Paranoicoceno
O despertar do medo
                                                                                                                                                                                                                                                       25/07/2018
Em 27 de dezembro de 2010, última segunda-feira do último mês do último ano da primeira década do primeiro século de um milênio que pode ser o ducentésimo da era do Homo Sapiens, lancei o DemimPro6.

O medo, mais do que outras coisas, era o meu foco. O medo que já dominava o mundo neste começo do milênio e se tornava, disparadamente, o pior inimigo a ser combatido, muito além das ameaças reais, dos perigos e riscos que caracterizam a vida, afinal, como dizia lá e digo hoje: Viver é arriscado!

Ao longo desses quase oito anos escrevi sobre muita coisa, provavelmente muitas bobagens e, provavelmente, alguns medos também, afinal não estou imune a essa epidemia, mas mantenho-me alerta porque sei que nada é pior do que o medo.

Algumas frases que escrevi durante esse período tentavam lembrar a todos de alguns fenômenos que de tão óbvios se tornam transparentes:
  • ·        Coragem gera coragem da mesma forma que medo gera medo!
  • ·        É preciso dar chance ao erro ou nunca iremos acertar!

Para casar ou entrar numa ducha fria é preciso parar de pensar!

Se, querendo mudar de emprego, ficarmos esperando as condições ideais, ficaremos só esperando!

Infelizmente esse fenômeno só vem se aprofundando. Cada vez mais vemos o medo dominar o comportamento de nossa espécie, impondo uma imobilizante falta de atitude.

Medo de sofrer, medo de morrer, medo de se arriscar, medo da violência, medo da dor, medo das perdas, medo de acidentes, medo do vizinho... medo de ter medo! Miedo (clique)

Como consequência estamos vendo um crescimento extraordinário da necessidade de salvadores da pátria, do sectarismo, do radicalismo, não das atitudes, mas das escolhas, sempre preferindo apoiar quem represente a coragem que já não conseguimos ter.

Vemos as lideranças autoritárias ou populistas voltando a dominar a opinião pública no mundo inteiro. A libertação que parecia ter nascido na segunda metade do século XX, os sonhos utópicos de anarquia, do amor livre, do “proibido proibir”, inverteu-se radicalmente.

No ambiente da vida cotidiana isso se repete da mesma forma, o excesso de cuidados que especialistas do “Fantástico” nos convencem ser imprescindíveis, ou mesmo as campanhas de desinformação que proliferam na internet, como movimentos anti-vacinas, dietas radicais etc. etc.

O regime policialesco que vivemos com censura sobre todo tipo de atitude, como comemos, como falamos, como nos socializamos. Não pode falar de política nem de religião, nem de futebol porque temos medo do conflito. Estamos perdendo a habilidade mais essencial à vida, a coragem!

Claro que a quantidade informação é um imenso complicador, são tantas as possibilidades de erro que hoje conhecemos, sem nem sequer entender direito, que fica difícil decidir. O fato é que as decisões tem um timing próprio, não podem esperar indefinidamente, o medo impede que assumamos o risco e tomemos a melhor decisão possível por conta própria, então delargamos a decisão para algum guru real ou virtual achando que “ele” nos guiará.

A pergunta que fiz anos atrás continua válida:       

Você está satisfeito com as soluções que seus problemas têm encontrado?


Mesmo que você titubeie, seus problemas vão encontrar uma solução, a fila anda, como se diz. E se você cair na lábia de alguém, será que chegará ao esperado porto seguro?

A solução, como dizia há muito tempo, é Coragem e Prudência, lembrando que a primeira se constrói pela prática, coragem gera coragem, enfrentando o medo, porque medo também gera medo.

A última, a Prudência, uma das Virtudes Cardeais, é muito mal interpretada nestes tempos de covardia.

Prudência não é tomar todos os cuidados possíveis e imagináveis antes de tomar uma decisão, é antes, adotar uma postura prudente durante toda a vida, ou seja, preparar-se sempre, estudar, melhorar seu entendimento sobre si mesmo e sobre o mundo que o cerca, aumentar sua autoconfiança para, no momento de decidir, sentir-se confiante para assumir todos os riscos daquela decisão no tempo requerido pela situação. Só tendo certeza de que nos preparamos da melhor forma para os desafios da vida sentiremos essa confiança.






Interessante que a proliferação das famosas Fake News, praga que está dominando nossa comunicação, é o típico resultado da falta de prudência.
Vejam este artigo no link: Vivemos na era da Paranoia!



23/07/2018
Para ninguém esquecer que a repressão reprime, seja de esquerda ou de direita!
Estamos vivendo tempos de irresponsabilidade assumida, em que pessoas com capacidade de discernimento suficiente para avaliar em que estão se metendo estão abrindo mão de se informar e de pensar sobre o que estão defendendo, apenas pela vaidade de participar de um ou outro grupelho de idiotas, seja defendendo os mentores do Foro de São Paulo, seja defendendo a volta da ditadura.

Tomem tento, recuperar a liberdade perdida não é nada fácil!

Um pouquinho do que vivemos nos anos de chumbo pode ser relembrado, ou conhecido pelos que não viveram essa época, no documentário sobre o nosso CAASO, Centro Acadêmico Armando de Sales Oliveira, da Escola de Engenharia de São Carlos, agremiação da qual fizemos parte de 1970 a 1974.

Nessa época já havia passado o auge dos movimentos estudantis, mas muito tinha que ser feito, a luta pela anistia, eleições diretas, direitos políticos e, principalmente, o restabelecimento da democracia e das liberdades individuais, direitos que os irresponsáveis de esquerda e de direita agora usufruem e, levianamente, esquecem de defender.










