Pedido de desculpas

27/03/2018
Aos meus filhos, parentes e amigos peço as mais sinceras desculpas.
Admito, sou culpado de ter ajudado a alimentar um monstro, um monstro que, não bastasse sua proposta política equivocada, sua suprema presunção de senhores da verdade, sua miopia sobre a natureza humana, sua irresponsabilidade em relação à coisa pública, seu desdém em relação às pessoas e sua liberdade, além de tudo isso, conseguiram popularizar, como nunca antes na história deste país, a intolerância e o sectarismo.
Neste país em que radicais, como os fascistas e os comunistas nunca passaram de traço, em que, é verdade, a esmagadora maioria sempre foi submissa e alienada, eles conseguiram perpetuar a submissão e a alienação, mas agora temperadas com muito ódio de todos por todos.
Hoje somos submissos e alienados e massa de manobra de radicais violentos que nunca foram de esquerda ou de direita, mas canalhas cujo único objetivo é manter seus privilégios.
Sim, sempre fomos submissos e alienados, nem mesmo tentamos alterar a correlação de poder estabelecida desde a invasão européia, mas movimentos como o fascismo e o comunismo nunca prosperaram por aqui, porque nunca servimos de massa de manobra para radicais.
Até o advento deletério do PT.

Infelizmente só posso me desculpar, o estrago já foi feito, agora são as novas gerações que terão que encontrar o caminho para uma nova sociedade, lamentavelmente conflituosa e injusta como sempre foi, agora também violenta.

luiz felipe pondé






Filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, discute temas como comportamento, religião, ciência. Escreve às segundas.
iGen: Jovens em agonia
13/11/2017
Ricardo Cammarota
O conceito de geração, criação bem sucedida do marketing americano desde os chamados baby boomers, ganhou "credencial" científica.
A pesquisadora americana Jean Twenge, em seu último livro "iGen, Why Today's Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy -and Completely Unprepared for Adulthood" (Geração i, por que os jovens de hoje, superconectados, estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes -e completamente despreparados para idade adulta), lançado pela Atria Books, constrói, a partir de um arsenal de pesquisas, um perfil dos jovens nascidos entre 1995 e 2012.
O universo é o americano, mas, podemos aplicá-la com razoável segurança aos jovens brasileiros das classes A e B.
Vale esclarecer que "i" (internet) aqui se refere ao "i" do iPhone, logo, a autora está dizendo que esses jovens vivem com um iPhone nas mãos. E também "i" para "individualismo", traço marcante da iGen.
Trabalho com jovens entre 18 e 20 há 22 anos. E posso perceber enormes semelhanças entre o que ela descreve e o que vejo no dia a dia, não só em sala de aula mas também graças ao contato alargado com jovens via mídias sociais.
Muitas dessas características são quase universais, devido à ampla rede de comunicação e distribuição de bens criada pelas mesmas mídias sociais.
Escolas e famílias, muitas vezes, são parte do problema, e não da solução. Ambas se atolam em modas de comportamento e iludem a si mesmas e aos jovens por conta, seja do marketing das escolas, seja das projeções vaidosas dos pais sobre seus filhos. O marketing das escolas é desenhado a partir dessas mesmas projeções vaidosas dos pais em relação aos seus filhos, ou seja, clientes das escolas.
Algumas dessas projeções são: os jovens de hoje são mais evoluídos afetivamente, são mais preocupados com temas sociais, mais tolerantes com o diferente, mais seguros com relação ao que querem, menos submetidos à moral "imposta" pela sociedade, mais sensíveis a desigualdade social, mais conscientes de uma alimentação equilibrada e, no caso das meninas, mais autônomas, independentes e donas do seu corpo.
Algumas dessas projeções não são, necessariamente, falsas.
O discurso da tolerância entre os jovens aumentou de fato, principalmente no tema gay/lésbica/transgênero (associado a questão "cada um é cada um").
A preocupação com a desigualdade social também aparece, mas, principalmente, limitado ao campo das mídias sociais ou intercâmbios caros pra cuidar de crianças sírias na Alemanha, claro, aprendendo alemão junto e conhecendo jovens do mundo inteiro.
A realidade e o clichê não se recobrem totalmente.
Segundo a pesquisa de Twenge, nunca houve jovens tão infelizes na face da Terra. Consumidores de ansiolíticos em larga escala, a iGen busca "safe spaces" nas instituições de ensino a fim de não sofrerem com "frases" que causem desconforto emocional. Se são cuidadosos com os riscos físicos, esse mesmo cuidado no âmbito emocional indica a quase total incapacidade de lidar com a realidade.
Percebe-se facilmente que os jovens, "cozidos" no discurso psi da "vulnerabilidade", vão se tornando mais medrosos. Inseguros, morrem de medo de qualquer ideia que coloque em xeque seus "direitos à felicidade".
O mundo não ajuda. Ainda mais com essa gente que mente por aí dizendo que o capitalismo está ficando consciente ou espiritual. Eles sabem muito bem que o mundo deles será pior: mais incerto, mais violento, mais competitivo. A agonia com o futuro é crescente.
Se esses jovens desconfiam do mundo, têm razão em fazê-lo. Muitos pais e professores optaram por um discurso infantil, muitas vezes querendo "aprender" com os mais jovens -quando deviam apenas pedir ajuda com o iPhone.

