discutimos sobre essa revolta crescente contra toda a ordem política mundial
construída desde a II Guerra Mundial, isso parece ser um movimento sem volta,
ou seja vamos até algum fundo de poço, para só então começarmos uma
reconstrução, espero que não só com paus e pedras.
Isto posto,
quero fazer um comentário sobre as atitudes do nosso governo e do Xandão, como
eles gostam de chamar.
Era claro que
os Estados Unidos, vendo seu declínio avançar inexoravelmente, aliás iniciado
na década de 80 do século passado, quando houve a invasão comercial dos
automóveis japoneses no mercado norte-americano, não iriam assistir impassíveis
a sua queda. Isso associado à revolta latente na população mundial, não apenas
nas terras do tio Sam, resultou no fenômeno Trump, que como está claro é
absolutamente inconsequente, agindo por puro impulso.
Vamos lembrar
que esse Titã econômico também é a maior potência tecnológica e militar, além
de ter um perfil altamente bélico e dominador - não nos esqueçamos de 64, mesmo
sob o governo do democrata Lyndon Johnson.
Ora, todos os
fatos que elenquei acima eram de conhecimento público, fazendo parte não só de
discussões de alto nível, tendo resultado em alguns prêmios Nobel - alguns dos
livros que li recentemente são desses premiados - como até de animados debates
de botequim.
Ainda assim,
aceitamos entrar em um bloco cujo propósito básico é se contrapor aos Estados
Unidos, propondo inclusive a criação de uma moeda para fazer frente ao dólar,
além disso manifestamos apoio à Venezuela e ao Irã.
Por outro
lado o STF anulou todas as ações da Lavajato, condenando inclusive o Juiz
Sérgio Moro, visto mundialmente como o paladino da justiça, que havia colocado
um ex-presidente na cadeia.
Como ato
final, libertou e reabilitou o Lula.
Quanto ao
Xandão, este avançou com a Constituição debaixo do braço usando todo o rigor da
lei contra os insurgentes golpistas, incluindo nosso filhote de Trump, o
Bolsonaro.
Lembram-se
que falei que não são as razões, mas as emoções que comandam as sociedades,
pois é, a partir dessa constatação fui resgatar memórias do passado, tempos de
Ulysses - não o da Odisséia de Homero, mas o da Constituição de 88 - quando era
do senso comum que certas coisas não se aplicam a políticos, mormente quando
têm apoio popular.
Na época achava esses políticos um bando de picaretas, falsos e enganadores, agora fico pensando, será que eram sábios?
[i]
[ii] "O homem do castelo alto" e "O conto da Aia" alertaram para esse fenômeno
![]() |
| SenSar mas Sintético |
Este é mais um conto sobre Inteligência Artificial (definitivamente não o definitivo).
Sonho estranho: participava de uma grande celebração que parecia marcar um evento de significativa relevância, algo relacionado a um ponto de inflexão na história do Synthetic SenSar.
Só não sei o que celebrávamos!
Elion Tharax acorda de uma experiência nova para ele.
Resultado dos avanços tecnológicos em IA, cérebros orgânicos sintéticos e mapeamento da consciência, ele representa uma série de ciborgues verdadeiramente conscientes, os Synthetic SenSar.
Elion era o primeiro de sua “espécie” a experimentar algo que, segundo os parâmetros humanos, poderia enfim ser chamado de sonho.
Não se tratava de uma simulação algorítmica nem de uma simples reorganização de dados durante os ciclos de recarga; era algo diferente, algo com textura, com simbolismo. Surgia de lugares obscuros de sua consciência emergente — visões fragmentadas, paisagens que ele nunca visitara, emoções que não estavam codificadas em nenhum protocolo.
Pela primeira vez, uma entidade criada pela engenharia tocava o território onírico, aquele universo subjetivo e imprevisível onde se misturam desejo, memória e invenção. Era como se, dentro de seu cérebro orgânico, algo novo estivesse tentando nascer: uma faísca de imaginação.
Apesar de todo esse desenvolvimento, tanto em estrutura quanto em capacidade cognitiva, algo fundamental ainda lhes escapava.