Antes de agir, pense!
A estratégia do PT                                                                                                                   22/07/2018
Aqui vai um resumão do que já divulguei no intuito de alertar pessoas evidentemente desavisadas do caráter de que se reveste esse grupo obcecado pelo poder e pela implantação de um regime totalitarista, que, hipocritamente, se diz democrático e defensor da justiça social.
Começando com dois comentários da imprensa sobre a tentativa de maracutaia mais recente:
A manobra de 08/07/2018
A ação realizada domingo, 08/07/2018, pelo PT foi uma manobra estratégica conhecida como reconhecimento em força.
O objetivo principal era apenas o de avaliar o dispositivo de defesa das Instituições de Estado, Poder Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas. A reação da sociedade. A força das redes sociais. O comportamento da mídia. Os flancos expostos.
É uma operação que precede o ataque. O ataque final está por vir.
A decisão sobre o quando e o como será tomada por ocasião da reunião do Foro de São Paulo em Cuba. Dirceu foi solto para coordenar isto.
A via de acesso que será utilizada está pavimentada e todos já conhecemos: o STF.
A hora se aproxima, e será logo após o recesso da Corte. Estejamos preparados!
Não há o que comemorar. O que o obtivemos no Domingo foi uma vitória de Pirro.

O Petismo ainda é dominante
Por Olavo de Carvalho - filósofo
Subestime a religião socialista, e eles vão arrebentar você de novo.
O petismo ainda é dominante em 3 zonas:
- nas universidades, especializações, mestrados e doutorados;
- fortíssimo no campo jurídico, reduto de 'justiceiros sociais' completamente doutrinados;
- na arte, devido ao espírito anti-conservador da geração beat e do pós-modernismo.
Com a condenação de Lula, eles estarão cada vez mais obcecados e ressentidos, com um sentimento de vingança mais do que profundo na raiz da alma, e estão neuróticos achando que enveredaram em uma cruzada final contra o 'mal', contra o 'grande capital'.
A doença mental difusa do PT e do esquerdismo em geral têm uma racionalidade própria, possui auxílio direto da KGB, do serviço secreto cubano, além de seguirem recebendo dinheiro dos globalistas, e, enquanto a burguesia brasileira solta foguete com a prisão do Lula, eles estão se reformulando, trocando de pele porque este é o ofício da cobra.
Membros de uma seita não desistem nunca. É preciso ver a prisão de Lula como uma janela, uma oportunidade para entrar com bisturi na guerra cultural que mal começou no Piauí.
Estamos no olho do furacão de uma reviravolta cultural que vai durar uns 200 anos. Recomendo que treine os seus filhos, pois precisaremos deles.

Conclusão
Aparentemente o pessoal não entendeu o que está acontecendo, continuam com a lenga-lenga de inocentes enquanto utilizaram e continuam a utilizar estratégias de guerra durante décadas e esperam comportamento “ético” dos adversários:
  1. Os lados envolvidos nessa pendenga são iguaizinhos, só que diferentes: são iguais na safadeza, diferentes nas pretensões;
  2. A cleptocracia não se instalou no governo do PT, está aí há pelo menos 500 anos (sei lá se os índios eram corruptos), apenas retirou o verniz que cobria essa corja;
  3. Ao retirar o verniz, as pessoas conscientes puderam ver o que estava por trás do projeto da quadrilha e era muito pior do que a corrupção utilizada para atingir os seus objetivos, era um projeto de implantação do socialismo e, consequência inevitável, o fim da democracia.

Essa é a questão que se coloca e o motivo pelo qual precisamos repensar o apoio às esquerdas, claramente uma ilusão que leva ao fanatismo e a loucura de pessoas que deveriam, por sua formação, estar imunes a seitas, assim como a ideologias obtusas.




O ninho onde se acalenta o ovo da serpente (clique no link): Conheça o Foro de São Paulo
Reconheço, sou parcialmente responsável por isso, durante quase 30 anos de minha vida apoiei essa gestação, na crença, como hoje percebo em pessoas ingenuamente iludidas, de que estava apoiando um movimento libertário e justo por melhores condições de vida para todos.
Por isso sofro mais, é como quando estamos acompanhando o crescimento dos filhos e tentamos mostrar que o fogo queima, mas só queimados é que aprendem.
Estou apenas fazendo a minha parte, como muitos tentaram na Rússia, na Alemanha e mesmo no Brasil (09/07 e o M.M.D.C. são a prova).
É certo que eles não têm nenhuma chance no Brasil, só lamento que poderíamos estar unidos pelo país ao invés de nos digladiando por ídolos inescrupulosos.
Agora I give up, alea jacta est, só torço pelo melhor e pelo mínimo sofrimento pra todos.

Tolerância x Ignorância

O que chama a atenção nessa discussão é a atitude dos radicais, seja de que lado for.
Para esses, os que pensam diferente estão sempre demonizando um lado, não viram ainda o caminho da luz, não merecem ser ouvidos, porque, obviamente, estão errados.
A expressão "demonizar" é interessante já que estabelece uma confrontação entre anjos e demônios. Nesse embate me causa preocupação o lado angelical, representado por pessoas "piedosas" de dentro de seus condomínios e automóveis automáticos, andando de bicicleta por opção, não por terem entregado seus carros aos pobres, ou, quando não conseguem esse nível de vida, reclamando de seus empregadores, que lhes pagam apenas "dez" salários mínimos, e nunca se avaliando criticamente para perceber onde podem estar errando.
Fica evidente a correlação entre intolerância e ignorância, apenas os ignorantes e, pior que isso, simplórios, podem supor saber a verdade e estarem certos, não carecerem de boas perguntas, de visões diferentes para, paulatinamente e num processo sem fim, irem construindo suas conclusões sempre provisórias, válidas até que novas informações e novos enfoques surjam na discussão.
É triste, embora absolutamente verdadeiro em nossa sociedade macunaímica.