Fazem menos sexo, ao contrário do que o blá-blá-blá da liberação sexual diz até hoje. Têm medo de contato físico e veem em tudo a ameaça de assédio sexual. A simples demonstração de desejo é assédio.

Pensar em ter filhos, jamais! Filhos, como eles, custam caro, duram muito e nunca querem virar adultos. Melhor cachorros e gatos.


Folha de São Paulo
Há os que creem,
há os que apenas vivem, aceitando o mistério como tal,
e há os que necessitam de algo para crer,
para esses recomendo Neruda.
                                                           Anno domini 2017

SÓ O HOMEM (AS UVAS E O VENTO - AS UVAS DA EUROPA)
               Pablo Neruda
Eu atravessei as hostis cordilheiras,
entre as árvores passei a cavalo.
O húmus deixou no chão sua alfombra de mil anos.
As árvores se tocam na altura, na unidade trémula.
Embaixo, escura é a selva.
Um voo curto, um grito a atravessam,
os pássaros do frio,
os zorros de elétrica cauda,
uma grande folha que tomba
e meu cavalo pisa o brando leito da árvore dormida,
mas sob a terra as árvores de novo se entendem e se tocam.
A selva é um só grande punhado de perfumes,
uma só raiz sob a terra.
As puas me mordiam,
as duras pedras feriam meu cavalo,
o gelo ia buscando sob minha roupa rasgada
meu coração para cantá-lo e adormecê-lo.
Os rios que nasciam
diante de meus olhos desciam velozes
e queriam matar-me.
De repente uma árvore ocupava o caminho
como se tivesse andado
e então a houvesse derrubado a selva
e ali estava grande como mil homens,
cheia de cabeleiras, pululada de insetos,
apodrecida pela chuva,
mas do fundo da morte queria deter-me.
Eu saltei a árvore,
quebrei-a com o machado,
acariciei suas folhas formosas como mãos,
toquei as poderosas raízes
que muito mais que eu conheciam a terra.
Eu passei sobre a árvore, cruzei todos os rios,
a espuma me levava, as pedras me enganavam,
o ar verde que criava joias a cada minuto,
atacava minha fronte, queimava minhas pestanas.
Atravessei as altas cordilheiras
porque comigo um homem, outro homem,
um homem ia comigo.
Não vinham as árvores,
não ia comigo a água vertiginosa que quis matar-me,
nem a terra espinhosa.
Só o homem, só o homem estava comigo.
Não as mãos da árvore, formosas como rostos,
nem as graves raízes, que conhecem a terra, me ajudaram.
Só o homem.
Não sei como se chama.
Era tão pobre como eu,
tinha olhos como os meus
e com eles descobria o caminho
para que outro homem passasse.
E aqui estou.
Por isso existo.
Creio
que não nos juntaremos na altura.
Creio
que sob a terra nada nos espera,
mas sobre a terra vamos juntos.
Nossa unidade está
sobre a terra.

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A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro”.
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto, é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
Pierre Teilhard de Chardin
(01/05/1881, Orcines, França - 10/04/1955, Nova Iorque, USA)   Padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês.