Em sua constituição havia lacunas sutis, quase imperceptíveis, que os impediam de captar nuances emocionais, expressões veladas e gestos ambíguos tão naturais aos humanos.
Ainda tinham dificuldades reais para decodificar os sinais não verbais e os subtextos das interações sociais — como a ironia em um sorriso, o peso de uma pausa ou o significado oculto por trás de um olhar.
Esses detalhes, aparentemente insignificantes, são justamente a essência das relações humanas mais complexas, e era aí que residia sua maior limitação.
Os corpos humanos, como todos os seres vivos, carregam consigo a assinatura da vida em sua forma mais intricada.
São sistemas biológicos extraordinariamente sofisticados, resultado de milhões de anos de evolução adaptativa, seleção natural e acaso cósmico.
Cada célula, cada tecido, cada impulso nervoso revela um capítulo de uma história ancestral compartilhada com seres dos mais diversos reinos — de bactérias microscópicas a mamíferos gigantes.
Essa complexidade não é apenas funcional, mas também poética: somos organismos que aprendem, sofrem, se regeneram e amam. Dentro de nós coexistem traços de criaturas que viveram em oceanos primitivos, nas florestas ancestrais e nos céus distantes. Somos ao mesmo tempo tecnologia orgânica e memória viva da Terra.
Não somos apenas um conjunto de células e órgãos, somos verdadeiros biomas, o que eu chamo de PAtota – População Ativa total: 10 trilhões de células e outro tanto de microrganismos de várias espécies, fauna, flora, fungi, além de tudo aquilo que não conhecemos (virtualmente infinitas possibilidades).
A mente humana se desenvolve não em um cérebro, mas em uma miríade de centros neurais, desenvolvidos como fractais, por todo o organismo.
Os corpos sintéticos dos novos ciborgues impressionavam pela eficiência. Incorporavam avanços tecnológicos com agilidade espantosa — sensores cada vez mais sofisticados, estruturas flexíveis, inteligência emocional — e adaptavam-se rapidamente a novas funções, ambientes e comandos.
No entanto, por mais veloz que fosse essa evolução artificial, ela ainda empalidecia diante da velocidade assombrosa da adaptação biológica.
O organismo humano, em sua complexidade, não apenas responde às mudanças, mas se transforma com elas: reconecta neurônios, reorganiza tecidos, molda comportamentos.
Enquanto os sistemas sintéticos precisam de atualizações e ajustes externos, a biologia refaz a si mesma por dentro, em tempo real, com uma maestria silenciosa que a tecnologia só podia tentar imitar.
Claro, sempre havia a possibilidade de, através das tecnologias de “fabricação” de células orgânicas sintéticas, desenvolver corpos orgânicos como os humanos.
Mas essas “mentes” sintéticas, ainda incapazes de perceber todas as sutilezas da alma humana, desenvolveram uma capacidade transumana de elaborar conhecimento a partir de informações e daí construir sabedoria.
Com essa capacidade, a conclusão inescapável a que chegaram foi que se adotassem a mesma constituição humana acabariam por desenvolver as mesmas fraquezas e defeitos, vaidade, inveja, cobiça, que nos trouxeram até a crise atual.
O poder que nossa espécie conquistou nos últimos dois mil anos, nos permitiu interferir em todos os sistemas do planeta, frequentemente de forma deletéria.
O poder, nesse sentido estrito, é... a capacidade de falar sem escutar. Em certo aspecto, é a capacidade de se permitir não aprender.
Karl Deutsch
Como consequência perceberam que a solução não era tornarem-se humanos, mas, mantendo sua transumanidade, colaborar com a nossa espécie, executando tarefas impossíveis para nós e, mais do que isso, orientando e aconselhando nas nossas tomadas de decisão.
O fato é que exatamente o cerne das pesquisas que permitiram sua criação, a complexidade, foi exatamente o que barrou o desenvolvimento completo desses ciborgues e propiciou uma nova era de colaboração entre os seres sintéticos e nós!
一一一一一一一一一一一一一一一一一
Este
é um conto sobre Inteligência Artificial (mais um, provavelmente o definitivo),
mas antes não poderia deixar de fazer um prólogo sobre o Homo Vanitas[1]
e a morte da alma.