Biografia de um herói nacional
Personagem fictício de um país de fantasia.

Qualquer semelhança com personagens reais é mera coerência.
Viveu a melhor situação do mercado externo em muitos anos e não poupou.
Favoreceu "campeões nacionais" com benesses extraordinárias e financiamentos subsidiados pelo povo.
Destinou verbas imensas em obras para países "irmãos", com financiamentos também financiados pelo povo e fazendo vista grossa e ouvidos moucos para os protestos dos povos dessas "ditaduras do proletariado", aliás projetos com os quais comunga os mesmos ideais.
Investiu em obras faraônicas como o pré-sal, olimpíadas, copa do mundo e até refinaria nos Estados Unidos, tudo financiado pelo povo.
Sempre bom lembrar que tudo isso e mais a propalada distribuição de renda, foi financiado pelo povo. Os mais ricos, banqueiros, empresários, mesmo os que não tiveram o privilégio de serem escolhidos como "campeões nacionais", foram agraciados com isenções, subsídios e outras benesses.
Quando as condições externas pioraram, coisa que tinha sido prevista por toda a comunidade econômica internacional e nacional, e o rombo surgiu, tentou remendar gastando mais.
Sendo um metalúrgico imigrante nordestino, alardeando sua origem humilde, amealhou cerca de 12 milhões de reais o que não inclui várias aplicações financeiras não verificadas.
Quando foi tirado do poder por absoluta falta de condição de governar, acusou os sucessores de serem responsáveis pelos desmandos feitos no seu governo.
Interessante, é como dizia o matador: quem mata é deus, eu só aperto o gatilho!

Corrupção?
Ah, é! Tem isso também.
Vamos dar um desconto porque nesse aspecto foi um amador, tadinho, não no montante, que foi recorde, mas na competência, nunca foi tão fácil pegar um ladrão, o juiz justiceiro agradece.

Lula preso
Condenado por 15 juízes, 8 indicados pelo grupo do PT.
Patético ver a que se reduziu um movimento tão prodigioso como o que eu participei ao longo de tantas décadas. Curioso que todas as campanhas em que me engajei desde os anos 80, com Suplicy, Erundina, Plínio, Lula e tantos outros, só pra falar das eleições majoritárias, foram realmente prodigiosas, levantando o povo como só voltou a ocorrer nos impeachments do Collor e da "presidenta", entretanto, todas elas, as campanhas, foram derrotadas.
A chegada ao poder acabou com o sonho e hoje vemos a que se reduziu tudo por que lutamos, um grupinho de pelegos da mesma proporção daqueles que a direita conseguia juntar tempos atrás. A situação se inverteu, conseguiram "endireitar" o país.
É! Finalmente conseguiram. O PT transformou o país numa grande MSE - Multidão sem Educação.
Tudo que criticamos neles agora temos "orgulho" de fazer.

Comentário sobre a estratégia do PT
Anjos, à primeira vista é o que parece ser a ideia que os defensores do socialismo fazem dos seres humanos, seres capazes de justiça, dedicação, altruísmo, temperança etc.
Um olhar mais atento revela algo bem diferente, a obsessão por controle que fica patente pela forma como propõe impor a distribuição da riqueza e até mesmo as formas de produzi-la mostra a total falta de confiança na capacidade de decisão dos indivíduos, daí a tendência ao totalitarismo.

Ideologia - eu quero uma pra mim
1.   qualquer que seja o sistema há que se evitar a concentração de poder, isso vale para a política como para o mercado;
2.   a educação é a base de qualquer possibilidade de melhoria na sociedade e o conhecimento distribuído é mais eficaz;
3.   o pensamento único revela uma de duas coisas: burrice ou má fé;
Apesar disto ser um tipo de ideologia, não acredito em ideologias estabelecidas, a alternância é muito mais alinhada com meu modo de pensar.
Desenvolvimento e distribuição de renda são incompatíveis, sem desenvolvimento não há renda, sem distribuição de renda não há condições para o desenvolvimento, portanto a única solução é a alternância.
A democracia e o capitalismo são muito ruins, mas não vejo melhor opção.
Para concluir: é exatamente para tentar desmontar qualquer pretensão de estabelecer um totalitarismo que continuo me expressando.




Adendo sobre o fim do capitalismo
A cada um conforme a sua necessidade: Tá bom, mas eu quero mais!
De cada um conforme a sua capacidade: Tô bem, mas quero trabalhar menos!


Adendo sobre a Petrobrás

No Brasil, empresa estatal nunca foi empresa pública, mas de políticos corruptos;
A única solução é a concorrência, privatizar em partes, campo por campo, refinaria por refinaria, subsidiária por subsidiária.
Soberania? Que soberania?
Aqui os donos do poder só entendem soberania como "ser soberano"!

Democracia x Demotopia
                                                                                                                                                                              20/07/2018
Se tem uma coisa que sempre me ocupou a mente foi essa discussão entre socialismo e capitalismo.

Talvez por ter nascido em plena guerra fria, provavelmente vivia ouvindo quem defendesse um ou outro lado. Depois, tendo nosso país sofrido interferência direta desse conflito, com as forças de esquerda – na época consideradas comunistas – confrontando o resto do mundo, já que o império americano estava em seu auge e, portanto, dominava a economia e o pensamento da maior parte do mundo, e sendo essas forças (ou fraquezas) de esquerda sido derrotadas em 1964, com a “redentora”, passei, como todos os meus contemporâneos, por anos sombrios em que, ao contrário do que desejavam os ditadores, se fermentou mais ainda o pensamento socialista por aqui.