Acredito no Deus de Espinosa, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pelo destino e pelas ações dos homens.   Einstein


Um ateu é alguém que está certo de que Deus não existe, alguém que tem evidências convincentes contra a existência de Deus. Desconheço tal evidência convincente. Porque Deus pode ser relegado para lugares e tempos remotos, e a causa final, teríamos de saber muito mais sobre o universo do que nós agora sabemos para ter certeza que Deus não existe. Para ter certeza da questão da existência de Deus, e ser determinada a não existência de Deus, os ateus me parecem estar confiantes ao extremo em um assunto tão cheio de dúvida e incerteza quanto a inspirar pouca confiança na verdade.
A ideia de que Deus é um homem branco de grandes dimensões e de longa barba branca, sentado em um trono em algum lugar no céu, ocupado e sempre tendo consideração pela morte de cada pardal é ridícula. Mas se Deus na verdade é um conjunto de leis físicas que governam o universo, então é claro que Deus existe. Este Deus é emocionalmente insatisfatório… não tem muito sentido rezar para a lei da gravidade.     Carl Sagan




A parábola do filho pródigo ensina que devemos utilizar nossos dons de forma produtiva, nunca desperdiçando-os por medo ou preguiça.

Ora, o dom mais precioso do homem é o pensamento, a racionalidade. Negá-lo, apenas para acalmar nossos medos, professando crenças sem nenhum fundamento ou pior, elaborando artifícios e sofismas que só satisfazem àqueles que não suportam a ideia de que o mistério é apenas isso, mistério, nunca seria apoiado por nenhum deus verdadeiramente sério.











Advertência: O texto que se segue reflete minhas ideias sem filtros, o que poderá chocar ou até ofender espíritos mais sensíveis, portanto, a sua leitura será por conta e risco do leitor. 
No caso de prosseguir ainda assim, recomendo que leiam até o final, sob risco de ficarem com uma ideia distorcida do que eu penso.
Para continuar a leitura, clique abaixo: 
Coitado é cu de cachorro!
Peculiaridades de nossa língua e como o costume transforma tudo!
"Sou feito de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os  retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'."                        

Texto de  Cora Coralina
Aproveitando o aniversário da grande Cora Coralina, comentários sobre a nossa língua.
Ninguém se espantaria ao ver uma doce e idosa freirinha, observando um bebê chorando, dizer: Coitadinho, deve estar com fome!
Exceto se o indivíduo atentar para o significado original das palavras, afinal “coitado” nada mais é do que o particípio passado do verdo “coitar”. Tá bom ou quer que eu desenhe pra você?
Isso me faz pensar nesse novo significado da palavra.
O que é um coitado?
Na minha opinião é todo aquele que, quando só em si mesmo, se acha um coitado, ainda que socialmente se proclame a melhor expressão da felicidade.
A vaidade que sufoca, a hipocrisia que desconstrói, o medo que paralisa são os elementos constituintes do perfeito “coitado”.
O coitado sempre tem uma explicação para seus fracassos que, aliás, nunca são fracassos, apenas resultado de escolhas nobres e heróicas que, função da injustiça característica de nossa estrutura social, familiar, econômica etc. etc., levaram esse nobre hipócrita medroso a deixar de conquistar o que de fato queria.