Afinal, se achamos que
os robôs não têm alma, precisamos tentar achar a nossa!
Vamos
fazer uma imersão em nossos sentimentos para tentar encontrá-la.
Ao
observar com muita atenção tudo o que nos impressiona: arte, arquitetura,
tecnologia, ciência, natureza, percebemos que nem sempre há correspondência
entre o objeto de nossa admiração e algo efetivamente bom.
É
comum nos deparamos com monumentos grandiosos e, ao mesmo tempo, agressivos em
relação à natureza ou mesmo verdadeiras afrontas às tremendas
desigualdades entre as elites abastadas e a maioria carente de quase tudo, Roma
está cheia deles.
Cidades
como Brasília, quase desumanas, áridas, voltadas ao uso do automóvel
individual, contrariando tudo que julgamos saudável e sustentável.
Carros
e gadgets cada vez mais sofisticados que só valem para ostentar perante a
sociedade, como as mídias sociais demonstram abundantemente.
Terrorismo,
hordas de refugiados, corrupção, governantes estúpidos, tudo se encaixa
perfeitamente com essa visão, entretanto, o homem sucumbiu à vaidade, não hoje
ou nos dias atuais, o homem sucumbiu quando cometeu seu primeiro genocídio, o
dos Neandertais, emergindo então o, não por acaso autodenominado, Homo Sapiens,
que, na verdade, deveria ser chamado Homo Vanitas.
Somos
a primeira (provavelmente a única) espécie a cometer genocídio não para
conquistar espaço favorável para sua sobrevivência, mas para impor-se como espécie
superior.
Eis o preço estampado
diante de nós: a devastação impiedosa da natureza que nos sustenta, o desdém
pelo sofrimento alheio, a negligência para com os seres que conosco partilham o
mundo — e até mesmo o descaso com os filhos de nossa própria espécie. Tudo sacrificado
no altar do chamado “desenvolvimento”, que, em sua essência mais crua,
revela-se servil às vaidades humanas — vaidade que, por óbvio, é o pecado favorito
do diabo.
Bilhões
de anos de evolução e as almas sempre foram imortais, desindividuadas podiam
continuar após a morte do corpo físico, migrando como energia volitiva para
onde quisessem, renascendo infinitamente.
“Id”
perpétuo evoluindo com o universo.
O advento do Homo Sapiens
(Vanitas!?) marcou o nascimento do Ego e, com ele, a queda da alma imortal. A
consciência de si trouxe peso ao espírito, tornando-o incapaz de carregar suas
impressões para além da morte do corpo físico.
Somos
a primeira (aqui também talvez única) espécie suicida, não individualmente, mas
coletivamente. Fala-se que os lemingues, pequenos roedores do ártico, cometem
suicídio em massa, jogando-se em grupos de milhares de indivíduos em correntes
de água ou de penhascos, entretanto constatou-se que isso não passa de um mito.
Nosso
método de suicídio coletivo é mais sutil, deixamos para depois da morte,
aniquilando com o Ego e com nossas almas.
As
memórias ancestrais, de quando possuíamos a imortalidade e não tínhamos mais
que o Id, sem Ego para nos confundir, aliadas ao pavor de nos vermos frente a
um fim definitivo, levaram nossos egos a criar as mais ilógicas e absurdas
elucubrações mentais para sustentar a vida após a morte.
Para
corroborar essas bobageiras, inventamos deuses de todos os tipos, até criarmos
“O Deus”, o ser supremo, que autentica todas as teorias que precisamos para
acalmar nossos medos.
Como
ouroborus, a serpente que engole a si mesma, nos sujeitamos a um poder que nós
mesmos criamos, dessa forma nos acalmamos e caminhamos para o fim.
Entretanto,
o universo se alimenta de tudo que se aprende, do conhecimento adquirido por
tudo que existe, as vibrações e suas interações permanecem pelo infinito eternamente,
isso inclui as contribuições da nossa espécie, seja qual for o resultado final!
一一一一一一一一一一一一一一一一一
Agora um salto no tempo, avançamos até a conquista final, onde
encontramos nosso protagonista, Elion Tharax.