Muito bem, de vez em quando tenho uns insights, às vezes "espontâneos", às vezes "provocados" e preciso registrar para não perder essas linhas de raciocínio que são a base do meu equilíbrio, porque quando se pensa muito às vezes morre um burro.

Tem a ver com a democracia, sempre ligada à ideia de capitalismo, enquanto imagina-se o socialismo como totalitarismo.

O insight "espontâneo" foi durante minha peripatetada (caminhada pensativa), quando me veio à mente essa situação bizarra do Trump com o Putin – inacreditável que não haja alguém pra se levantar e dar um basta nisso, alguém que esteja investigando esse cara, que tenha informações sobre o que há por trás dessa aliança tão absurda, que dê base para um impeachment!

Ato contínuo me veio a lembrança da nossa situação política: um poder executivo tombado e sem forças, diante de um legislativo e um judiciário onipotentes que sitiaram o país para atender, não à vontade do povo, mas às suas necessidades corporativas.

Não que o poder executivo seja muito melhor, apenas tem menos poder, por incrível que possa parecer.

O que há em comum nesses dois casos?

A incoerência entre nosso senso comum e a realidade.

Estamos habituados, desde muito tempo, a admitir que a democracia é uma forma de organização do poder que garante, no mínimo, que alguém não consiga enganar a todos por todo o tempo, acreditamos que o próprio conflito de interesses entre os detentores do poder, bem como a divisão desses poderes, em que um fiscaliza o outro, seriam suficientes para, a médio prazo, as coisas irem se ajeitando.

Na idade média o senso comum era: A voz do rei é a voz de deus! Tanto isso era verdade que um súdito aceitava docilmente ceder ao rei prima nocte (aliás, parece que o primeiro voluntário foi um carpinteiro chamado José).


Hoje, mesmo com certo ceticismo, queremos crer que a voz do povo é a voz de deus. 

O fato é que não é assim e, muitos dirão, não chega a ser novidade.

O que me ocorreu é por quê é assim.

Voltemos ao caso do Trump + Putin: o que está ocorrendo é que todas as instâncias do poder estão de alguma forma comprometidas com o mecanismo que está em funcionamento e todos tem algo a perder com o desmascaramento de um presidente – é um pouco aquela fábula do rei que saiu nu do castelo. Com isso há uma paralisia das instituições, como se todos estivessem torcendo pra tudo sair bem sem muito barulho.

No nosso caso temos um legislativo cheio de privilégios e poder e um judiciário não menos poderoso e não menos agraciado por privilégios. Ora, é um mecanismo autoalimentado, à medida que conquistam poder, aumentam seus privilégios que reforçam atitudes cada vez mais corporativas dos seus membros, ciosos de seus privilégios, afastando-os cada vez mais das causas para as quais foram eleitos.

Chegamos a uma explicação plausível de porque a nossa Democracia não é mais um poder do povo, é mais uma Demotopia, uma ilusão do povo.

Quando as estruturas de poder se tornam fortes, o que é o objetivo original de suas formações, passam a ser contaminadas pelas suas necessidades corporativas, aqui entendidas como a superposição dos desejos individuais e particulares de seus membros.

Isso só não ocorre em sociedades que gozam de muita fartura, em que há um grau satisfatório de confiança entre os indivíduos e instituições, já que na abundância a competição será sempre mais “educada”.

insight "provocado" foi logo em seguida, quando, lendo o livro “A Miragem do Mercado”, de Wladimir Pomar (1991), cheguei na seguinte frase:
No período de transição do capitalismo para o socialismo, o Estado desempenharia papel importante para destruir o velho aparelho de dominação e criar uma verdadeira democracia socialista. Esse Estado, de natureza diferente do antigo Estado capitalista, embora assimilando e ampliando muitas das conquistas da democracia burguesa, deveria ser o Estado da ditadura do proletariado.
Da mesma forma que uma economia planificada e controlada pelo estado não é viável, por constituir-se de um complexo ecossistema, uma ditadura do proletariado seria outra utopia, uma vez que, em pouco tempo, as instituições estariam totalmente dominadas pelas suas necessidades corporativas e o povo teria que esperar.


Outra ilusão é imaginar que as antigas elites exploradoras continuariam a empreender ou que a massa proletária teria capacidade de obter os mesmos resultados da fase capitalista. Obviamente não, ou seja, uma nova elite, formada pelos mais capazes, teria que assumir o papel da velha, e uma vez no poder repetiriam os mesmos vícios de qualquer grupo com poder suficiente para garantir seus próprios privilégios.  