sic transit fabulam mundi



Por quê os portugueses tinham que inventar de colocar um “m” no final das palavras “um”, “em”, “também” etc?
Peça para um francês, italiano ou mesmo espanhol, para falar “um” e eles vão ter que se esforçar muito e acabarão falando “ummme”, pressionando os lábios para produzir o “mmme” no final.
Por outro lado, para nós, pronunciar “un” é muito fácil, a língua toca suavemente o céu da boca e o final fica como deve ser, mudo, ninguém vai falar “unnne” devido a alguma dificuldade especial.
Isso se deve ao fato de que falamos predominantemente pela boca, então ao pressionar os lábios um contra o outro, inevitavelmente fechamos a boca dificultando a saída do som, então precisamos abri-la de novo fazendo a sílaba extra “mmme”.
Esse fato é tão verdade que não pronunciamos “um” e sim “umn” algo como um “m” aberto no fim, o que é muito mais confortável.
Querem mais? Por quê a contração - pelo menos na linguagem coloquial -  da preposição “em” com o artigo indefinido “um” é “num”? Deveria ser “mum”, “em+um”, mas não, é “num”, pelo simples fato de que é mais natural.
Tudo isso para justificar minha frase “Paz nun zaP” que não ficaria tão boa se eu escrevesse “Paz num zaP”, perceberam?
Agora sobre o título: "a história do mundo que está passando".
Me refiro à tese do “Resident Evil - DCLXVI”, sobre a lucidez que estamos alcançando, o fim das “fábulas”, dos “profetas” e das “crenças”.
A profecia do Gênesis, sobre a expulsão do paraíso, está se cumprindo à risca - só espero não ser responsabilizado por isso, sou apenas o mensageiro - mas isso talvez seja, realmente, o fim da aventura humana.
Senão vejamos, só vivemos se tivermos algum sentido para a vida. Se não acreditarmos mais nas “fábulas” sobre nosso futuro, vivos ou mortos, adotando a via da ciência para concentrar nossas esperanças e, por via da própria ciência, constatarmos que a “verdade final” nunca será alcançada, pelo simples fato que, ao que parece, ela não existe, depende do observador, então “caput”, é o fim.
Exceto pelo fato de que estamos vivos e precisamos continuar? E aí?














Il  galetino vecchio i  u Chantecléro
Otra fábula chi non é du Anderse ni du Esopo e ni fui atradutta pelu Bananère
U tar du Chantecréro era um galo molto du elegante, buniton mismo, che - tutto mondo tá cansado di sabê - cantava tutta matina, bem cedigno. Cantava come nessuno, era una bilezura de cantoria!
Mar acabava di cantá e giá arguma galigna vigna pidi pra eli: Ô, seo Chantecréro, corri lá che mio pintigno ficô preso na tela du galignêro.
E lá ia o tar do galo arrisorvê o probrema. Chigô, deu una vuada cun as ispora in riste e bateu cun tanta forza na cerca chi o pintigno fui jogado longi. Foi só caí nu chon e saiu currendo, lépido e lampêro.
A galigna quasi choranu: Brigada, viu seo Chatecréro, che Dio Genaro ti proteja!
Dio Genaro era u dono du galignêro. As galigna tutto pensave chi eli era Dio, perché eli é chi trazia cumida e livava us ovo tutto giorno. Di veiz in quano vigna cun una caxa cheigna de pintigno. As galigna dizia che ele era o Dio da chucadêra.
Quanu paricia tutto tranquilo, o Chantecréro tava ciscando pra prucurá unas bruta mignoca, má che esperanza, lá vigna ôtra galigna pidi pra apartá una baita briga di doise franguigno, dessis chi os pissoar chama “di leite” i nóis fala “al primo canto” - fica una gustusura assadigno - maise elis tava se matando a toa.
I lá vai o Chantecréro apartá a briga.
Nu galignêro tambè tinha un galetino meio mirradigno, má invocado pra xuxú. Eli già era ben vecchio, má sempre fui daccheli jeito.
O galetino falava pras galigna: Perché só u Chantecréro pódi cantá? Eli paréci u rei du galignêro!
Eli vivia contano lorota: Io fiz a raposa corrê! Perchè io isso… io aquilo… Era só cominçá a parlá qui lá vigna lorota grossa.
Unas galigna molto da fofocchêra - perché nun tem animar maise fofocchêro chi as galigna - foro falá pru Chantecréro. Eli feiz chi nem tigna prestado attenzione.
Un bello giorno, tava nostro herói correndo atraise de unas galigna bem bunitigna, quano ouviu um berrêro: A raposa, a raposa!
Aí eli pegô e chamô o galetino invocado: Ô galetino, si vucê ché cantá alla matina, vai butá a raposa pra corrê. Si vucê consiguí, domani podi cantá nu mio lugare.
Comme u galetino num sapeva o chi fazê, falô anssim: Io… io passê mia vitta tutta ciscano, comme vô butá a raposa pra corrê. Io nun trenê, nun tegno apreparo físico.
Puis é, enton aspetta un poco chi io ti mostro. Aparlô i saiu ventano.
Quano a raposa vio as ispora do Chantecréro vuano pra cima dela, livô un bruta susto, deu una cambagliota tão arta che pulô a cerca dis costa.
Desse giorno in diante o galetino num recramô maise di nada e o Chatecréro continuô a cantá tuttos giorno.