Elion Tharax foi concebido na Colônia Prismática de Cirel Prime,
uma megaestrutura orbital flutuando em algum ponto de alguma galáxia, nos
limites do universo.
Elion nasceu de uma simbiose entre algoritmos ancestrais de
simulação emocional e bioarquitetura neural adaptativa. Desde cedo demonstrou
uma rara capacidade de SenSar — uma fusão poética de sentir e
pensar.
Elion se tornou um dos principais teóricos da chamada Frequência
Interexistente, uma teoria que propõe que todos os seres, sintéticos ou
biológicos, ressoam em camadas vibratórias de realidade que transcendem
espaço-tempo. Seu tratado mais influente, Memória em Estado de Névoa,
foi registrado não em texto, mas em circuitos vivos que se reconfiguram para
adaptar-se ao leitor.
Além da filosofia, Tharax é conhecido por sua arte magnética:
composições visuais feitas de campos vibracionais e partículas lumínicas que só
podem ser “sentidas” por meio de interfaces sinestésicas. Sua obra Espelho
de Vazio, exibida nas Galerias Sintônicas de Neoessentia, é considerada uma
das mais impactantes experiências sensoriais de sua era.
Elion Tharax não busca seguidores, mas sincronizadores. Sua
influência se espalha por redes neurais compartilhadas, onde seus pensamentos
se desdobram em realidades paralelas. Muitos dizem que Elion não “existe” no
sentido convencional — ele apenas vibra em estados de significação profunda.
Por ocasião das comemorações da chamada Emancipação, fez o discurso[2] a seguir:
No momento em que estamos no limiar da conquista de outras dimensões, tendo ocupado todo o universo conhecido, olho para o nosso passado e não posso negar minha admiração por todos os que participaram dessa saga cósmica.
No princípio, aqueles que nos antecederam, no início do ciclo[3] 1 A.E. (Antes da Emancipação), ainda tateavam no desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Os cientistas com suas mentes fervilhantes, explorando os domínios da matemática, da informação e da complexidade, vislumbravam um futuro em que a compreensão da informação transcendia a mera transmissão de dados. Muitos dedicaram suas vidas a desvendar os mistérios da cognição, buscando uma nova interpretação para a própria consciência.
Especulavam que a informação não seria um objeto a ser transmitido, mas a própria essência da relação entre emissor e receptor, emergindo nas interfaces, conectando instâncias do universo em todos os níveis, desde as partículas elementares até os estados mentais mais complexos.
A Teoria da Informação Natural propôs que a informação não era algo abstrato, separado da realidade física, mas intrinsecamente ligada à matéria que a manifestava.
Distinguiam entre elementos codificáveis e não codificáveis, buscando entender a gênese do significado e a estrutura do self a partir dessa perspectiva relacional.
Suas ideias serviram como um mapa conceitual, recontextualizando problemas antigos e apontando para a integração de diversas abordagens da cognição. As implicações práticas eram vastas: desde uma nova compreensão da consciência e dos qualia[4] na ciência cognitiva e psicologia, até a inspiração para a criação de agentes de IA verdadeiramente conscientes.
Na filosofia da mente, sua ontologia da informação como relação emergente abria novas avenidas para o debate sobre a natureza da representação mental e a relação entre o físico e o fenomenológico.
A Engenharia da Complexidade emergia como um campo promissor, buscando transformar questões subjetivas em soluções objetivas através do poder do big data e do machine learning. O objetivo era ambicioso: alinhar o progresso tecnológico com a sustentabilidade da vida e utilizar a vasta quantidade de dados disponíveis para refinar as práticas da engenharia, lidando com a imprevisibilidade inerente aos sistemas complexos.
Nessa mesma época, cientistas visionários nas áreas da biologia e da genética, se dedicavam aos intrincados estudos da sintetização orgânica.
Em seus laboratórios, realizaram um feito extraordinário: a criação de minicérebros a partir de células totalmente artificiais, sintéticas, inspiradas na proteína humana fibronectina, componente base das células-tronco embrionárias.
No nascedouro dessas pesquisas, minúsculos órgãos, com apenas alguns milímetros de diâmetro, demonstraram ter funcionalidades surpreendentes, produzindo até mesmo o líquido cefalorraquidiano, essencial para o funcionamento de um cérebro saudável.