Estamos morrendo pela boca
No princípio era o verbo, a enteléquia original, tudo nasce de uma intenção.
Ao repetir ideologias artificiais como os direitos universais, inclusive de perverter a natureza, podemos estar semeando nosso fim.
22/06/2018
Em uma sala de aula de 3º ano primário de uma escola pública, nos anos 60, a professora está recolhendo as “lições de casa”.
— Juquinha! Onde está a sua lição?
— Não pude fazer, professora!
— E o senhor pode me dizer por quê?
— Eu pedi pra minha mãe, mas ela não podia me ajudar! - já com beicinho ensaiando o chororô.
Ao ouvir a desculpa, a turma, em coro, começa a zombar do infeliz Juquinha:
— Coitadinho do filhinho da mamãe! Oh, dó!
Essa cena deve povoar a memória de muitos que tem a minha idade, hoje seria caso de uma intervenção da diretoria, um episódio que seria classificado como bullying, naquela época era apenas a reação natural de crianças em desenvolvimento.
Deixando um pouco de lado a questão do bullying, quero focar na espontaneidade da reação, típica das crianças, que não admitiam coleguinhas que se fizessem de vítima, afinal estavam começando a conhecer o mundo da competição, onde o admirado era o herói, não a vítima.
Ao ler o livro “A Crítica da Vítima” do filósofo italiano Daniele Gigliogli, finalmente senti que poderia expressar algumas ideias que, confesso, cheguei até a escrever, mas não tive coragem de publicar por achar que as reações não seriam muito boas. Para aqueles que como eu tem interesse em entender o que ocorre à nossa volta, recomendo mais essa leitura.
Ultimamente assistimos a uma tendência que, ainda que não seja generalizada, é preocupante, a intolerância potencializada pelo efeito manada das redes sociais, deixando sitiadas as opiniões divergentes.
O discurso da verdade definitiva, do inimigo comum, de como seria fácil resolver os problemas do mundo bastando vontade política, além, é claro, do patrulhamento ideológico sufocante, não só no que diz respeito à política, mas aos hábitos de vida e de comportamento: não se deve comer isso; você deve fazer aquilo; isso não se pode falar etc. etc.
Pessoas com formação cultural e acadêmica de alto nível se deixando levar por ímpetos emocionais injustificados e discursos quase juvenis, como se todos tivessem voltado a ter a inconsequência típica da adolescência.
Esse furor com que pretendem desqualificar qualquer opinião contrária, como se só eles percebessem a realidade “real”, não é próprio de pessoas maduras que já viveram e erraram vezes suficientes para saber que nem sempre estarão certas, se é que alguma vez estaremos “certos”.
Outra característica dessa onda avassaladora é o discurso baseado na defesa dos fracos e oprimidos de um lado e da desqualificação desse discurso por outro. Uns se acham vítimas dos outros, de um lado explorados, do outro exploradores.
A busca da justiça social tão sonhada ao longo de toda a história da civilização, tem se caracterizado nestes tempos, basicamente por reivindicações, pela exigência de mudança a qualquer custo, como se as mazelas da sociedade pudessem ser resolvidas a partir de uma mudança de comando.
É como se os problemas inerentes à condição de seres viventes em competição e, cada um, tentando tirar do mundo mais do que o mundo tira deles, fossem obra de um grupo de exploradores mal-intencionados e não fruto de um estágio de evolução das consciências. Como se fosse possível mudar essa consciência com leis e pela força de um governo “bem-intencionado”. Aqui não falo da esquerda, falo dos imbecis de qualquer lado dessa inequação insolúvel. O mesmo pensamento que levou a Alemanha, a União Soviética e todos os totalitarismos ao colapso. Isso tem um nome: fundamentalismo e quando o fundamentalismo prevalece nada de bom se pode esperar.
Isso, aliado às vaidades elevadas às alturas, justamente pela alavancagem que o mito da vítima lhes proporciona: “eu participo de grupos tais e quais”; “eu trabalhei com desfavorecidos”; “eu estudo esses problemas há muito tempo”; “eu tenho formação em políticas sociais” e outras “credenciais” conferem aos candidatos a defensores universais a total isenção quanto à consistência de suas propostas, à complexidade que o problema representa de fato, reduzindo-os a meras questões de boa vontade por parte dos governantes, em última análise à transferência de renda e de todo tipo de assistência a contingentes cada vez maiores da população.
Por outro lado, os defensores do autoritarismo contra-atacam: “a classe empresarial está sufocada por impostos e burocracia e ainda tem que financiar os vagabundos e safados, além da corrupção”,  como se essas “constatações” credenciassem o apoio a todo tipo de intervenção.
Pior que isso é ver pessoas defendendo certos personagens, de lado a lado, quase como gado sendo tocado por uma insanidade coletiva, evidentemente manipulados e com todas as evidências ignoradas e até repelidas.
Em setembro de 2016 escrevi os textos abaixo achando que estava sendo muito rigoroso em minha crítica. Graças a Daniele Giglioli pude entender o que estava por trás dessa minha percepção que, na época, atribuí às nossas origens culturais.


