Medo
04/10/2026
Neste outubro de 2026, é fácil perceber o medo, ou insegurança - ou receios, ou dúvidas, ou seja lá qual for o sentimento que estejamos experimentando - que está se disseminando entre uma parcela significativa da população.
A razão desse sentimento é o crescimento de uma reação ao sistema que se materializa em forças políticas que vemos como nocivas, deletérias, que, a cada ano, vem obtendo apoio de parcelas crescentes da população.
Isso não é um fenômeno exclusivo do nosso país, o mundo ocidental está pendendo claramente para a negação de tudo que muitos de nós consideramos progresso civilizatório.
Já escrevi muito sobre isso, sobre a eterna contraposição entre liberdade e segurança.
O que consideramos avanço civilizatório foi uma tentativa de aumentar a segurança nas nossas sociedades.
Justificado ou não, esse movimento tendia a impor regras e exigências que, em última análise, iam contra a liberdade individual.
Como eu coloquei, não estou fazendo uma análise do mérito desse movimento, apenas dos efeitos observados em uma parte significativa da população.
A guinada à direita que observamos, ainda que grotesca, nada mais é do que uma reação a esse movimento.
Existem forças que excedem nossa capacidade de resistência cívica, a meu ver, essa é uma delas.
É muito difícil fazer previsões em uma situação como essa, mas parece que os agentes dessa reação vão se fortalecer ainda mais nos próximos anos.
O mais importante nesse momento é lembrar que o mundo não vai acabar, a vida vai continuar.
Mudanças vão ocorrer, mas não podemos deixar que a paranoia se instale, afinal muitas dessas mudanças não terão influência direta em nossa vida cotidiana.
Acompanhar o noticiário político sempre foi, e ainda continuará sendo, importante, o que não é saudável é nos deixarmos envolver como se cada novo fato fosse afetar tragicamente nossa vida, a maior parte do movimento político nos afetará indiretamente, quando afetar.
Claro que teremos que nos adaptar às mudanças, mas sempre tivemos que fazer isso, inclusive passando por uma ditadura e sobrevivemos sem grandes sacrifícios.
Alguns sofreram muito, outros nem tanto e muitos seguiram sua vida com as acomodações eventuais.
Em resumo, o mundo à nossa volta está mudando e sempre esteve, isso é inevitável, e a nossa capacidade de adaptação sempre foi, e sempre será, suficiente para enfrentar essas mudanças!
não como gostaríamos que elas fossem!