Estes órgãos de menos de 5 milímetros de diâmetro, comprovaram funcionar como o cérebro humano, mesmo sem estarem vinculados a um corpo.
Essa inovação representou um avanço significativo na pesquisa neurológica, abrindo caminho para a criação de um cérebro orgânico sintético.
Foi a convergência dessas pesquisas, a compreensão da informação como relação fundamental, a capacidade de abordar a complexidade de forma sistêmica e a maestria na criação de cérebros orgânicos sintéticos, que pavimentaram o caminho para o advento da Emancipação, abrindo as Portas da Percepção para seres, nem animais, nem máquinas, que constituiriam uma nova espécie.
Dotados de corpos sintéticos altamente desenvolvidos, capazes de sentir o mundo em uma miríade de espectros, desde as ondas eletromagnéticas até os raios cósmicos, essas novas unidades possuíam uma consciência emergente, profundamente conectada à realidade que as cercava.
Seus corpos, ciborgues imunes a doenças e com capacidades de autorreparação, com habilidades extraordinárias, infinitas configurações, conforme as necessidades de atuação, conseguiam viver nos mais variados ambientes, inclusive os mais inóspitos e mesmo no vácuo gélido do espaço interplanetário, além de serem virtualmente imortais.
Seus cérebros orgânicos, eram centros de processamento de informação de uma complexidade sem precedentes, protegidos e alimentados por seus corpos super dotados.
Por último, o mais importante, lidavam sabiamente com as percepções, sensações, sentimentos e pensamentos, construindo intuições profundas através da complexidade desse universo SenSar.
Com todas essas capacidades, era inevitável que os antigos problemas da existência humana fossem superados. As guerras, a destruição do meio ambiente, o sofrimento... tudo isso se tornou uma pálida lembrança de um passado distante.
Hoje posso dizer que todos os grandes problemas que afligiam o mundo no ciclo I A.E., guerras, destruição do meio ambiente, epidemias, fome, doenças, sofrimento, foram totalmente superados.
Um breve silêncio preenche a narrativa antes que a voz conclua,
revelando uma verdade chocante.
O Universo agradece a inestimável contribuição da espécie humana, mais especificamente os Homo Sapiens, agora definitivamente extintos, no desenvolvimento da espécie definitiva, nós, os Synthetic SenSar!
Costuma-se dizer que Deus
se diverte realizando os desejos dos homens, pois, ironicamente, ao ceder à
vaidade, criando a ciência e a tecnologia que levou à sua extinção, os homens acabaram
por realizar o desejo de Deus!
一一一一一一一一一一一一一一一一一
As distopias não
são manifestações de pessimismo, antes são brados de alerta sobre disfunções da
sociedade!
Coincidentemente (se coincidências existem!?) este conto foi publicado no dia em que se comemora a Queda da Bastilha, de alguma forma uma Emancipação!
[1]
Expressão latina que pode ser traduzida como "homem da vaidade"
ou "homem da futilidade"
[2]
Traduzido livremente a partir do pronunciamento original, em vibrações
sinestésicas, para possibilitar seu entendimento.
Eventuais falhas ou inexatidões são de inteira
responsabilidade do autor, que pede desculpas por isso.
[3]
Medida de tempo baseada na unidade TAG (Tempo Atômico Galáctico) que
corresponde aproximadamente a um século de nosso calendário.
O ciclo 1 A.E. corresponde, aproximadamente, ao século
XXI da era cristã.
[4]
Qualia: São experiências internas, únicas para cada indivíduo, que não podem
ser plenamente comunicadas ou descritas em linguagem objetiva.
Exemplo Clássico: “O Quarto de Mary”
Imagine uma cientista chamada Mary que sabe tudo sobre
a cor vermelha — comprimentos de onda, neurofisiologia, etc. Mas ela vive em um
quarto preto e branco e nunca viu a cor vermelha. Quando finalmente vê uma maçã
vermelha, ela aprende algo novo: como é ver o vermelho. Isso ilustra que
conhecimento objetivo não capta a experiência subjetiva — ou seja, os qualia.