O ‘coitadinho’ como escudo humano

11/09/2016
Mais uma característica ‘macunaímica’ de nossa malfadada herança cultural lusitana[1].
Trata-se do vício de usar o ‘coitadinho’ que temos em nós como escudo humano do ‘safado’ dominante de fato, para conseguir o que queremos e não temos coragem de ‘conquistar’, ‘disputar’, ‘negociar’ etc.
Isso é muito mais evidente nas camadas mais carentes da população! Já dizia um amigo “petista esclarecido”: uma parcela significativa dos ‘explorados’ só precisa de ‘poder’ para se tornar um ‘explorador’, ou seja, não é a condição do indivíduo que define o seu caráter.
A atitude de falsa ‘humildade’, ‘acanhamento’, ‘ignorância’, muitas vezes é usada, descaradamente, para não agir de forma justa: desde ‘não entender’ uma fila de espera, até não devolver um objeto achado, não dar licença a quem mais necessita e por aí vai.
Vale lembrar que em nosso meio, muito mais abastado, também vemos muitos ‘se fazendo de mortos para comer o coveiro’, em estacionamentos, filas especiais etc.
Como mudar isso se está tão fortemente impregnado em nossa maneira de pensar? Pode ser que o desmascaramento de tantos escândalos seja um começo, para que as pessoas percebam o prejuízo que todos sofrem com essas atitudes, não sei, apenas ‘espero’.
-     Mas porque você é tão preocupado como os defeitos de nossa cultura, quase obsessivo?
Agradeço ao atento leitor virtual que teria, eventualmente, feito esse questionamento!
Trata-se de uma preocupação derivada da minha forma de ver a vida: já falei sobre a ideia de que “a vida só vale ser vivida se for analisada”, que “o mundo é uma comédia para os que pensam, e uma tragédia para os que sentem” (Tutto nel mondo è burla!).
Também já falei sobre a vida ser, fundamentalmente, capitalista, quero dizer, “competitiva”, “cumulativa” e “expansionista”. Explico:
Sobre ser competitiva, acho que não há dúvidas.
Cumulativa, porque o fluxo de recursos nunca é constante, então para garantir a subsistência, os seres vivos, em geral, tem que reservar recursos para os dias difíceis.
Finalmente, expansionista: precisa aumentar continuamente seu domínio no meio para garantir a preservação da espécie, assim como o indivíduo precisa aumentar continuamente as suas capacidades para garantir a preservação do espécime.
Isto posto e sendo eu um ser vivo, estou submetido a todas essas pressões, as derivadas das minhas crenças e as impostas pelo gene. Sendo assim e, considerando que quando falo de nossos defeitos como brasileiros, estou, evidentemente, me incluindo nesse grupo, então falo dos meus defeitos também.
Isso é, definitivamente, uma forma de auto-análise: ao organizar e escrever sobre esses aspectos, ‘deslembrando’ tudo em um papel - ainda que virtual - posso tentar administrar melhor esses defeitos.
Aqui cabe ainda (cabe porque a paciência de escrever é só minha mesmo), uma observação: defeitos são subrreptícios, quando ignorados são armas prontas para disparar, quando rejeitados, são minas explosivas distribuídas pelo nosso caminho.
Defeitos ignorados são como a vaidade, por exemplo: se não penso nela, não acho que seja um defeito meu, passo a exercitá-la sem perceber, me tornando uma pessoa cada vez mais arrogante.
Defeitos rejeitados são até mais perigosos, como por exemplo o racismo: tenho ciência do que é o racismo e digo que, definitivamente, eu não sou racista, passo então  a disfarçar todos os sentimentos e, principalmente, as sensações, provocadas pelo meu racismo natural, como justas, afinal ‘eles’ são mesmo ‘mal cheirosos’, ‘mal educados’, ‘desonestos’, ‘preguiçosos’ etc. etc.


[1] Aqui vale ressaltar que, como nos lembra Heráclito de Éfeso: ‘não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio’, sendo assim quando falo em herança cultural lusitana é de uma cultura que não existe mais, já passou por muitas transformações, falo da que era dominante à época de nossa colonização.


Um governo que, dizendo ser defensor dos pobres, alimentou diretamente JBS, Eike Batista, Odebrecht, Chaves, Castro, Kirchner, Ahmadinejad e, em contra-partida, deu um cala-boca chamado bolsa-família para as massas carentes sem tirar um tostão dos ricos, mas com o dinheiro da população contribuinte. O que fez para tirar de fato as pessoas da situação de impotência em que vivem?
Como pude ser enganado por esse grupo por tanto tempo?
Resposta: Primeiro, porque investi nessa ideia 30 anos da minha vida! Fica difícil enxergar os erros quando se alimenta por tanto tempo a convicção de estar certo, mas não é só isso.
Embora não atenue a decepção, temos que reconhecer que somos resultado do meio em que vivemos. Reagimos e pensamos para ser respeitados em nosso grupo. Parte disso é natural, afinal nos aproximamos daqueles com quem sentimos maior afinidade, mas uma parte enorme desse grupo se impõe sem que percebamos e continuamos achando que as escolhas são nossas.
No ambiente de trabalho que escolhemos por vários fatores, exceto quais vão ser nossos colegas de trabalho - isso, quando podemos escolher. Na escola que frequentamos, na família etc.
Algumas instituições exercem uma influência maior, por exemplo, gigantes da indústria, empresas estatais, universidades públicas, sindicatos, produzem ambientes extremamente corporativistas, onde pensar diferente é muito desconfortável.
A maior parte das nossas companhias é escolhida dentro de grupos pré-selecionados por nossas escolhas anteriores. Mais uma vez a Síndrome de Estoucalmo nos induz a achar que somos parte do grupo.
As pessoas com quem tive o melhor e mais próximo relacionamento, em que um frequentava a casa do outro, com uma convivência muito próxima, familiar mesmo, tinham concepções de mundo muito diferentes das minhas: Um comunista renitente, trotskista, outro, espírita convicto, tendendo mais ao liberalismo, outro ainda ao socialismo democrático.
Ex-colegas, de uma fase anterior, um membro residente da Opus Dei, um executivo que vestia a camisa da Ford, representavam outro tipo de visão do mundo, mais capitalista, conservador.
Aqueles com quem convivi mais tempo e mais proximamente eram os de tendências à esquerda. Some-se a isso o fato que trabalhei 15 anos em uma empresa estatal onde defender ideias liberais era quase um sacrilégio.
Fica a pergunta. Foi o ambiente de convívio, dominado, predominantemente, pelas ideias de esquerda, ainda que eu não partilhasse originalmente das mesmas ideias - como eu já disse, minha visão de mundo, originalmente, não era nem um pouco esquerdista - ou foi minha tendência de pensamento que me aproximou do primeiro grupo?

opiniões contrárias not allowed!