Morale da história:
Chi ha pio paura chi coraggio só serve pra cantá nu bagnêro!











19/07/2017

Conforme vamos vivendo e tentando entender a vida, vamos percebendo quão sem sentido são nossas ideologias.
Na juventude somos fundamentalmente ideológicos, tudo tem que ter um sentido e uma razão, ainda que seja irracional e inconsistente, como acreditar em sociedades alternativas, onde tudo será da lei. À medida que amadurecemos somos instados, por força de compromissos sociais, como escola, trabalho, família, a de origem e a que viermos a formar, a nos relacionar, conviver e negociar com indivíduos e grupos com diferentes percepções da vida Até na formação do casal, somos obrigados a separar ideologia de vida em sociedade e, principalmente, de amor.
Católicos, espíritas, crentes, comunistas, workaholics, ateus, filósofos, bichos grilo, consumistas, engajados, direita, esquerda, tudo tem que ser digerido e assimilado quando se pretende manter uma certa harmonia em nosso ambiente.
Mais adiante começamos a entender até os “marginais”, afinal, se Henry Thoreau propôs que a desobediência civil era uma possibilidade moralmente aceitável, porque todos teriam que agir conforme a “norma”. A criminalidade é apenas mais uma forma de se enfrentar os desafios da vida e temos que reconhecer que a velha pregação de que agindo dentro da lei seríamos mais felizes não tem dado resultado para a grande maioria do povo, mormente em nossa terra brasilis.
Lembro de quando nossos filhos estavam em idade pré-escolar e um colega de trabalho manifestou a seguinte dúvida: Educo meu filho para ser honesto ou para se dar bem?
O fato é que acreditamos em certos valores como democracia, estado de direito, respeito à propriedade, apenas por ideologia, nada garante que essas ideias levarão cada um ao seu melhor resultado.
Isto posto é preciso dizer que tenho minha ideologia, meus valores e tento defendê-los da melhor forma possível. Além disso acredito que é importante para vivermos em sociedade acreditarmos em certos valores, principalmente o respeito ao próximo.
Ocorre que esse respeito passa por aceitar ideologias frontalmente contrárias às nossas.
Achei o depoimento abaixo, feito por uma pessoa da qual sou fã de carteirinha e que relata um episódio envolvendo duas outras personalidades que desde muito cedo povoaram as paredes do meu quarto imaginário, em fotos e cartazes, um belo exemplo disso que acabei de descrever.
Do BAÚ
Retirado do livro “Rita Lee – uma autobiografia”
Por essa época, Henfil andava fazendo minha caveira, tipo “a cantora descalça Lee, representante do imperialismo musical americano" coisa e tal. Fiquei triste, eu era muito do cara e comentei com Elis que até havia escrito uma letra baseada em suas tirinhas do personagem Ubaldo, o paranoico. Elis fez a diplomata e passou a história a ele que, em off, se declarou meu fã também, mas que precisava manter o discurso esquerdette e que dali em diante só faria a irresistível piada "ritalee, ritaqui". Não teve tempo de receber esta minha singela homenagem:
Desconfio da pomba
No meio de urubus
Desconfio de quem fala
Em nome de Jesus
A direita um abismo
A esquerda um vulcão
O beco é sem saída
Estou na contramão
Lá está o demo camuflado
Onde certo é o errado
Mãos ao alto!
Sorria!
Você está sendo assassinado
Desconfio que o rei
É filho da máfia
Desconfio que o herói
E da mesma falácia
Desconfio que os humanos
É que são os animais
Medo do velho, da criança
Das novelas, dos jornais
Lá está o demo camuflado
Onde certo é o errado
Mãos ao alto!
Sorria!
Você está sendo assassinado
Eu sou Ubaldo, Ubaldo, o paranoico

Apesar do ar heroico que procuro demonstrar