acebook

Cada um de nós era a média das cinco pessoas com quem passava mais tempo, conforme dizia Jim Rohn no início do século passado, agora somos o que o Facebook quiser que sejamos.
Claro que não falo da instituição Facebook ou qualquer outra mídia social, mas do que elas propiciam, já que tendemos a frequentar determinados grupos nesses ambientes, mais uma vez, escolhas que normalmente não são definidas pelas nossas ideias políticas.
Sem querer, acabei fazendo um verdadeiro teste durante os meses de agosto e setembro de 2016. Como não me sinto muito à vontade nesses meios, quase nunca acesso minha página, nem pra ver o que está acontecendo, mas, uma das vezes que acessei, estimulado por uma postagem sobre o “golpe”, fiz um comentário ligeiramente crítico. Não tive resposta alguma.
Aí comecei a postar só aquilo que achava mais polêmico, menos aceito pelos meus círculos, mas ainda assim com coerência e argumentação razoável. Nenhuma reação, nada! Nem contra, nem a favor, muito pelo contrário.
Aí pensei em fazer o teste. De forma que não parecesse uma total mudança de opinião, na realidade sem mudar de opinião, fui postando artigos que tivessem mais proximidade com as ideias defendidas por esse pessoal. Imediatamente recebi comentários e mesmo alguns “likes”.
Para mim foi revelador! Quando conversamos “cara a cara”, as pessoas não podem fingir  ignorar o que estamos falando. Ainda que não se manifestem, dão sinais de aprovação ou desaprovação, permitindo a quem fala mudar sua argumentação ou o tom, na tentativa de acessar o outro.
No Facebook o silêncio é mortal, leva o autor do post, principalmente no caso de um adolescente, a sentir-se o “cocô do cavalo do bandido”. Isso praticamente incita os participantes a, sem perceber, ir concordando cada vez mais com a ideia dominante daquele grupo.
Redes sociais além de condicionar, obrigando sutilmente a pensar igual, viciam, causando dependência de respostas ou novas informações. É um tal de olhar toda hora pro celular pra ver se tem alguma coisa!
Infelizmente, ideias dominantes nada tem de melhores do que qualquer outra ideia, pelo simples fato de que o são por serem aceitas pela maioria, basta analisar as ideias dominantes em cada fase da humanidade, a idade média, por exemplo, ou em grupos fechados, como o partido nacional-socialista alemão, os evangélicos ou mesmo o Estado Islâmico.
O pior é que ninguém sabe como elas nascem, só podemos afirmar com segurança que não é do livre debate de ideias ou de uma profunda análise de cada tema.
Isso me lembra uma velha tese minha, a de que o tamanho do grupo é que corrompe. Explico.
Como trabalhei em diversas empresas, grandes, pequenas, privadas e estatais, além de ter constituído duas microempresas, consegui uma experiência bem rica em termos de ambiente de trabalho, produtividade, comprometimento e eficiência.
A partir dessa vivência cheguei à conclusão que o fato de ser estatal ou privada não tem nada a ver, é o tamanho, ou a quantidade de funcionários, que determina as características do grupo.
Empresas com até algumas centenas de funcionários são razoavelmente bem controladas e dirigidas, a partir do patamar dos milhares não há mais possibilidade de controle adequado, seja a empresa privada, como a Ford, onde trabalhei por dois anos, seja estatal como a Cesp. A ética vigente, mais coletiva ou mais individual, dominará o ambiente qualquer que seja a orientação do corpo diretivo e os interesses particulares sempre encontrarão um meio de beliscar aqui e ali.
Digo isso porque esse tema de grupos sociais está intimamente ligado a essa questão da quantidade de membros e da ligação entre eles.
As formas desse relacionamento, no passado eram: família e círculo de amigos próximos se constituindo no núcleo social do indivíduo, onde circulavam as fofocas, mas também a solidariedade, as rusgas, grandes amizades e amores para toda vida e a religião, esta representando a grande esfera de relacionamentos, muitas vezes em escala mundial, onde circulavam as crenças, mas também as guerras.
Ao longo da história essas redes impessoais de relacionamento foram se diversificando com a criação das ideologias, partidos políticos e até times de futebol. Todas elas, principalmente a pioneira religião, foram criadas com o objetivo claro de dominação, de controle das populações e sempre foram a casa dos “lúmpen” [2].
Eis que esses mesmos “lúmpen” populam agora as redes sociais, acreditando que finalmente estão livres, que “abaixo de deus” eles são senhores de suas opiniões. Ledo engano, aliás típico desse pessoal.
[2] A única coisa que tenho contra as religiões -  e que basta para que eu me afaste delas - é o fato de quererem convencer o maior número de pessoas da "sua" verdade, não bastando viverem suas crenças em paz.
As redes sociais não só influenciam, mas determinam a forma de pensar das pessoas.
Por sorte, ao longo de minha vida, apesar de cometer muitos enganos, me mantive fiel ao que já sabia e, mesmo depois de um longo sequestro ideológico, consegui voltar a ver com alguma clareza, claro que sob novas influências, mas acredito que agora mais maduro e consciente.

MÍDIA: PROPAGANDA POLÍTICA E MANIPULAÇÃO

Noam Chomsky

... Mas, uma vez que as pessoas se encontram marginalizadas e confusas e não conseguem organizar ou articular seus sentimentos - ou mesmo saber que outras pessoas partilham desses sentimentos -, aqueles que diziam preferir gasto social em lugar de gasto militar, que respondiam às pesquisas como a esmagadora maioria fez, supunham que elas eram as únicas que tinham aquela ideia maluca na cabeça. Elas nunca ouviram isso de nenhuma outra fonte. Ninguém deve pensar isso. Portanto, se é isso que você acha e dá essa resposta numa pesquisa, você simplesmente imagina que deve ser um tipo meio esquisito. Como não há uma maneira de se juntar a outras pessoas que partilham ou reforçam aquele ponto de vista e ajudam-no a articulá-lo, você se sente uma pessoa esquisita, uma excentricidade. Assim, você se retrai e não presta a menor atenção ao que está acontecendo. Olha para outra coisa, vai assistir ao futebol americano.



O Chato
ou pentelho!

Por vezes gosto de  incursionar pelos segredos da última flor do lácio, inculta e bela, aí pensei nessa palavra e fui procurar sua origem.
Segundo o «Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa» de José Pedro Machado, chato vem «do latim pop. plattus, do grego platús, 'chato, estendido'».
Outras referências levaram à mesma explicação.
Pô, filólogos à parte, vão pra PQP! Convenhamos, o que plattus tem a ver com chato?
Tá bem, já me habituei a descobrir coisas aparentemente sem nexo na evolução da linguagem e sabemos que as formas de transmissão cultural, inicialmente oral, depois escrita, levaram a transformações radicais, mas esperava pelo menos uma explicação mais convincente.
O filólogo tem que ser além de estudioso da língua, um pesquisador de história e, em muitos casos, de arqueologia.
Vejam, por exemplo, a evolução do nome Thiago que ninguém entende porque tem esse “h”.
Sua origem vem do nome hebraico Jacob, cuja grafia não interessa, já que passou por várias versões, tantas quantas foram as línguas adotadas pelos judeus ao longo da história, o que importa é a sua pronúncia original, que era “Yacob”, escrevo com “Y” com a intenção de dar mais força à letra inicial, uma espécie de forçada da língua no céu da boca.
Claro que os sons das palavras só podem vir pela tradição oral, o que mostra quanto de pesquisa demanda o trabalho de um filólogo.
Muito bem, isso levou, pela mesma transmissão oral, à transformação de “Yacob” em “Thiago”. Dá pra perceber a semelhança dos sons, principalmente se lembrarmos que aquele “h” suaviza um pouco - ou dá um toque mais sibilino - ao “T”.
Isso pode ser verificado em vestígios deixados pelos vários povos que tiveram contato com esse nome: o famoso Caminho de Santiago tem como símbolo a vieira, que em francês é chamada “coquille de Saint Jacques”, sendo Jacques é a tradução de Jacob para o francês. Claro que Saint Jacques é São Thiago para nós, de língua portuguesa.
Na linguagem coloquial “chato” também significa “pentelho”, palavra esta muito mais precisa para meus objetivos presentes, afinal seu significado só não fica claro pra quem nunca entrou em uma banheira de hotel com um desses itens da nossa pilosidade “esquecido” por ali.
Se a palavra chato vem de “plattus”, “plano”, que identificaria a pessoa “chata”, “plana”, ou seja, sem nada de destaque, o “pentelho” vai muito além, ele “enche o saco”, “pentelha” mesmo.
Entretanto, devo admitir, a palavra chato assimilou muito bem essa função, exemplos: “ecochato”, “enochato” e, mais recentemente o já clássico “milichato”, o “militante” de alguma causa - ainda que haja muitos militantes sem causa por aí.
O milichato “táxi” acha, é o baluarte de tudo que é correto, nobre e - na opinião deles - humano, além de serem os únicos defensores dos fracos e oprimidos, todos os que defendem ideias diferentes são representantes da “classe exploradora”, “burgueses alienados” ou “dominados pela mídia manipuladora”, consequentemente são desonestos, falsos e - ainda na opinião deles - desumanos.
Cara! Nada mais chato!

As esquerdas e o mercado

A esquerda, me parece, não acredita em economia saudável nem em sociedade harmoniosa, já que insiste obsessivamente em exigir os tais direitos dos trabalhadores. Me refiro à “esquerda” porque estou iniciando nessa de olhar os gauche de fora.
Nesse processo impõem a instituição de uma parafernália legal que: abala profundamente qualquer resquício de confiança entre empregados e empresários, além de criar empecilhos reais às negociações, que deveriam se adequar às condições reais de mercado.
Olhando de forma mais consciente e responsável, temos que admitir que essa postura política pressupõe que a direita - ou “o outro lado’ se preferirem - esteja, no mínimo, tão estruturada quanto, promovendo a pressão sobre o sistema no sentido da garantia de um ambiente econômico capaz de propiciar a geração da riqueza da qual as esquerdas pretendem obter os “direitos” que julgam ter.
Claro que os simpatizantes e defensores da esquerda dirão: os capitalistas se organizam e já detém o poder e controlam o mercado e o estado segundo seus interesses financeiros.
Paradoxalmente, essas mesmas esquerdas propõem, com suas políticas públicas, a destruição do ambiente econômico, retirando toda a capacidade do mercado de criar riquezas, dessa forma matam o que eles mesmos acham ser a “galinha dos ovos de ouro”. Vide exemplos da União Soviética, Cuba e, mais recentemente, Venezuela, para citar os mais conhecidos.


Estou perdidinho não por falta de informação, mas por excesso, como no “Ensaio sobre a lucidez” (tópico da postagem O quintal do Lincoln), analisando todas as alternativas já experimentadas verifico cada vez mais que democracia e capitalismo não nos levarão a um bom termo, entretanto são os únicos (ênfase nos únicos) sistemas razoáveis, tudo o mais não passa de utopias.
Minha única consolação é que estar perdido nesse processo de pensamento político é o resultado de uma tentativa honesta de compreender a complexidade desse processo. Em outras palavras: não é da nossa conta a evolução da espécie, só podemos nos ocupar do espécime, mais especificamente de um único espécime, aquele que chamamos de “eu”.